Durante a infância, os pacientes que têm anemia falciforme estão mais expostos ao risco de infecções e também de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), se o monitoramento do fluxo sanguíneo e do estado dos principais vasos cerebrais não for feito de forma constante e muito atenta.
Atualmente, a realização periódica do exame Doppler Transcraniano é o método mais importante e eficaz para prevenir o AVC em crianças falcêmicas, segundo a neurologista infantil Rejane Macedo, que é especialista nessa área.
A médica, que integra o Corpo Clínico da Vita e conduz na clínica um serviço especial de acompanhamento do paciente falcêmico, deu uma aula sobre esse assunto para outros especialistas, no último dia 19, durante o II Encontro do Comitê de Hematologia e Hemoterapia Pediátrica da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), ocorrido em São Paulo.
Nessa data, foram realizadas ações em todo o mundo, por ocasião do Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme.
“Durante o encontro, abordamos a questão da conscientização a respeito da importância da realização do exame e também a necessidade de termos cada vez mais profissionais qualificados para conduzir essas análises com foco específico no paciente falcêmico. Muitos médicos que acompanham esses casos apontaram a dificuldade que sentem de poder contar com serviços de referência nessa área”, ressalta Rejane.
Conforme a especialista explica, o exame feito no paciente falcêmico precisa apontar, com muita precisão, aquilo que tecnicamente é chamado de estratificação do STOP (sigla que vem do termo em inglês “stroke prevention trial in sickle cell disease”, e que se refere à avaliação de risco feita pelo especialista a partir dos indicadores detectados durante o exame).
Hoje, tanto na rede pública quanto na particular, ainda são poucos os serviços que contam com profissionais com formação e qualificação para realizar o Doppler Transcraniano.
Desde 2013, a Clínica Vita mantém um serviço especializado para a realização desse exame em pacientes com a doença falciforme, com idades entre dois e 16 anos. Esse trabalho é conduzido pela Dra. Rejane, que se especializou em Neurovascular e é mestranda nessa área.
Segundo ela, o monitoramento do paciente tem de ser periódico, com o exame sendo realizado pelo menos uma vez por ano. Em alguns casos, esse intervalo pode ser menor, chegando a ser repetido a cada três meses.
SAIBA MAIS SOBRE A ANEMIA FALCIFORME E
OS CUIDADOS COM A CRIANÇA FALCÊMICA
O que é
A anemia falciforme é uma doença hematológica (do sangue) hereditária, que afeta os glóbulos vermelhos (hemácias), que assumem formas de “foices” (daí o nome falciforme). Essas células ficam rígidas, alongadas e recurvadas, com extremidades pontiagudas. Isso causa uma série de alterações na saúde do paciente.
O que causa
A causa da anemia falciforme é genética e, por isso, essa é uma doença crônica, que exige monitoramento e acompanhamento do paciente ao longo de toda a sua vida.
Os pais geralmente são portadores assintomáticos da doença, pois ela se manifesta apenas quando a pessoa herda dois genes recessivos, um do pai e outro da mãe.
Quando a pessoa apresenta apenas um dos genes, o chamado traço falcêmico, as chances de vir a ter crises são pequenas, sendo que esses indivíduos costumam apresentar apenas uma leve anemia e menor resistência em lugares de grande altitude (onde a oferta de oxigênio é menor).
Diagnóstico
O diagnóstico confirmatório é feito por exames de sangue. A detecção da doenca é realizada ao nascimento, por meio do teste do pezinho.
Sintomas
Os sintomas começam a aparecer já entre os quatro e os seis meses de vida do bebê.
Ao longo da infância, a criança poderá passar por situações como:
– Anemia (que tanto pode ser leve, como chegar a ser intensa, a ponto de serem necessárias transfusões de sangue);
– Crises de dor, principalmente nos braços, pernas, costas e barriga;
– Inchaços e rigidez nas articulações, sobretudo nas mãos e nos pés;
– Cansaço.
Além disso, esses pacientes também apresentam:
– Maior propensão a infecções;
– Maior risco de sofrer um AVC ao longo da infância.
Tratamento
O tratamento irá variar conforme cada caso, à medida que a evolução do paciente vai sendo acompanhada. Ele costuma incluir:
– Suplementação com ácido fólico, para ajudar na produção de sangue;
– Injeções de penicilina, para evitar infecções;
– Medidas de controle das dores, com uso de compressas mornas, analgésicos e outras medicações específicas;
– Transfusões sanguíneas (nos casos mais severos).
Medidas preventivas
Para evitar complicações no quadro e, até mesmo, o óbito, as crianças com anemia falciforme precisam de algumas medidas preventivas. Entre elas:
– A realização periódica do Doppler Transcraniano é a medida mais importante para prevenir o risco de AVC;
– A prática de atividades físicas não deve ser desencorajada para essas crianças, mas deve ser realizada com a devida orientação, pois, se forem muito cansativas ou praticadas em locais de grande altitude, podem reduzir o suprimento de oxigênio no organismo e desencadear uma crise;
– Estresse, depressão e ansiedade também estão relacionados com o aumento dos riscos de crise;
– Também é preciso ter atenção para manter fortalecido e protegido o sistema imunológico da criança, procurando oferecer a ela uma alimentação bem equilibrada, uma boa hidratação e evitar o contato com situações que aumentem o risco de infecção por vírus e bactérias.
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