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Encefalopatia hipóxica e doenças psiquiátricas na infância

2013-10-24T00:00:00+00:00 24 de outubro de 2013|Artigos, Neurorreabilitação|0 Comments

Erika Vick Gomes, psiquiatra geral e infantil
e Simone Amorim, neurologista infantil

Recentemente, a encefalopatia hipóxica tem sido citada na mídia como possível causa de delírios e agressividade.

Entretanto, é fundamental esclarecer o que é essa patologia e, principalmente, deixar claro que o quadro NÃO é uma condicionante de comportamento psicótico.

Pais de crianças com diagnósticos de encefalopatia devem estar cientes disso.

A encefalopatia hipóxica é a morte ou sequelas que acometem partes do encéfalo por falta de oxigênio. Essa é a definição correta do quadro.

Nossos tecidos nervosos são extremamente dependentes de oxigênio para seu perfeito funcionamento. Assim, qualquer situação em que haja queda no fornecimento desse substrato no encéfalo pode desencadear danos irreversíveis.

Algumas situações propiciam maior risco para isso acontecer, como as doenças infecciosas do encéfalo, doenças auto imunes, neurocirurgias, traumatismos cranianos, sangramentos intracranianos e qualquer doença do corpo que interfira na oxigenação encefálica.

Além disso, a falta de oxigenação no encéfalo de bebês recém-nascidos, quando ocorre algum problema durante ou logo após o parto, pode levar a sequelas cerebrais permanentes.

bebe dormindo 2Pouco se fala, mas o nascimento é um dos momentos mais decisivos na vida do bebê. O acompanhamento profissional durante o trabalho de parto e parto garante que a saúde e integridade física da criança sejam preservadas nesses momentos.

Após o nascimento, o bebê deve ser avaliado imediatamente por um pediatra, que examinará todas as suas funções vitais, como respiração, batimentos cardíacos, oxigenação dos tecidos, entre outros. A falta de assistência nesses momentos pode fazer com que a criança que já apresenta alguma dificuldade em manter suas funções vitais ao nascer fique com sequelas para toda a vida.

As características da encefalopatia hipóxica são diversas, dependendo da área encefálica acometida, podendo até mesmo ser incompatível com a sobrevivência. Geralmente, as crianças  que sobrevivem apresentam deficiência mental, dificuldade na comunicação, alterações de comportamento e desajuste social.

Tanto a anóxia (falta de oxigênio no cérebro) quanto a hipóxia (baixa de oxigenação cerebral) podem causar doenças psiquiátricas na infância, como delírios, alucinações, agitação, irritabilidade e agressividade. Mas é importante deixar claro que isso NÃO significa maior propensão a uma atitude psicótica.

Uma avaliação especializada feita por pediatras, psicólogos, neurologistas e psiquiatras minimiza os prejuízos adquiridos e previne que haja maiores atrasos no desenvolvimento neuro-cognitivo da criança.

 

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