Simone Amorim,
neurofisiologista e neurologista infantil

risco cardiovascular enxaqueca 1024x626 A enxaqueca e o aumento do risco cardiovascular

Estudos mostram que pacientes com enxaqueca devem estar mais atentos à prevenção dos riscos cardiovasculares.

De tempos em tempos, algumas notícias ou estudos divulgados deixam os pacientes diagnosticados com enxaqueca em estado de alerta. Recentemente, tenho visto nos fóruns on-line uma maior preocupação em relação  a uma possível relação entre enxaqueca e um maior risco de problemas cardiovasculares. Também já cheguei a receber mensagens in box de pacientes questionando a esse respeito.

Trata-se de um tema que realmente merece esclarecimentos.

De fato, estudos mostram que pessoas que sofrem de determinados tipos de enxaqueca têm maior predisposição para problemas vasculares.

Então, realmente há uma maior possibilidade de que elas venham a sofrer um AVC ou de que possam sofrer um ataque cardíaco, em algum momento da vida – sendo que, estatisticamente, os casos de AVC relacionados a um histórico de enxaqueca são mais prevalentes do que os de problemas cardíacos.

Mas estamos falando aqui de riscos aumentados ao longo da vida. E não de risco de sofrer um AVC ou um ataque cardíaco durante a crise enxaquecosa.

Um episódio de enxaqueca, por ser altamente incômodo, doloroso e acompanhado de grande mal-estar, costuma assustar muito o paciente, dando mesmo a sensação de se tratar de um ataque mais grave, com risco de morte imediata. Mas NÃO é isso que os estudos nos dizem.

O que eles dizem é: as pessoas que sofrem de enxaqueca devem estar especialmente atentas à PREVENÇÃO de fatores que aumentam os riscos cardiovasculares (como obesidade, sedentarismo, tabagismo, hipertensão, estresse, nível de colesterol, etc.), pois elas tendem a ter uma menor resistência a esses fatores de risco, digamos assim.

Dessa forma, o que recomendamos aos pacientes que sofrem de enxaqueca é manter o controle do quadro, por meio de um tratamento médico assertivo e eficiente (e aqui vale lembrar que a terapêutica com toxina botulínica é considerada hoje o “padrão ouro” nesse quesito), junto à adoção de um estilo de vida que procure manter afastados os conhecidos gatilhos associados às crises – isto é, a alimentação desbalanceada, a obesidade, o estresse, o sedentarismo, o tabagismo, o consumo de álcool, entre outros.

Quando seguido sob essas diretrizes, o próprio tratamento para controle do quadro enxaquecoso acaba por ser também uma conduta preventiva para os riscos cardiovasculares.

Ou seja, as medidas que os pacientes enxaquecosos precisam tomar para diminuir a frequência e a intensidade das crises, eliminando as dores e o mal-estar a curto prazo, são as mesmas que TODAS as pessoas precisam tomar para diminuir os riscos de AVC ou de um ataque cardíaco no futuro.