A dor e o potencial de crescimento na elaboração da nova realidade

Produzido por
Cássia Denadai

Psicóloga

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O ano de 2020 foi atípico em inúmeros sentidos, e nos colocou diante de uma realidade para a qual não gostamos de olhar: a da morte – mesmo sabendo que, em algum momento, ela será inevitável. Sem muitas alternativas, tivemos de encarar essa difícil elaboração. Cada um de nós o fez à sua maneira. Mas, como coletividade, também fizemos (e ainda estamos fazendo) inúmeras descobertas.

Descobrimos, por exemplo, que a imunidade está associada a alguns comportamentos de autocuidado, que muitas vezes desprezamos. Descobrimos também que atitudes individuais podem ter um impacto no coletivo muito maior do que imaginávamos.

Descobrimos ainda que podemos fazer mais para participar na educação escolar de nossas crianças. E descobrimos, surpresos, que as nossas moradias estavam preparadas para dormirmos e fazermos uma refeição rápida, mas que não necessariamente eram espaços de aconchego e de relacionamento da família.

Por diversas razões, a pandemia nos obrigou a olhar mais para a casa, para a família e para as atitudes de cuidado e autocuidado

Seja por respeito ao confinamento, seja porque de repente as crianças deixaram de poder ficar “guardadas” na escola, ou porque tivemos que passar a tomar medidas adicionais de cuidado e proteção nas nossas rotinas – especialmente quando temos por perto aqueles considerados como dos grupos de riscos -, seja porque em inúmeros casos o emprego formal e a estabilidade desapareceram, o fato é que, pelas mais diversas razões, fomos obrigados a nos voltar mais às necessidades de nosso núcleo familiar e do nosso lar.

E, sim, podemos tirar grandes lições de todo esse processo ou, no mínimo, repensar algumas questões. Afinal, diante da sombra da morte, como uma ameaça (e uma realidade) tão presente e constante sobre todos nós, temos sido impelidos a nos reconectar a tudo o que é mais caro e valioso em relação à vida, enquanto ela pode ser vivida.

Muito se fala, por exemplo, sobre crises conjugais que se aprofundaram e sobre divórcios que ocorreram entre casais que, dada a necessidade de maior convivência, viram-se incompatíveis ou sem habilidade e/ou intimidade para a partilha do cotidiano. Por outro lado, fui testemunha de um casal que estava por se separar e que, por causa das primeiras medidas de confinamento, encontrou tempo para enfrentar e solucionar os seus problemas.

Enfim, questões latentes vão encontrando formas de se resolverem. Pois, de alguma forma, sentimos que é chegada a hora!

No campo da convivência com os entes queridos, também fomos colocados à prova. Em dado momento, as recomendações de distanciamento social parecem ter sido mal compreendidas por muitos e trouxeram muitos danos. Muitas pessoas – sobretudo as mais idosas – ficaram isoladas e afastadas do convívio de seus parentes. De algum modo, o alimento, o medicamento chegavam a esses indivíduos, mas faltava a atenção, o carinho e a partilha de momentos.

E aí, tivemos outra grande descoberta: não somos apenas matéria; precisamos do outro, ou então sofreremos psiquicamente.

Assim, vemos agora que a pandemia escancarou o bem e o mal – e essa é uma dualidade que também havíamos abandonado, mas que está agora à nossa frente, para vermos e pensarmos.

A natureza já mostrou que precisamos de duas pessoas para gerar uma. A vida em sociedade, por sua vez, nos mostra sempre que precisamos um do outro. Por isso, temos diferentes profissões e diferentes tarefas a serem desempenhadas ao longo da vida. No entanto, parece que insistimos em negar essa obviedade.

Brindemos à mudança que está batendo a nossa porta, com olhar de confiança em um futuro melhor, acompanhados por aqueles que realmente importam em nossas vidas!

Essa publicação foi atualizada em 24 de janeiro de 2021 12:24

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Produzido por
Cássia Denadai

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