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Afinal, o que é TCC?

2013-06-15T00:00:00+00:00 15 de junho de 2013|Artigos|0 Comments

Por Cássia Denadai,
Psicóloga

A sigla TCC muitas vezes é relacionada com o Trabalho de Conclusão de Curso, normalmente exigido ao final de cursos de graduação. Por isso, quando profissionais de Saúde sugerem tratamento psicológico com TCC, é comum as pessoas estranharem. Mas, acalmem-se, o termo está correto. Em Psicologia, ele designa uma abordagem de tratamento, a Terapia Comportamental Cognitiva ou Terapia Cognitiva Comportamental (TCC).

Pela TCC aprendemos que os sintomas podem ser modificados. Trata-se de uma modalidade terapia que favorece a aprendizagem do indivíduo.

Vamos entender como isso acontece: vemos que o pensamento retrata uma crença que determina um sentimento e comportamento correspondente; o comportamento, por sua vez, significa uma ação que o indivíduo manifesta publicamente ou não, muitas vezes acompanhado por uma resposta física (tremor, rubor, sudorese, alteração da temperatura do corpo entre outros). Nesse mecanismo, o indivíduo vivencia uma “circularidade”, na qual o pensamento alimenta o comportamento/repostas e vice-versa.

DepressionenImporta observar que esses padrões de pensamento são automáticos, ou seja, em algum momento foi um pensamento consciente que tornou habitual e se cristalizou como uma verdade inviolável, de tal forma que o individuo fica aprisionado como que submetido a uma “lei” da qual não pode fugir. Esses padrões são considerados disfuncionais quando, devido à sua inflexibilidade, trazem algum tipo de sofrimento à pessoa.

É aí que a TCC pode entrar como uma importante abordagem psicoterápica. Na terapia, focalizamos na atividade cognitiva (padrão de pensamento-resposta) que pretendemos modificar e adotamos técnicas bem estabelecidas e padronizadas para esse fim, e que atendem ao diagnóstico de cada transtorno ansioso ou de personalidade.

Cabe destacar aqui que os pensamentos e crenças adotados pelo individuo foram construídos pela interação com o ambiente; por essa interação é que se instala e se mantém a disfuncionalidade. Portanto, para remitir sintomas e comportamentos disfuncionais é preciso identificar os pensamentos que os fundamentam e os alimentam.

Nas sessões de psicoterapia eu, pessoalmente, estou sempre atenta a dois aspectos importantes. O primeiro: qual o pensamento que esteve presente em situações específicas? Assim, colocamos um foco – inicialmente as pessoas falam de sentimentos, somente com o tempo estarão aptas a identificar o pensamento. O segundo aspecto: procuro avaliar com a pessoa o que aconteceu antes e depois de um comportamento específico e passamos a observar a frequência de ocorrência desses comportamentos, qual o padrão de respostas observável, e assim por diante.

Desse modo, as pessoas aprendem a lidar assertivamente com suas questões pessoais e generalizam tal aprendizagem para eventos futuros, tornando-se independente do terapeuta e favorecendo a alta.

Contudo, é preciso reforçar que somente um psicólogo com formação específica em TCC está apto a lançar mão das “ferramentas” psicoterapêuticas capazes de garantir uma condução satisfatória do caso e resultados efetivos com esses pacientes.

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