Em todo o mundo, junho é o mês dedicado à Conscientização Sobre a Escoliose. Ao longo das últimas semanas, ouvimos alguns especialistas do Corpo Clínico da Vita, que lidam diretamente com esse tema, para falarmos sobre as causas, diagnósticos e tratamentos para esse desvio da coluna vertebral, que atinge de 2% a 4% da população mundial, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), e que, sem o devido tratamento, pode gerar diversas complicações e limitações para o paciente.

A escoliose é um desvio causado por uma rotação anormal da coluna sobre o seu próprio eixo. Embora não consigamos observá-lo a olho nu, nos estágios iniciais, já é possível ver as assimetrias que o quadro gera no corpo, conforme ressalta o ortopedista e especialista em cirurgias da coluna, Guilherme Foizer.

“No caso da escoliose idiopática do adolescente, principalmente, muitas vezes são os professores de educação física que acabam notando diferenças posturais no aluno e orientando a família a procurar uma avaliação médica. Outras vezes são os próprios pais que percebem primeiro, atentos às diferenças que começam a aparecer na fase do estirão do crescimento”, relata.

Entre as pistas para a presença da escoliose estão situações como as descritas nesta infografia, que o médico divulga em suas redes sociais, visando conscientizar pacientes e familiares sobre o tema.

escoliose 2 Possibilidades terapêuticas no tratamento da escoliose

À medida que a curva progride, a coluna ganha uma curvatura em forma de “s”, que já pode ser vista a olho nu, quando observada de frente. O tamanho da curvatura, a região em que ela ocorre e o lado do desvio variam, conforme os casos.

escoliose 21 Possibilidades terapêuticas no tratamento da escoliose

Além da escoliose idiopática (sem causa definida), esse desvio na coluna também pode acontecer devido a causas congênitas (escoliose desenvolvida ainda na fase intrauterina) e decorrente de problemas neuromusculares (problemas neurológicos, como paralisia cerebral, distrofias e outras patologias que causem fraqueza muscular ou controle precário dos músculos, comprometendo a sustentação da estrutura da coluna, além de doenças como espinha bífida e poliomielite, por exemplo).

De qualquer forma, a escoliose não é possível de se evitar. Mas o seu diagnóstico precoce permite intervenções terapêuticas com maiores chances de conter a progressão do desvio e capazes de evitar complicações decorrentes do quadro. “As cirurgias só são indicadas em último caso, depois de experimentadas todas as demais possibilidades terapêuticas. Por isso é tão importante que a identificação do problema aconteça o mais cedo possível”, ressalta Foizer.

TRATAMENTO

“Inicialmente, os casos de escoliose têm indicação para o chamado tratamento conservador, exceto nos casos mais avançados ou quando há alguma complicação (como comprometimento respiratório ou dor intratável). Então, em geral, traçamos um plano que leva em consideração a idade do paciente e o impacto do sintoma na sua funcionalidade. Isso pode incluir cinesioterapia (terapia do movimento) e o uso de órteses (como os coletes), que auxiliam na prevenção da evolução do quadro”, explica a fisiatra Midory Namihira.

colete escoliose Possibilidades terapêuticas no tratamento da escoliose

O uso de coletes pode ser uma alternativa no tratamento da escoliose

O foco do plano de tratamento irá variar conforme o quadro apresentado, mas geralmente envolve trabalhos para o fortalecimento muscular e a melhoria da capacidade funcional pulmonar (que pode ser afetada pela curvatura indevida da coluna), além de incluir analgesia, conforme a necessidade de cada caso.

Segundo a médica, outras técnicas terapêuticas, como a Reeducação Postural Global (RPG), ou mesmo o Pilates, podem ser associadas ao plano de tratamento.

