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Desânimo constante é alerta para verificar a tireoide

Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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Por Simone Amorim,
Neurologista infantil 

Hoje vou falar aqui no blog não como médica especialista, mas como paciente que tem hipotireoidismo, uma disfunção da glândula tireoide que faz com que o organismo trabalhe mais devagar.

Minha história com o hipotireoidismo começou logo após o nascimento do meu filho, há 10 anos. Eu estava naquela fase de dormir pouco, cuidar do bebê nos primeiros meses de vida, voltar ao trabalho e aos estudos (sim, eu estava terminando a residência médica de Neurologia Infantil) e não me dava conta de que o cansaço, a sonolência excessiva, a dificuldade de perder peso e a sensação contínua de desânimo pudesse ter uma causa orgânica. Tudo era creditado ao pós-parto.

Até que um dia, uma amiga médica me perguntou se eu não achava que a minha tireoide estava aumentada, pois ela notava um aumento de volume na parte anterior do meu pescoço (localização dessa glândula). A partir daí procurei um endocrinologista que solicitou os exames necessários para o diagnóstico e, alguns dias depois, lá estava eu diagnosticada com hipotireoidismo.

Feito o diagnóstico, nós passamos para a fase do tratamento; em alguns dias recuperei a disposição, o humor e comecei a perder peso. Até hoje tomo diariamente o hormônio tireoidiano e, com isso, tenho uma vida absolutamente normal.

Decidi contar esta história aqui para lembrar que o hipotireoidismo não é uma sentença. Ela é uma disfunção da glândula tireoide que, quando diagnosticada e tratada adequadamente, permite ao paciente uma vida absolutamente normal.

Os sintomas

O hipotireoidismo é reflexo do mau funcionamento da glândula tireoide. Esta glândula é responsável pela produção dos hormônios T3 e T4, que atuam em diversos órgãos e sistemas. São esses hormônios que mantêm o metabolismo das células do nosso organismo.

A doença atinge de 10% a 15 % da população e pode acometer homens e mulheres em qualquer faixa etária, geralmente após os 40 anos, mas pacientes mais jovens também podem apresentá-la – há, inclusive, o chamado hipotireoidismo congênito, que acomete os recém-nascidos, um problema sobre o qual já falei aqui no blog.

O paciente com hipotireoidismo tem um metabolismo mais preguiçoso, desacelerado e, devido a isso, os principais sintomas da doença são:

• Desânimo / depressão
• Boca e pele secas
• Ganho de peso
• Sonolência
• Intestino preso
• Queda de cabelo
• Aumento dos níveis de colesterol

Exames

Na presença desses sintomas é importante procurar um médico para que os exames de rotina possam ser realizados, como as dosagem dos hormônios (TSH, T3 e T4) no sangue; algumas vezes poderão ser realizadas dosagem de auto anticorpos e o ultrasson da tireoide é importante para afastar a presença de nódulos.

A causa mais comum de hipotireoidismo (cerca de 95% dos casos) é a primária, ou seja, a glândula deixa de funcionar por um processo inflamatório causado por auto anticorpos, aqueles que nosso próprio organismo produz. Em raros casos, a evolução da doença sem diagnóstico ou tratamento pode levar a alterações da memória, alterações cognitivas, inchaço, lentificação, coma e muito raramente ao óbito.

O tratamento é simples, seguro e eficaz. A medicação é oral e a dosagem de hormônio prescrita pelo seu médico age como se fosse a glândula a produzi-los e, desta forma, o paciente vive livre dos sintomas. O medicamento deve ser tomado diariamente em jejum e nunca deve ser interrompido sem orientação médica. O médico definirá a regularidade da avaliação clínica e laboratorial de cada paciente no acompanhamento da doença.

Dicas

• Faça a dosagem de rotina dos hormônios TSH e T4 ao menos uma vez por ano, converse com seu médico, assim, qualquer alteração poderá ser percebida precocemente.
• Mulheres que já tem o diagnóstico de hipotireoidismo e que tenham vontade de engravidar devem estar com suas taxas hormonais equilibradas e manter acompanhamento regular com o seu endocrionologista e com seu ginecologista para o ajuste da dose da medicação. Geralmente há necessidade do aumento da dose nesta fase, mas esta é uma decisão que caberá ao médico após avaliação clínica e laboratorial.

Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 15:37

As opiniões expressas nesse artigo são de responsabilidade de seus respectivos autores.
Caso deseje entrar em contato conosco, escreva para blogdavita@vitaclinica.com.br
Produzido por
Dra. Simone Amorim

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