drgoogle Médicos comentam a delicada relação com o Dr. GoogleSinal dos nossos tempos: seja qual for o quadro clínico, o “Dr. Google” sempre terá alguma coisa a dizer ao paciente.

Hoje, praticamente já não há quem não dê uma olhadinha na Internet para ver o que ela tem a dizer sobre diversas questões de Saúde. O desafio é que isso pode funcionar tanto para o bem, quanto para o mal.

Quando as informações saem do plano dos esclarecimentos gerais, vindos de fontes seguras, e passam a ser interpretadas como diagnóstico ou prescrição de tratamento, o que poderia ajudar vira um risco.

“As pessoas às vezes trazem para a consulta páginas e mais páginas impressas daquilo que encontraram na Internet. Enquanto elas procuram tirar suas dúvidas com o especialista, ainda está tudo bem”, avalia o cardiologista Aécio Gois. Mas o grande problema, para o especialista, está nos riscos do autodiagnóstico.

Ele lembra que doenças graves ou raras podem não ter sintomas assim tão fáceis de identificar. “O risco é a pessoa se autoavaliar com base na informação que encontrou on-line e deixar de ter o devido tratamento, ou de se tratar precocemente, porque demorou a buscar ajuda especializada”, diz.

O médico nota também que, se por um lado há aqueles que acabam negligenciando patologias sérias, por confiarem demasiadamente em informações da Internet, por outro, não é raro pessoas ficarem assustadíssimas e estressadas após ler sobre determinados quadros sintomáticos.

“As pessoas lêem e deduzem que têm doenças gravíssimas, mesmo sem fazer qualquer exame ou passar pela avaliação do especialista”, conta o cardiologista.

Nem é preciso dizer que passar por esse tipo de angústia não é nada bom para a saúde de ninguém, não é mesmo? E olha que até aqui estamos falando apenas em diagnóstico. Quando avançamos para os tratamentos, as coisas podem ficar ainda mais complicadas.

Ativa nas redes sociais, a neurofisiologista e neurologista infantil Simone Amorim, diretora clínica da Vita, fica especialmente apreensiva com a automedicação. “Para a nossa preocupação, a indicação indiscriminada de medicamentos é muito comum entre grupos de internautas”, declara.

A médica observa que, muitas vezes, canais que poderiam servir de ajuda mútua, por meio do compartilhamento de experiências e vivências em comum entre pacientes, acabam se convertendo em verdadeiros consultórios virtuais. “Infelizmente, as pessoas pensam que medicamentos que são vendidos sem receita não têm efeitos colaterais e podem ser usados sem critérios. Isso é muito sério e preocupante”, relata.

A neurologista infantil Rejane Macedo, por sua vez, chama atenção para o risco das pessoas passarem a ir atrás da confirmação daquilo que desejam ouvir, seguindo “gurus” que se autodenominam especialistas, mas que não têm a devida formação e qualificação para trabalhar no campo em que atuam. “É importante que as pessoas se mantenham alertas e sempre consultem profissionais que exerçam suas atividades de forma regulamentada”, salienta.

Apesar dos alertas, os três profissionais concordam também sobre os pontos positivos da rede. Afinal, nunca tantas informações úteis e confiáveis estiveram tão facilmente ao alcance de todos. Tudo é uma questão de saber filtrar e de reconhecer a hora em que é preciso sair do virtual e partir para a insubstituível avaliação presencial de um médico.