A especialista ressalta ainda que, sendo a Fisiatria uma especialidade focada na reabilitação, o acompanhamento do paciente também ocorre nos casos em que há indicação cirúrgica para o tratamento da escoliose, tanto antes, quanto depois do procedimento – monitorando a dor pós-operatória, a função respiratória, o equilíbrio e o retorno às funções de vida diária, verificando as necessidades de adequações e readaptações.

COMORBIDADES

Muitas vezes, a escoliose leva ao surgimento de outras patologias da coluna, como hérnias discais, estenose de forame vertebral (estreitamento dos locais de passagem de nervos vertebrais, podendo causar dor, dormências e comprometimentos funcionais), estenose de canal lombar (estreitamento do canal vertebral na região lombar, podendo causar dor local e irradiada, perda de força e de sensibilidade, alterações posturais e dificuldade para deambular (caminhar) e espondilolistese (escorregamento ou luxação de uma vértebra sobre a outra).

“Isso acontece devido ao esforço repetitivo do organismo, na tentativa da natureza compensar aquela curvatura indevida nessa estrutura tão importante que é a coluna vertebral”, explica o neurocirurgião Luiz Rodrigo Marinho.

DOR 3 300x221 Possibilidades terapêuticas no tratamento da escoliose

Procedimentos mini-invasivos podem ser considerados para tratar as comorbidades

“Esses são quadros que podem se tornar muito dolorosos e, muitas vezes, inviabilizar a adesão do paciente a um plano de reabilitação. Nesses casos, podemos avaliar a possibilidade de entrar com os chamados procedimentos mini-invasivos, como os bloqueios, as infiltrações, as radiofrequências e até cirurgias endoscópicas, para melhorar apenas aquela comorbidade específica, dando ao paciente melhores condições de seguir um plano de reabilitação”, aponta.

INFORMAÇÕES QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE ESCOLIOSE

O QUE É: trata-se de uma deformidade em curva da coluna vertebral, podendo ou não ser acompanhada de rotação das vértebras.

TIPOS EXISTENTES

  • Congênita (de nascença);
  • Neuromuscular (decorrente de problemas neurológicos , como paralisia cerebral, distrofias e outras patologias que causem fraqueza muscular ou controle precário dos músculos – comprometendo a sustentação da estrutura da coluna –, ou decorrente de doenças como espinha bífida e poliomielite);
  • Idiopática (que NÃO tem uma causa definida e surge principalmente na adolescência, durante o chamado estirão do crescimento).

SINTOMAS

– Nas fases iniciais, dificilmente a escoliose causa dor no paciente. Mas sua progressão sem o devido tratamento pode levar ao aparecimento de desconfortos e dores musculares, dores originadas das comorbidades, além de comprometimentos estéticos e funcionais, podendo haver, até mesmo, a compressão de órgãos como os pulmões e o coração.

– As assimetrias no corpo são os principais sinais da escoliose, sendo necessária a avaliação por um especialista, para a confirmação diagnóstica.

DIAGNÓSTICO

A consulta a um especialista é o primeiro passo para um diagnóstico correto e um plano de tratamento seguro para a escoliose. Além do exame físico em consultório, o médico poderá solicitar exames de imagem, como radiografias e ressonâncias, para confirmação do desvio e determinação do grau da curvatura. Quanto mais cedo o diagnóstico e o início do plano de reabilitação, maiores são as chances de sucesso na estabilização do desvio e de se evitar o surgimento de comorbidades.

PLANO DE TRATAMENTO

O plano de tratamento varia conforme cada caso, podendo envolver:

– Atividades terapêuticas que visam o fortalecimento muscular, a correção postural e a manutenção da capacidade respiratória;

– Uso de coletes e órteses para contenção da curvatura;

– Uso de medicações para alívio da dor, quando ela está presente;

– Realização de procedimentos mini-invasivos para alívio da dor e/ou resolução de comorbidades, quando for o caso;

– Cirurgia para correção do desvio, após avaliação do quadro geral do paciente, quando não há boas respostas às demais abordagens terapêuticas.