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Doenças de pele podem virar herança maldita do verão

2014-03-11T00:00:00+00:00 11 de março de 2014|Artigos|0 Comments

Não é à toa que clubes, academias e escolas de natação e hidroginástica que levam a sério a sua responsabilidade exigem dos alunos a apresentação de atestados anuais, emitidos pelo dermatologista, para que eles possam praticar atividades aquáticas. Muitas doenças de pele tendem a se manifestar e terem maior capacidade de infestação em ambientes de alta umidade.

A dermatologista Tallita Rezende destaque que pequenas baixas na imunidade podem permitir o contágio por doenças de pele.

A dermatologista Tallita Rezende destaque que pequenas baixas na imunidade podem permitir o contágio por doenças de pele.

Porém, durante as atividades de lazer do verão, é comum as pessoas negligenciarem determinados cuidados. Piscinas, chuveiros de praia, áreas de banho em campings e parques aquáticos, por exemplo, são frequentados sem maior atenção em relação aos riscos de proliferação e contágio.

Por isso, algumas doenças de pele acabam por ter maior prevalência durante o verão ou logo após o fim da estação. Na maioria das vezes, são casos simples, se diagnosticados e controlados logo no início. Nada que exija que as pessoas fiquem paranoicas e precisem abrir mão da diversão.

Para uma maior proteção, a dermatologista Tallita Rezende destaca dois pontos: atenção a alguns cuidados profiláticos básicos (listados no final do texto) e visita ao dermatologista diante do surgimento de qualquer sintoma – pois, muitas vezes, infecções que podem evoluir para quadros mais sérios acabam sendo confundidas pelos leigos com quadros de menor gravidade logo no início.

A especialista explica que, mesmo quando as pessoas tomam o cuidado de não andar descalças por áreas úmidas de uso comum e de não compartilhar objetos pessoais, como toalhas ou roupas de banho, por exemplo, o contágio pode acabar acontecendo.

“Uma pequena baixa na imunidade pode propiciar o contágio por esses agentes, que estão por todos os lados. Há também alguns fungos que já estão naturalmente na pele e que encontram no ambiente úmido e quente do verão as condições ideais para se proliferar”, detalha.

Por isso, a médica ressalta ser tão importantes as consultas anuais ao dermatologista. “Muitas vezes, a pessoa nem sabe que tem determinada patologia na pele e que isso precisa ser tratado, para que não evolua e não contamine outras pessoas”, salienta.

DOENÇAS DE PELE COMUNS NO VERÃO:

Pápulas típicas molusco contagioso.

Pápulas típicas molusco contagioso.

Molusco contagioso: trata-se de uma infecção da pele, causada por um vírus bastante comum em crianças, mas que também infecta adultos. Causa pequenas pápulas (elevações da pele) umbelicadas (com uma depressão central), de cor que varia do translúcido ao rosa, com base levemente avermelhada.

Geralmente é assintomático, podendo causar leve prurido (coceira). Pode ser passado através do contato direto da pele ou por meio de toalhas, panos e brinquedos infectados, por exemplo.

Sozinha, a infecção leva de 12 a 18 meses para desaparecer, e o maior problema que causa é mesmo no aspecto das áreas em que as borbulhas aparecem, além do risco das pápulas serem infectadas por bactérias.

Costas de uma jovem com áreas infectadas pela pitiríase.

Costas de uma jovem com áreas infectadas pela pitiríase.

 

Pano branco: é o nome popular da pitiríase versicolor, infecção causada por fungos do tipo Pityrosporum ovale ou Malassezia furfur. Também é chamado de micose de praia, justamente por ser comum o seu aparecimento entre quem frequenta esse ambiente.

Mas essa micose NÃO se pega.O fungo já está presente na pele e o que acontece é que ele se reproduz com maior intensidade sob o calor e a umidade.

Além disso, a pele bronzeada tende a evidenciar mais a presença desses micro-organismos, uma vez que a pele não produz melanina nas áreas onde há a infestação, impedindo o bronzeamento e propiciando o surgimento das manchas brancas.

A tinea pedis é mais comum em homens, mas atinge ambos os sexos.

A tinea pedis é mais comum em homens, mas atinge ambos os sexos.


Pé de atleta:
popularmente chamada também de frieira, essa doença tem o nome científico de tinea pedis.

É uma condição altamente incômoda e bastante constrangedora, que se caracteriza pela presença de fungos nos pés, sobretudo entre os dedos.

Também pode ocorrer nas virilhas, pois, após o contágio, para que o fungo se prolifere é necessário encontrar um ambiente quente, úmido e escuro.

Quando não é devidamente controlada, a área infectada tende a aumentar, causando coceira, dor e mau cheiro na região, podendo até mesmo infeccionar.

 A larva migrans costuma aparecer em locais que têm contato direto com a terra ou a areia.

A larva migrans costuma aparecer em locais que têm contato direto com a terra ou a areia.

 

Bicho geográfico: o seu nome científico é larva migrans cutânea ou dermatite serpiginosa. Geralmente o contágio acontece nos pés, pernas e regiões do corpo que têm contato com a areia ou terra contaminadas por fezes de cães ou gatos.

Dessa forma, parasitas presentes nos intestinos delgados desses animais acabam penetrando na pele humana e se instalando na epiderme, onde se movimentam, avançando cerca de 1 a 2 centímetros por dia, desenhando o caminho da sua migração e causando prurido intenso na região.

Sem tratamento, a área lesionada tende a aumentar e, devido à coceira, pode acabar se transformando num foco de infecção.

Imagem da manifestação da escabiose em seu estágio inicial, em um jovem.

Imagem da manifestação da escabiose em seu estágio inicial, em um jovem.

Sarna: a escabiose é uma infecção parasitária contagiosa da pele, que causa coceira intensa e cria verdadeiras crostas na pele, quando não controlada logo no início.

A doença pode ser transmitida através de objetos, mas é mais frequente o contágio acontecer por meio do contato direto e prolongado com a pele infectada.

Os sintomas costumam aparecer de quatro a seis semanas após o contágio, mas também podem surgir logo nas primeiras 24 horas.

CUIDADOS GERAIS PARA EVITAR DOENÇAS DE PELE:

– Evitar caminhar descalço em ambientes úmidos de uso comum, como banheiros e chuveiros de clubes e academias, por exemplo;
– Na praia e piscina, não compartilhar toalhas;
– Não permanecer por muitas horas com roupas de banho úmidas no corpo;
– Lavar diariamente as roupas de banho com água e sabão e deixar secá-las ao sol antes do novo uso;
– Secar bem todas as áreas do corpo após o banho.

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