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Quando o TEA e a Paralisia Cerebral coexistem: médicas chamam atenção para esse desafio clínico

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Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) no universo da Paralisia Cerebral (PC): eis aí um tema que merece a atenção das famílias e, especialmente, dos profissionais de saúde envolvidos em toda a linha de suporte aos pacientes diagnosticados com PC. Por isso, esse foi o tema de uma conversa ao vivo no Instagram entre as neurologistas infantis Simone Amorim e Flora Orlandi, na noite do último dia 28, fechando o Mês de Conscientização sobre o Autismo (clique AQUI, para ver a live completa).

“A coexistência entre essas duas situações (PC e TEA) é muito prevalente e, por isso, esse é um assunto que precisa estar no radar tanto dos pais, quanto dos médicos e terapeutas”, salienta Simone, referindo que a literatura médica aponta para uma probabilidade de 3% a 10% maior de uma criança com Paralisia Cerebral estar também dentro do Espectro Autista. Na população geral, a incidência do TEA, hoje, é na proporção de um caso para cada 44 pacientes.

A neurologista infantil e diretora clínica da Vita, Simone Amorim, chama atenção para a grande prevalência do TEA entre pacientes com Paralisia Cerebral

Desafios e pistas diagnósticas importantes

Mas se, por um lado, o TEA é uma comorbidade com grande prevalência nos casos de Paralisia Cerebral, por outro, o seu diagnóstico é desafiador e, por essa razão, muitas vezes, ocorre de forma tardia. Com isso, a criança pode ser privada do acesso precoce às intervenções terapêuticas específicas que fariam uma grande diferença para o seu desenvolvimento – especialmente do ponto de vista comportamental, que é a área mais afetada no Espectro Autista.

Para mitigar esses riscos, Flora propõe um olhar mais atento à observação dos padrões de interação da criança com PC. “Nesses casos, o contato visual tende a ser um indicador muito importante, porque outros sinalizadores comumente observados no TEA (como não apontar, alguma dificuldade na fala, estereotipias, etc.) podem já não ser tão evidentes, devido ao próprio comprometimento motor e/ou intelectual causado pela Paralisia Cerebral”, explica a especialista.

A médica ressalta que, mesmo a criança com severas limitações físicas e/ou cognitivas, tende a manter contato visual com os seus cuidadores e familiares de maior convivência, assim como a variar o comportamento na presença de um novo cuidador ou pessoa estranha. “Quando isso não ocorre, já temos aqui algo que pode ser considerado um indicador para considerar a possibilidade desse indivíduo estar no Espectro”, diz.

Os padrões de interação e de comunicação observados na criança com PC são pistas muito importantes para a investigação do TEA. IMAGEM: istockphoto

Legislação e prática clínica

Hoje, segundo Flora, já é lei nacional (Lei 13438) que todas as crianças com até dois anos de idade passem por avaliações especializadas, para a identificação de “riscos de desenvolvimento psíquico”, o que pode beneficiar diretamente a observação de sinais precoces de autismo. “Isso é, sem dúvida, um avanço para permitir que os diagnósticos e as intervenções terapêuticas ocorram mais cedo. Porém, sabemos que isso ainda não ocorre de forma universal”, sublinha.

As médicas também ponderam as dificuldades de se aplicar para as crianças com Paralisia Cerebral as mesmas escalas de avaliação usadas nos casos sem a presença do quadro. Embora os parâmetros sejam importantes, é preciso levar em consideração as limitações motoras e/ou cognitivas que podem comprometer os resultados.

Por isso, para as especialistas, o olhar clínico do médico e dos demais profissionais de saúde que acompanham esses pacientes, bem como a orientação das famílias para estarem atentas ao comportamento e ao desenvolvimento das crianças, são fatores decisivos. “Penso que observar a questão da comunicação seja crucial nesses casos, porque aí estão grandes indicadores para o TEA”, salienta Flora, lembrando que mesmo nessas situações, os testes especializados para a confirmação do diagnóstico continuam a ser necessários.

Para a neuropediatra Flora Orlandi, mesmo com os testes, o olhar clínico é indispensável para a identificação dos casos de TEA e oferta do suporte adequado

Como ficam as terapias

Uma vez diagnosticado o TEA na criança com PC, como fica o plano terapêutico geral? Simone Amorim ressalta que os objetivos de reabilitação motora, isto é, de ganho funcionalidade/autonomia para esses pacientes, não podem, em hipótese alguma, serem deixados de lado, porque isso – salienta – também impacta no quadro do desenvolvimento geral e comportamental desses indivíduos.

“O tratamento da criança com PC tem de ser de natureza multidisciplinar, e assim permanece quando somamos o TEA a esse quadro. Nesses casos, o que irá diferir é que as estratégias de intervenção precisam visar também a parte comportamental e, nesse ponto, a Terapia ABA segue como referência de indicação”, complementa Flora Orlandi.

A terapia fonoaudiológica costuma também ser outro foco importante de trabalho, tanto nos pacientes com Paralisia Cerebral de uma forma geral, como em abordagens específicas para os casos que incluam o Espectro Autista. Além disso, a depender do desenvolvimento verificado, com o tempo, também pode haver a indicação para o Treino de Estimulação de Habilidades Sociais.

Especialista na terapêutica de Neurorreabilitação com toxina botulínica, Simone tem realizado lives quinzenais com especialistas do Corpo Clínico da Vita, para debater assuntos de interesse geral dos pacientes. Confira, no link a seguir, a live com a Dra. Flora Orlandi: https://www.instagram.com/drasimoneamorim/?hl=pt

 

Essa publicação foi atualizada em 2 de maio de 2022 07:00

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