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A Síndrome de Asperger e o Autismo de Alta Performance

Simone Amorim,
neurologista infantil e neurofisiologista.

Nos últimos anos, toda a literatura médica acerca do autismo vem mudando e ganhando novos rumos, principalmente em relação à  classificação desse quadro.

Desde 2013, o DSM 5 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) retirou as chamadas desordens pervasivas da infância, desenvolvimentos pervasivos da infância não específicos, Síndrome de Asperger e transtorno do autismo, e passou a classificar todas essas condições sob uma única denominação: o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Ainda controversa e motivo de muita discussão entre cientistas, médicos, pais e cuidadores, essa classificação é a que rege e balisa nossos diagnósticos. Devemos segui-la, mesmo que na clínica diária muitas vezes seja difícil explicar para pais e cuidadores que aquela criança que fala com desenvoltura, que tem uma inteligência na média – ou, até mesmo, elevada -, que tem boa comunicação e interação social dentro de seu núcleo familiar restrito (pai e mãe), mas que é inábil socialmente fora deste círculo, seja uma criança autista, mesmo que leve.

Esses casos têm sido de longe os mais desafiadores para nós, médicos. Quando nos deparamos com essa situação, podemos estar diante de dois diagnósticos, isto é, de dois subgrupos do TEA: a Síndrome de Asperger e/ou Autismo de Alta Performance.

Considerados autismo leve para alguns, a Síndrome de Asperger e o Autismo de Alta Performance, muitas vezes, se mascaram ou têm seu diagnóstico demorado, devido ao fato das pessoas relacionarem o autismo a pacientes que não se comunicam.

Mas a Síndrome de Asperger e o Autismo de Alta Performance são formas verbais de autismo. As crianças desenvolvem a fala nesses casos e, muitas vezes, têm um excelente discurso. Pode ter havido ou não algum atraso na aquisição da linguagem, mas após aprenderem a falar, elas falam bem. Essas crianças são inteligentes, têm bom rendimento escolar e, muitas vezes, são vistas como tímidas ou muito retraídas.

No entanto, elas trazem em si a imensa dificuldade de comunicação e interação social. Dificuldade e, comumente, incapacidade de reconhecer e entender sentimentos externos, de se enxergar no outro.

Quase todos esses pacientes vão apresentar algum grau de hiperacusia (sensibilidade exagerada aos ruídos), além de algumas estereotipias ou ecolalia (repetir sons). Todas essas dificuldades e/ou inabilidades podem ser percebidas muito precocemente (antes dos dois anos), mesmo antes de qualquer diagnóstico médico ou teste poder efetivar o diagnóstico do autismo.

Atualmente, a premissa mais importante no tratamento do autismo é o diagnóstico e a intervenção precoce, para que, assim, possamos atuar com as terapias adequadas e oferecer ferramentas para ajudar essas crianças a driblar as suas dificuldades e a criar e moldar seus próprios conceitos e o conceito sobre o mundo externo.

Trabalhar para melhorar a habilidade na interação e na comunicação social das crianças com Síndrome de Asperger e no Autismo de Alta Performance ajudará a torná-las adultos mais seguros, confiantes e com um índice muito menor de comorbidades, como outros distúrbios psiquiátricos.

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