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A importância de exames que avaliam o funcionamento do sistema nervoso

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Simone Amorim,
Neurofisiologista e neurologista infantil

Recentemente, falei em minha página, numa rede social, que ter título de neurofisiologista é algo que muito me orgulha. E prometi escrever mais aqui no Blog sobre o tema.

A Eletroneuromiografia é um exame que avalia o sistema nervoso periférico

Falar sobre isso é falar de uma realização pessoal e, ao mesmo tempo, ter a oportunidade de trazer à tona um tema sobre o qual ainda há um grande desconhecimento da população em geral e, até mesmo, de alguns setores da Saúde.

A Neurofisiologia Clínica é a área da Neurologia que estuda a funcionalidade do sistema nervoso central e periférico. Particularmente, os conhecimentos que venho adquirindo nessa área, ao longo dos anos, agregaram expetises importantes em meu campo de atuação. Trata-se de uma soma valiosa à minha formação, junto com o doutorado em Neurogenética e, também, à especialização em Neurologia Infantil.

Ao médico neurofisiologista, cabe a interpretação de exames que revelam como está o funcionamento do sistema nervoso do paciente, por meio de procedimentos como o Eletroencefalograma, a Eletroneuromiografia, a Polissonografia, o Potencial Evocado, e, mais recentemente, a Monitorização do Sistema Nervoso durante procedimentos cirúrgicos.

Para realizar algum desses exames é necessário que o médico neurologista faça um estágio ou residência médica, que pode variar de um a dois anos, após a conclusão da residência em Neurologia. É um conhecimento especializado, portanto.

Ao falarmos desses procedimentos, estamos falando de exames fundamentais e de grande importância na identificação de diversas patologias, muitas delas de difícil diagnóstico. Podemos destacar, por exemplo: epilepsia, distúrbios do sono, doenças neuromusculares, radiculopatias (hérnia cervical ou lombar), compressão de nervos e doença degenerativa do neurônio motor inferior (esclerose lateral amiotrófica).

Eletroneuromiografia

A área que escolhi dentro da Neurofisiologia foi a da Eletroneuromiografia, um exame sobre o qual ainda há muito o que se falar e, principalmente, desmistificar. Basicamente, esse é um exame que avalia os neurônios que trafegam pela medula, os nervos, os músculos, e a junção entre nervo e músculo.

Trata-se de um sistema de avaliação com um índice de assertividade alto, com várias indicações clínicas, possibilitando o diagnóstico de quadros como: compressões nervosas, doenças neuromusculares, esclerose lateral amiotrófica, miastenia gravis, neuropatias periféricas, entre muitos outros.

O exame é realizado por meio de breves estímulos elétricos, intermitentes. São usados eletrodos adesivos para avaliar a condução nervosa e agulha, para avaliar o músculo. A avaliação sempre deve ser feita bilateralmente, isto é, em ambos os lados (seja da face ou dos membros superiores ou inferiores), pois os valores obtidos são comparados entre si. A duração de todo o procedimento é de cerca de 30 minutos.

Antes da realização do exame, é importante que o médico saiba explicar ao paciente que os possíveis desconfortos são mínimos e totalmente toleráveis. Ao entender a razão de ser e a grande importância de um diagnóstico preciso para a condução do seu tratamento, a pessoa segue relaxada e confiante para o procedimento.

Logo após a realização do exame, a pessoa já está pronta para retomar as suas atividades cotidianas normais. De posse do laudo, o plano de tratamento é determinado pelo médico que acompanha o paciente. E, de nossa parte, fica a sensação de ter proporcionado um diagnóstico seguro ou a exclusão de um possível diagnóstico clínico (nos casos de exames normais), colaborando, assim, para um plano de tratamento assertivo e bem-sucedido.

Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 15:45

As opiniões expressas nesse artigo são de responsabilidade de seus respectivos autores.
Caso deseje entrar em contato conosco, escreva para blogdavita@vitaclinica.com.br
Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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