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Por que temos visto mais casos de autismo?

2016-05-29T00:00:00+00:00 29 de maio de 2016|Destaques, Notícias|0 Comments

Especialistas têm citado o aumento da incidência de autismo, nos últimos anos. Da mesma forma, entre as famílias, há de fato a percepção de que o número de casos é cada vez maior. Diferentemente do que ocorria há algumas décadas, hoje praticamente todas as pessoas têm alguém próximo do seu convívio social com esse diagnóstico.

Conforme dados do American Journal of Medical Genetics, até meados da década de 1970, a taxa de diagnósticos de autismo era de um em 5.000. Em 2002, esse número já era de um para cada 150. E, em 2012, a média fechou em um em cada 68 pacientes.

Mas o que será que está acontecendo? Os casos estão realmente aumentando? Ou são os diagnósticos que estão ficando mais específicos?

neurologista

Dra. Simone Amorim destaca os avanços diagnósticos no campo dos TEA.

“Existem hipóteses de que o uso de pesticidas, produtos químicos e, até mesmo, o estresse e a vida agitada de hoje em dia possam contribuir para a geração de crianças autistas”, revela a neurologista infantil e neurofisiologista Simone Amorim. “Porém, são apenas hipóteses. Nada disso está comprovado cientificamente. O que impactou realmente nas estatísticas é o fato de termos hoje uma clareza maior sobre essa condição (o autismo), propiciando diagnósticos mais assertivos”, explica.

A especialista salienta que, apenas algumas décadas atrás, crianças autistas eram classificadas geralmente como “intelectualmente deficientes” ou com “dificuldades de aprendizado”, simplesmente, dependendo do grau de comprometimento. “Nas últimas décadas, o nosso entendimento sobre o quadro evoluiu dramaticamente. Sobretudo nos últimos 15 anos”, salienta.

Em 2013, mudanças no Manual de Diagnóstico e Estatística (DSM-V) também redefiniram o conceito de autismo, passando a adotar a expressão Transtorno do Espectro Autista (TEA), que engloba desde os quadros mais severos de autismo até quadros como a Síndrome de Asperger, considerada uma forma mais branda da condição autista. Dessa forma, os pacientes são diagnosticados apenas em graus de comprometimento.

“É claro que tudo isso impacta nas estatísticas. Mas vemos isso como um avanço que beneficia os pacientes e as famílias, permitindo acompanhamentos cada vez mais especializados, bem como maiores e mais inclusivas redes de apoio em todos os ambientes que cercam essas crianças”, destaca a Dra. Simone.

O Transtorno do Espectro Autista é definido pela presença de “déficits persistentes na comunicação social e na interação social, em múltiplos contextos, atualmente ou por história prévia”, de acordo com o DSM-V. O autismo é uma condição permanente, ou seja, a criança nasce com autismo e torna-se um adulto com autismo – muito embora as condições ambientais tenham significante papel no desenvolvimento das habilidades e na adaptabilidade desses indivíduos.

O diagnóstico de TEA é clínico, com base em avaliações neuropsicológicas e na observação do paciente e de seu histórico.

SAIBA MAIS

TEA (Transtorno do Espectro Autista) é uma condição geral para um grupo de desordens complexas do desenvolvimento do cérebro, antes, durante ou logo após o nascimento. Esses distúrbios se caracterizam pela dificuldade na comunicação social e nos comportamentos repetitivos;

– Apesar de os pacientes diagnosticados com TEA terem em comum certas dificuldades em determinadas áreas e atividades, o quadro ocorre em intensidades diferentes em cada indivíduo;

– O TEA pode ser associado a quadros como os de deficiência intelectual, dificuldades de coordenação motora e de atenção, distúrbios do sono e distúrbios gastrointestinais. A condição também pode estar associada a outras condições, como Síndrome de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), dislexia ou dispraxia;

– Algumas pessoas com TEA podem ter dificuldades de aprendizagem e/ou adaptação em diversos estágios da vida. Sem o devido acompanhamento e suporte, essas barreiras podem levar ao desenvolvimento de quadros de ansiedade ou depressão;

– Muitas vezes, a pessoa com TEA tem habilidades excepcionais em algumas áreas, apresentando excelente memória para certo tipo de conhecimento ou talentos especiais para determinadas atividades. É bom que isso seja estimulado e encorajado de uma maneira positiva, sempre contando com a orientação e o suporte de profissionais especializados;

– Com as devidas terapias de suporte, o paciente com TEA consegue se adaptar melhor ao ambiente familiar e aos meios sociais, conseguindo, muitas vezes, significativos graus de autonomia – o que beneficia em muito na sua autoestima e autopercepção, impactando positivamente no seu quadro geral de saúde.

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