Blog da Vita

Desânimo constante é alerta para verificar a tireoide

2012-11-24T00:00:00+00:00 24 de novembro de 2012|Artigos, Destaques|0 Comments

Por Simone Amorim,
Neurologista infantil 

Hoje vou falar aqui no blog não como médica especialista, mas como paciente que tem hipotireoidismo, uma disfunção da glândula tireoide que faz com que o organismo trabalhe mais devagar.

Minha história com o hipotireoidismo começou logo após o nascimento do meu filho, há 10 anos. Eu estava naquela fase de dormir pouco, cuidar do bebê nos primeiros meses de vida, voltar ao trabalho e aos estudos (sim, eu estava terminando a residência médica de Neurologia Infantil) e não me dava conta de que o cansaço, a sonolência excessiva, a dificuldade de perder peso e a sensação contínua de desânimo pudesse ter uma causa orgânica. Tudo era creditado ao pós-parto.

Até que um dia, uma amiga médica me perguntou se eu não achava que a minha tireoide estava aumentada, pois ela notava um aumento de volume na parte anterior do meu pescoço (localização dessa glândula). A partir daí procurei um endocrinologista que solicitou os exames necessários para o diagnóstico e, alguns dias depois, lá estava eu diagnosticada com hipotireoidismo.

Feito o diagnóstico, nós passamos para a fase do tratamento; em alguns dias recuperei a disposição, o humor e comecei a perder peso. Até hoje tomo diariamente o hormônio tireoidiano e, com isso, tenho uma vida absolutamente normal.

Decidi contar esta história aqui para lembrar que o hipotireoidismo não é uma sentença. Ela é uma disfunção da glândula tireoide que, quando diagnosticada e tratada adequadamente, permite ao paciente uma vida absolutamente normal.

Os sintomas

O hipotireoidismo é reflexo do mau funcionamento da glândula tireoide. Esta glândula é responsável pela produção dos hormônios T3 e T4, que atuam em diversos órgãos e sistemas. São esses hormônios que mantêm o metabolismo das células do nosso organismo.

A doença atinge de 10% a 15 % da população e pode acometer homens e mulheres em qualquer faixa etária, geralmente após os 40 anos, mas pacientes mais jovens também podem apresentá-la – há, inclusive, o chamado hipotireoidismo congênito, que acomete os recém-nascidos, um problema sobre o qual já falei aqui no blog.

O paciente com hipotireoidismo tem um metabolismo mais preguiçoso, desacelerado e, devido a isso, os principais sintomas da doença são:

• Desânimo / depressão
• Boca e pele secas
• Ganho de peso
• Sonolência
• Intestino preso
• Queda de cabelo
• Aumento dos níveis de colesterol

Exames

Na presença desses sintomas é importante procurar um médico para que os exames de rotina possam ser realizados, como as dosagem dos hormônios (TSH, T3 e T4) no sangue; algumas vezes poderão ser realizadas dosagem de auto anticorpos e o ultrasson da tireoide é importante para afastar a presença de nódulos.

A causa mais comum de hipotireoidismo (cerca de 95% dos casos) é a primária, ou seja, a glândula deixa de funcionar por um processo inflamatório causado por auto anticorpos, aqueles que nosso próprio organismo produz. Em raros casos, a evolução da doença sem diagnóstico ou tratamento pode levar a alterações da memória, alterações cognitivas, inchaço, lentificação, coma e muito raramente ao óbito.

O tratamento é simples, seguro e eficaz. A medicação é oral e a dosagem de hormônio prescrita pelo seu médico age como se fosse a glândula a produzi-los e, desta forma, o paciente vive livre dos sintomas. O medicamento deve ser tomado diariamente em jejum e nunca deve ser interrompido sem orientação médica. O médico definirá a regularidade da avaliação clínica e laboratorial de cada paciente no acompanhamento da doença.

Dicas

• Faça a dosagem de rotina dos hormônios TSH e T4 ao menos uma vez por ano, converse com seu médico, assim, qualquer alteração poderá ser percebida precocemente.
• Mulheres que já tem o diagnóstico de hipotireoidismo e que tenham vontade de engravidar devem estar com suas taxas hormonais equilibradas e manter acompanhamento regular com o seu endocrionologista e com seu ginecologista para o ajuste da dose da medicação. Geralmente há necessidade do aumento da dose nesta fase, mas esta é uma decisão que caberá ao médico após avaliação clínica e laboratorial.

Leave A Comment