Simone Amorim,
Neurologista Infantil

teste pezinho1 f improf 269x190 Teste do Pezinho evita o avanço de muitas doenças neurológicasNo próximo final de semana, eu acompanho mais uma rodada internacional de estudos em relação ao uso da toxina botulínica em tratamentos neurológicos. Desta vez, no “Stepping Forward in Spasticity Management to Achieve Patients Goals”, no México, um evento focado especificamente na Espasticidade – que não é uma doença, mas um sintoma advindo de várias patologias que podem acometer o sistema nervoso, dando origem a contrações exageradas nos músculos.

Enquanto preparo o material de estudos, decidi tirar um momento e, mais uma vez, chamar atenção aqui no blog para uma data que considero importantíssima: amanhã, dia 6 de Junho, é o Dia Nacional do Teste do Pezinho.

Na comunidade científica há todo um esforço para a investigação e o desenvolvimento de terapêuticas que melhorem a qualidade de vida de pacientes com patologias neurológicas. Isso, de fato, é muito importante! Porém, é preciso permanentemente enfatizar também os caminhos preventivos, sendo que a realização do Teste do Pezinho é um dos mais relevantes nesse sentido.

A própria Espasticidade – tema que será o meu foco nos próximos dias – é, como eu já disse acima, o sintoma de muitas doenças. Entre elas, algumas que podem ser detectadas precocemente no rastreamento neonatal, tais como a Fenilcetonúria, a Deficiência de Biotinidase e a Galactosemia.

São patologias de nome e explicação complexa para um espaço como este aqui do blog. Mas aqui cabe dizer que são doenças genéticas que, se detectadas e tratadas precocemente, podem ser controladas – em alguns casos ao ponto de permitir que a criança leve uma vida normal (como no caso da Deficiência de Biotinidase).

É importante levar à população a informação de que essas são doenças do trato metabólico. Sem o diagnóstico e o tratamento precoce, elas causam uma série de comprometimentos neurológicos, afetando fortemente o desenvolvimento neuropsicomotor da criança (atrasos ou impossibilidades no desenvolvimento da marcha, da fala e da cognição). Alguns pacientes podem evoluir com convulsões e déficits motores como hipotonia ou hipertonia (espasticidade).

Por isso, a realização do Teste do Pezinho é tão importante. Insistir e orientar para isso é um ato de responsabilidade por parte das equipes de Saúde. E levar a criança para a sua realização é, acima de tudo, um ato de amor por parte dos pais ou responsáveis.

O teste é feito gratuitamente na rede pública. A coleta do material (uma gotinha de sangue tirada do calcanhar da criança) deve ser realizada entre o terceiro e o sétimo dia de vida do bebê.