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Qual é o maior compromisso da Medicina?

2014-04-10T00:00:00+00:00 10 de abril de 2014|Artigos, Destaques, Neurorreabilitação|0 Comments

Simone Amorim,
Neurofisiologista e neurologista infantil

Em algumas áreas da Medicina, necessitamos lembrar diariamente que a nossa missão, em última instância, nem sempre é a cura. Nosso compromisso é, acima de tudo, o alívio dos sintomas e a melhoria das condições daquela vida que está em nossas mãos.

Quando a cura é possível, obviamente, é nosso dever persegui-la.

Porém, como especialista em Neurofisiologia e em Neurologia Infantil, assisto diariamente à batalha de pacientes com os mais diversos tipos de comprometimento neurológico, pessoas que têm de aprender a lidar com quadros crônicos e que acabam por descobrir, com isso, novas perspectivas para olhar a vida.

Para eles, o melhor tratamento é aquele que lhes propicia a melhor condição dentro das suas condições.

Trabalhamos junto com esses pacientes e testemunhamos os seus sentimentos de vitória frente a qualquer ganho possível em seus estados físicos, na sua autonomia e nas suas possibilidades de interações sociais, por exemplo.

Por isso, é extremamente gratificante saber que, hoje, cada vez mais conseguimos lhes apresentar e proporcionar essas possibilidades, através das mais diversas técnicas terapêuticas.

Cheguei nesta semana em Istambul, na Turquia, para o 8º Congresso Mundial de Neuroreabilitação. As expectativas em relação a tudo que está sendo apresentado aqui estão se confirmando. Ouvir e conhecer estudos e trabalhos de colegas de diversas partes do mundo nos proporciona uma troca fantástica de experiências.

Para ilustrar esse sentimento, vale deixar aqui uma imagem que pincei do site do congresso.

bizantina

Ao repassar a programação, notei uma galeria de imagens que faz referência ao cenário histórico-cultural da região onde estamos passando a semana. E, entre as fotos e ilustrações, estava esta pintura bizantina (reproduzida aqui acima). Nela reconhecemos a figura de Jesus, em uma cena que faz referência à sua ressurreição – uma iconografia bastante evocada agora neste período Pascal pela Igreja Ortodóxa, pelo que pude apurar.

Achei a pintura bonita, em primeiro lugar. Mas, acima de tudo, não pude deixar de pensar na missão que, humildemente, temos de manter com o resgate de vidas.

Quando se trata de doenças crônicas, não temos condições de oferecer a cura, mas jamais podemos desistir de fazer a diferença para melhor nas condições de vida desses indivíduos. Esse é o norte de jornadas como esta que estamos nesta semana. Isso renova nossos ânimos e nos faz crer que estamos no caminho correto.

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