Quedas sempre implicam em riscos de lesões. Mas, entre a população idosa, a prevenção desse tipo de acidente exige especial atenção. Nessa faixa etária, os riscos de fraturas são maiores, e, muitas vezes, esse é um gatilho para o início de um declínio funcional – impactando na qualidade de vida em todos os aspectos e, até mesmo, na longevidade.

No Brasil, cerca de 32% dos idosos na faixa etária de 65 a 74 anos caem pelo menos uma vez ao ano. O risco desse tipo de acidente pode ultrapassar 51% entre as pessoas acima de 85 anos, segundo a terapeuta ocupacional Priscila Bagio. Em média, 70% dos casos ocorrem dentro da própria residência.

queda 1 Maioria das quedas de idosos acontece dentro de casa

Na maior parte das vezes, a queda acontece na própria casa do idoso. Adaptações no ambiente ajudam a evitar esses acidentes

Excetuando-se os casos em que as quedas têm fatores biológicos – como nas alterações decorrentes de doenças ou no uso de medicações -, a alta incidência no próprio ambiente doméstico está relacionada à falta de medidas preventivas nos espaços de circulação.

Priscila ressalta que, mesmo no caso do idoso saudável e plenamente funcional, é importante haver a adaptação de espaços, a fim de prevenir os riscos inerentes às condições físicas das pessoas nessa faixa etária.

“Para o paciente idoso, a recuperação de uma lesão é mais delicada e pode significar, além da perda de mobilidade, a necessidade de uma hospitalização prolongada ou pessoa se tornar acamada. Com isso, as condições físicas, emocionais e psicológicas do paciente ficam abaladas e podem entrar em declínio em todos os aspectos, desencadeando, até mesmo, quadros de ansiedade ou depressão. Ou seja, uma simples queda pode dar início a um processo difícil para o paciente e para a família. Por isso, é tão importante fazer de tudo para se evitar esse tipo de acidente”, destaca a terapeuta.

Além da adaptação das áreas de circulação, a prática regular de atividades físicas também é referenciada como uma importante medida de prevenção, uma vez que melhora a força e o equilíbrio.

Mesmo no caso das pessoas com limitações físicas ou de mobilidade, a Terapia Ocupacional proporciona maior independência do indivíduo dentro do seu próprio ambiente, visando o ganho de autonomia, de forma segura e apropriada às capacidades de cada paciente. Orientações sobre adequações e adaptações domiciliares também são realizadas para garantir a efetividade do tratamento.

SAIBA MAIS

POR QUE O RISCO DE QUEDAS É MAIOR PARA OS IDOSOS

– Com a idade, os reflexos diminuem;
– Visão, audição e outros sentidos também costumam ser menores;
– Problemas musculoesqueléticos são comuns nessa faixa etária, aumentando a predisposição a lesões e fraturas;
– Mesmo em indivíduos saudáveis, a massa muscular e a densidade óssea costumam ser menores nessa fase da vida;
– Alterações do equilíbrio também podem estar presentes, devido a doenças crônico-degenerativas ou, até mesmo, ao uso de determinados medicamentos.

ADAPTAÇÕES IMPORTANTES A SE FAZER NOS AMBIENTES DOMÉSTICOS

  • Não deixar tapetes soltos nos pisos onde essas pessoas circulam;
  • Evitar a instalação de móveis em locais de passagens, como corredores, que exijam que a pessoa se desvie para não esbarrar/tropeçar;
  • Se a casa tiver escadas, elas devem contar com corrimão dos dois lados, fitas antiderrapantes em todos os degraus e interruptor de luz nas duas extremidades;
  • Manter os ambientes bem iluminados;
  • Cuidar para que os interruptores sejam acessíveis, para o caso do idoso precisar se levantar durante a noite. Um abajur próximo à cama costuma ajudar muito.
  • Sendo possível, é interessante instalar luzes com sensores de movimento em áreas de pouca iluminação, onde o idoso necessite circular;
  • Dar preferência a pisos e materiais antiderrapantes, em locais como banheiros e áreas molhadas;
  • Utilizar tapete antiderrapante no box;
  • Barras de apoio nas laterais do vaso sanitário e no box também são bem-vindas;
  • Sapatos de solados escorregadios ou com salto alto ou tipo “anabela” devem ser evitados, bem como andar apenas de meias;
  • Evite camas muito baixas e colchões muito macios, para facilitar na hora de levantar;
  • Prefira cadeiras e poltronas com apoios de braço laterais e com altura adequada para sentar e levantar;
  • Deixe os itens de uso do dia a dia em altura acessível, dispensando o uso de escadas para alcançar os objetos;
  • Não deixe pequenos objetos espalhados pelo chão, como brinquedos de crianças, fios ou extensões elétricas que cruzam o caminho;
  • Cuidado com animais de estimação (gatos, cachorros) que correm próximos aos donos; casinhas, camas e objetos do pet devem ficar sempre no mesmo lugar.

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