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Conversa com pediatras

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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Simone Amorim,
Neurologista infantil e neurofisiologista

A agenda anda para lá de corrida nesses últimos tempos. Mas, ainda assim, existem determinados acontecimentos da vida científica e acadêmica que faço questão de compartilhar por aqui…No último dia 14, um belo domingo de sol em São Paulo, acompanhei o II Congresso Internacional de Especialidades Pediátricas, realizado na cidade e, na oportunidade, também ministrei uma aula.

Falei sobre “Algoritmo de investigação na criança hipotônica de origem central”, o que, traduzindo, significa que conversei com pediatras visando o repasse e a observação de instruções para o diagnóstico de quadros neurológicos nos quais a criança tem perda de tônus muscular (hipotonia), com ou sem déficit de força.

Esse é um tema que interessa a familiares de crianças que enfrentam quadros que comprometem o sistema nervoso e, consequentemente, o desenvolvimento neuromotor. E também deve ser de interesse de futuros pais.

A hipotonia pode ser detectada ao nascimento ou ao longo da infância, sendo que a origem do problema pode estar em fatores que afetam o sistema nervoso central ou o periférico. Detectar precocemente o quadro e corretamente a sua etiologia (causa) é importantíssimo para garantir as melhores possibilidades de assistência e desenvolvimento da criança.

A hipotonia central é, em geral, causada por lesões estruturais do sistema nervoso central, alterações cromossômicas, síndromes genéticas e ou doenças metabólicas. Cerca de 80% dos casos de hipotonia são de origem central.

Algumas síndromes genéticas bastante relacionadas à hipotonia são: síndrome de Down, síndrome de Prader-Willi, síndrome de Angelman e síndrome de Rett, entre outras, além das doenças metabólicas em geral. Entretanto, a hipotonia também pode ocorrer em bebêsprematuros, sendo que, nesses casos, geralmente é muito difícil afirmar, ainda no primeiro ano de vida, se a hipotonia  e o atraso neuropsicomotor são ou não transitórios.

É preciso frisar que a hipotonia não é uma patologia em si. Ela é um sinal presente em centenas de condições neurológicas, sendo que a sua intensidade é muito variável e depende muito da etiologia (causa originária). Por isso é que o diagnóstico etiológico correto é fundamental para traçar o prognóstico – isto é, para se determinar o que é possível esperar no desenvolvimento da criança, assim como para planejar o manejo e o tratamento mais adequados.

E é por isso que é tão importante essa troca de informações entre especialistas, como neurologistas infantis e pediatras.

O tratamento da hipotonia é de suporte e sintomático, dependendo da síndrome clínica que o paciente se enquadre. Uma vez realizado o diagnóstico, o plano de tratamento tende a ser sempre multidisciplinar, pois é fundamental que, além do pediatra e do neurologista infantil, o caso também seja acompanhado por outros especialistas, tais como geneticistas, neurorradiologistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e fonoaudiólogos.

SAIBA MAIS

– Embora a hipotonia seja caracterizada pela perda de tônus muscular, com ou sem déficit de força, nem sempre a família é capaz de perceber os primeiros sinais da presença do quadro. Por isso, o acompanhamento pediátrico, com as consultas mensais no primeiro ano de vida, é fundamental para garantir as devidas avaliações do desenvolvimento neuropsicomotor da criança;

– Quando percebe déficits no desenvolvimento neuropsicomotor da criança, o pediatra deve encaminhá-la para avaliação pelo neurologista infantil;

– Além do conhecimento do histórico e do exame clínico da criança, exames complementares laboratoriais e de imagem poderão ser solicitados para a investigação diagnóstica;

– O plano de tratamento irá depender da identificação da causa da hipotonia na criança, sendo que a abordagem é sempre num contexto de neurorreabilitação, isto é, o que se visa é proporcionar a esses pacientes o maior nível de conforto e as melhores condições de desenvolvimento e autonomia possíveis, dentro de seus quadros clínicos específicos, através de um acompanhamento contínuo e multidisciplinar.

 

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