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Teste da Orelhinha é obrigatório e essencial para a saúde do bebê

2013-09-25T00:00:00+00:00 25 de setembro de 2013|Destaques, Notícias|0 Comments

teste-orelinha foto divulgação

Amanhã, 26 de Setembro, é o Dia Nacional do Surdo. A data, além de chamar atenção para as políticas de inclusão voltadas para os deficientes auditivos, também foca na conscientização sobre a prevenção à surdez. Nesse aspecto, enfatizar a importância do Teste da Orelhinha é uma das ações mais importantes.

A fonoaudióloga Joyce Fialho explica que o teste é capaz de detectar alterações no sistema auditivo do recém-nascido, prevenindo o agravamento dos déficits da audição. O exame é feito em bebês com idade de 0 a 6 meses.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que a surdez bilateral (nos dois ouvidos) atinge, em média, um a cada mil recém-nascidos, sendo que em 75% dos casos as razões são genéticas e, em 25%, devido a circunstâncias da gravidez ou do período perinatal (até 7 dias após o nascimento).

A entidade alerta ainda que o percentual de bebês acometidos por problemas auditivos aumenta, significativamente, quando são considerados os casos de perda moderada da audição. Aí, a média passa de 0,1% para até 5%.

Nos Estados Unidos, a Triagem Auditiva Neonatal Universal (Tanu) já é realizada em 95% dos bebês e, na Europa, o índice é ainda mais elevado. No Brasil, hospitais e maternidades são obrigados por lei, desde 2010, a realizar gratuitamente o Teste da Orelhinha nas crianças nascidas em suas dependências.

Sem dor ou incômodos

Joyce Fialho explica que o teste, denominado Emissões Otoacústicas Evocadas, é indolor e muito rápido, com duração de 3 a 5 minutos. O exame pode ser realizado até mesmo com o bebê dormindo.

O teste consiste na colocação de um fone, acoplado a um computador, na orelhinha da criança. O aparelho emite sons de fraca intensidade e recolhe as respostas que o ouvido interno do bebê produz. Não há dor ou incômodos para a criança.

Fonte da imagem: jornal Folha de São Paulo/Portal Uol.

Fonte da imagem: jornal Folha de São Paulo/Portal Uol.

Desenvolvimento da fala e do aprendizado

A especialista ressalta que um bom desenvolvimento da linguagem oral (fala) requer audição perfeita, isto é, total integridade do sistema auditivo central e periférico.

“Tanto para a aquisição, quanto para o aperfeiçoamento da linguagem, é fundamental a estimulação auditiva desde os primeiros dias de vida, pois, quanto menos a criança for estimulada, menos eficiente será sua linguagem oral. Entenda-se por linguagem, a fala oral, a parte cognitiva e a linguagem escrita”, detalha.

Quando o Teste da Orelhinha aponta sinais de déficits auditivos, ele deverá ser realizado novamente após algum tempo (reteste) e, se for o caso, é importante que as intervenções clínicas e terapias fonoaudiológicas se iniciem o mais cedo possível. Daí a importância dos pais estarem atentos à obrigatoriedade do teste e do acompanhamento da criança, caso seja detectada alguma alteração.

“A deficiência, quando diagnosticada tardiamente, acarreta um atraso  no desenvolvimento linguístico, cognitivo, social e psíquico desses indivíduos”, enfatiza a fonoaudióloga.

Rede de apoio

Joyce Fialho observa que, mesmo com a sanção da lei (nº 12.303, em 2 de agosto de 2010) que obriga a realização do Teste da Orelhinha, a resistência à realização do exame, muitas vezes, parte das próprias famílias. “É fundamental a conscientização da população tanto no sentido da importância do diagnóstico precoce quanto da intervenção. Não pode haver dúvida de que o Teste da Orelhinha faz grande diferença para o desenvolvimento e o futuro da criança”, salienta.

Para além da conscientização sobre o Teste da Orelhinha, os fonoaudiólogos hoje lutam também pela estruturação de programas de reabilitação. A terapia fonoaudiológica é indispensável nos casos de déficits auditivos. O acesso a próteses auditivas (aparelho auditivo) também precisa ser facilitado.

FIQUE ATENTO

Além de estarem atentos à  realização do Teste da Orelhinha pelo hospital ou maternidade onde o bebê nasceu, é importante que a família observe as reações das crianças aos sons, de acordo com cada fase do seu desenvolvimento. Em caso de dúvidas ou percepção de alguma alteração, é importante que a situação seja relatada ao pediatra que faz o acompanhamento de rotina.

De 0 a 6 meses

O bebê se assusta, chora ou acorda com sons intensos e repentinos. Ele também é capaz de reconhecer a voz materna e procurar com o olhar a origem dos sons.

De 6 a 12 meses

A partir daqui, o bebê adquire capacidade de localizar prontamente os sons de seu interesse e de reagir a sons suaves. A criança passa a balbuciar mais e já reconhece o seu nome quando é chamada.

De 12 a 30 meses

Nesta fase começam as primeiras palavrinhas, chegando até ao uso de frases simples.

IMPORTANTE

Estudos mostram que bebês diagnosticados com deficits auditivos, ao receberem intervenção fonoaudiólogica, são capazes de desenvolver linguagem muito próxima à de uma criança ouvinte. Quanto mais precoce o diagnóstico (até os seis meses de idade) e a intervenção, melhor a qualidade de vida da criança.

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