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Dor física e emocional: o sofrimento invisível nos casos de fibromialgia e de fadiga crônica

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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O dia 12 de maio é reservado às ações de Conscientização sobre a Fibromialgia e a Fadiga Crônica. São quadros que geram grande impacto na qualidade de vida dos pacientes que, como agravante, enfrentam ainda o pouco ou nenhum reconhecimento social em relação à sua condição. Campanhas para a disseminação de informações são, por isso, essenciais para uma mudança de cenário e promoção de um ambiente em que os tratamentos cheguem de forma mais efetiva para todo esse contingente, que tantas vezes sofre invisível por anos a fio, sem um diagnóstico preciso ou um acolhimento adequado.

Ainda NÃO existem exames laboratoriais ou de imagem que atestem a presença da fibromialgia, nem da Síndrome da Fadiga Crônica

A fibromialgia é uma síndrome clínica (ou seja: um quadro que reúne diversos sintomas e sinais sem uma causa específica), que se caracteriza especialmente pela presença de dor (principalmente muscular) difusa, em diversos pontos do corpo, e pouca resistência aos esforços físicos. A isso, juntam-se outras manifestações, como fadiga, sono não reparador, alterações de memória, dificuldades de atenção, ansiedade, depressão e alterações intestinais.

Frente à variedade e à abrangência dos sintomas, somados ao fato de não haver exames de imagens ou laboratoriais que atestem a presença da fibromialgia, não são poucos os pacientes que têm a sua condição subvalorizada. Além disso, ao buscar tratamentos para os sintomas de forma isolada, sem passar pela atenção de um especialista da área ou por um profissional de saúde que, diante dos sinais, considere essa hipótese diagnóstica e encaminhe o caso para uma avaliação específica, a situação tende a se agravar.

Diante da falta de respostas e dos abalos psicoemocionais gerados pelos impactos na qualidade de vida, muitas pessoas chegam a perder as esperanças de ser ajudadas pela Medicina. Mas é importante saber que existem saídas, sim!

Ouvir o paciente é essencial

Uma das principais características da pessoa com fibromialgia é a grande sensibilidade ao toque e à compressão da musculatura, durante o exame clínico. Alguns pontos são muito característicos da síndrome. Contudo, a avaliação diagnóstica deverá investigar também se não há outras causas para a presença do quadro doloroso, além de levar em consideração todo o histórico clínico e as descrições do paciente em relação aos seus sintomas (tais como: características da dor, a sua intensidade, os fatores que levam à piora ou melhora, com que frequência os episódios acontecem, qual a sua duração, etc.).

Dra. Natália Novato, especialista em Tratamento da Dor: “saber ouvir e interpretar o que o paciente relata é essencial”

“O diagnóstico correto é fundamental para o tratamento eficaz de qualquer quadro de dor. E para chegar lá (no diagnóstico), é preciso saber ouvir e interpretar o que o paciente nos traz”, explica a neurologista Natália Novato, especialista no Tratamento da Dor (veja AQUI uma entrevista em vídeo sobre o tema). Segundo ela, junto com a avaliação física, durante a anamnese, o médico precisa coletar informações que ajudem na identificação do tipo de dor. “Os exames de imagem, muitas vezes, são pedidos apenas para se excluir outras situações, mas a escuta atenta do paciente é parte essencial para chegarmos a conclusões que levarão a um tratamento assertivo”, sublinha.

Alterações do sistema nervoso

A fibromialgia enquadra-se na categoria das dores nosciplásticas (isto é: dores provenientes de reações disfuncionais do sistema nervoso frente aos estímulos, e que não estão ligadas a uma causa específica). Os dois outros tipos principais são as dores do tipo nociceptivas (causadas por uma lesão em algum tecido do corpo, e que funciona aqui como um “aviso” do organismo de que algo está afetando aquela área), e as dores neuropáticas (causadas por uma lesão em algum nervo, periférico ou central).

Para um melhor entendimento pelos pacientes, Dra. Natália explica que é como se existissem “caixinhas”, nas quais é preciso colocar corretamente cada tipo de dor, antes de se acessar o arsenal de tratamento.

A Estimulação Magnética Transcraniana (neuromodulação) tem sido utilizada com sucesso em casos de fibromialgia

As especialidades que costumam estar envolvidas no diagnóstico e tratamento da fibromialgia são principalmente a Reumatologia e a Fisiatria, além dos neurologistas especializados no tratamento da dor. O tratamento é individualizado e multidisciplinar, sendo hoje consensual a indicação de atividades físicas, além do uso de medicações (que variam conforme cada caso). Além disso, a Neuromodulação com Estimulação Magnética Transcraniana (EMT), aliada à Terapia Comportamental Cognitiva (TCC), têm sido especialmente indicadas para esses casos, com altos índices de sucesso (assista AQUI a um vídeo sobre Neuromodulação no tratamento da dor).

Fadiga Crônica

A Síndrome da Fadiga Crônica (SFC) é outro quadro de difícil diagnóstico, com grande impacto sobre a qualidade de vida dos pacientes. Também chamada de encefalomielite miálgica, ela se caracteriza pela sensação de cansaço persistente (com duração superior a seis meses), não relacionado à prática de exercícios ou de outras atividades, e que não melhora com o repouso. Outros sintomas, como dificuldade de concentração e de memória, dores de cabeça, dores musculares, dores articulares, alterações do sono e linfonodos ligeiramente aumentados, também costumam estar presentes.

As causas da SFC ainda não estão elucidadas, mas já é sabido que algumas doenças (como a própria fibromialgia e algumas doenças autoimunes, dentre outras) e infecções (principalmente das vias respiratórias) parecem precipitar o quadro, que é mais comum entre jovens e adultos de meia-idade, e duas vezes mais prevalente entre mulheres do que em homens.

O diagnóstico é feito por exclusão, isto é, após uma criteriosa investigação para se ter certeza de que o cansaço e os demais sintomas não são causados por nenhuma outra doença ou por fatores identificáveis (como doenças cardíacas, pulmonares, hepáticas, renais, transtornos psiquiátricos, etc.). Não existe um tratamento farmacológico específico para a fadiga crônica, mas a prática regular e bem orientada de atividades físicas (dentro das possibilidades do paciente), associada à psicoterapia, e a adoção de uma rotina de hábitos saudáveis contribuem diretamente para melhoria do estado geral desses pacientes (confira AQUI NO LINK uma entrevista com a psicoterapeuta Cássia Denadai, sobre TCC e, AQUI, um vídeo sobre biofeedback).

Essa publicação foi atualizada em 15 de maio de 2021 12:07

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