Causas e tratamento da enxaqueca

   

A enxaqueca é uma patologia crônica, de caráter hereditário, que se caracteriza por um desequilíbrio bioquímico em certas partes do cérebro. Essa é uma situação muito sutil para ser detectada pelos exames de imagem e laboratoriais. Por isso, o diagnóstico da enxaqueca é feito, principalmente, a partir da análise clínica e do acompanhamento do quadro sintomático do paciente.

Não existem exames de imagem ou exames laboratoriais que confirmem a enxaqueca. Mas isso não quer dizer que o paciente que chega ao consultório médico com suspeita de enxaqueca, eventualmente, não terá de ser submetido a determinados exames dessa natureza.

O médico poderá solicitar determinadas análises para investigar melhor o estado geral de saúde do paciente e também para descartar a hipótese da presença de outras patologias, para além da enxaqueca.

A enxaqueca, como é uma patologia crônica, caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça intensa, junto a outros sintomas, acaba por ser um quadro extremamente limitador, que pode comprometer muito a qualidade de vida do paciente.

Esse é o principal problema de não tratar a enxaqueca, pois, devido ao extremo mal-estar geral causado pelos episódios de dor, a pessoa que sofre de enxaqueca geralmente se vê impedida de realizar as mais diversas atividades no dia a dia.

Além disso, pessoas que sofrem de enxaqueca com aura devem estar especialmente atentas a fatores relacionados à sua saúde sistêmica, que podem aumentar o risco de AVC, como obesidade, sedentarismo, tabagismo, alimentação desequilibrada e estresse.

Estudos mostram que há uma predisposição maior para os riscos de acidente vascular cerebral (AVC) entre os pacientes que sofrem de enxaqueca com aura, quando comparados com os pacientes que sofrem de enxaqueca sem aura.

Não. Casos em que uma crise de enxaqueca leva ao AVC são raríssimos. O alerta médico que se faz para as pessoas que sofrem de enxaqueca com aura é pelo fato de estudos demonstrarem que essas pessoas têm mais chances de sofrer um AVC ao longo da vida (isto é, fora dos momentos de crise). Mas o que leva ao AVC é a obstrução ou rompimento de uma artéria no cérebro e existem outros fatores, tanto clínicos como ambientais, que são mais diretamente relacionados a esse risco do que a enxaqueca propriamente dita, tais como:

• Nível de colesterol elevado;
• Triglicerídeos elevados;
• Alimentação rica em gorduras e açúcares;
• Obesidade;
• Sedentarismo;
• Tabagismo;
• Alcoolismo;
• Estresse não controlado;
• Uso contínuo de determinadas medicações.

Assim, para as pessoas que sofrem de enxaqueca com aura, o que se recomenda é uma especial atenção a esses fatores considerados de risco para o acontecimento de um AVC. Daí a importância desses pacientes fazerem o devido acompanhamento médico focado não apenas no uso de medicações para alívio da dor, mas principalmente na adoção de hábitos e estilo de vida saudáveis.

Não é só por isso. Embora a adoção de um estilo de vida saudável seja essencial para prevenir grande parte das doenças que não são de cunho genético – caso do AVC e de muitos problemas cardíacos, por exemplo – e isso seja algo que qualquer médico deseja para o paciente, a principal razão dos especialistas insistirem na mudança de hábito e de estilo de vida para o paciente que sofre de enxaqueca está no fato de que, comprovadamente, isso pode diminuir muito a frequência e a intensidade das crises.

Ou seja, o paciente que se alimenta bem, que pratica atividades físicas regularmente, que mantém o estresse sob controle, não fuma e consome álcool com moderação tende a sofrer menos com as crises de enxaqueca.

Sim, naturalmente. Isso acontece porque o cérebro de quem tem enxaqueca é, na verdade, muito sensível a estímulos internos e externos. Então, muitas vezes, mesmo quando a pessoa mantém sob controle todos os possíveis gatilhos de dor, a crise pode se instalar. Por isso é também importante realizar o tratamento preventivo, que pode ser ou não farmacológico.

Além das já citadas mudanças de hábitos e estilo de vida, hoje o tratamento preventivo considerado padrão-ouro para o controle da enxaqueca é feito por meio da aplicação de toxina botulínica em nível muscular, em alguns pontos específicos da cabeça. Isso bloqueia a liberação excessiva de substâncias que causam a dor, além de permitir um maior relaxamento muscular da região.

A aplicação é feita periodicamente e cria grandes janelas de tempo, nas quais o paciente experimenta diminuição extraordinária das crises de enxaqueca, ou mesmo o desaparecimento total das mesmas. O efeito da terapêutica dura, em média, de quatro a seis meses, podendo variar para mais ou para menos.

Entre as vantagens do tratamento estão, além de sua grande eficácia no controle das crises de enxaqueca, os efeitos colaterais insignificantes (geralmente restringindo-se apenas à possibilidade de vermelhidão momentânea no local da aplicação) e raras contraindicações.

A necessidade de ingestão de medicamentos para dor por causa da enxaqueca, geralmente, é reduzida drasticamente depois do tratamento com toxina botulínica. Esse é considerado um grande avanço para a qualidade de vida e para a saúde dos pacientes.


Quando administrada diretamente em alguns músculos específicos da cabeça e da nuca, a toxina botulínica reduz a liberação de neurotransmissores responsáveis pelos mecanismos de dor (como o glutamato e a substância P) e da acetilcolina, neurotransmissor ativamente envolvido no processo de contração muscular. Com isso, há um “bloqueio” dos impulsos nervosos que causam a sensação de dor e um “relaxamento” da região onde a dor se instala.

O protocolo de aplicação da toxina botulínica para o controle da enxaqueca inclui cerca de 30 pontos, distribuídos em músculos das regiões frontal, temporo-parietal, occipital e do pescoço;

Os pontos de aplicação podem variar de acordo com o tipo de dor de cada paciente;

Os volumes injetados vão de 0,1 a 0,2ml por ponto de aplicação;

O efeito dura, em média, de quatro a seis meses, variando para mais ou para menos, de paciente para paciente.



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