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Afinal, o que é a enxaqueca com aura?

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Tenho procurado acompanhar grupos e fóruns de discussões sobre enxaqueca na Internet. Não só devido à minha situação como paciente que sofre desse problema, como na qualidade de especialista que também se dedica ao tratamento da patologia, acho importante esse intercâmbio de informações.

Há algum tempo, perguntei aos participantes de um dos grupos dos quais participo quais eram as principais questões sobre as quais costumam ter dúvidas, mesmo após receberem diagnóstico ou estarem em tratamento médico para o quadro.

As participantes – mulheres, em sua maioria – citaram duas coisas: aura e enxaqueca basilar.

Um único post não comporta tudo o que é possível e importante falar sobre ambos os termos, mas vou tentar fazer alguns esclarecimentos iniciais que considero mais importantes.

A enxaqueca basilar (vamos falar especificamente dela em um próximo post) é, na verdade, um subtipo da enxaqueca com aura, sobre a qual vou comentar hoje.

Imagem que uma das participantes trouxe para o nosso grupo no Facebook, que ilustra bem as alterações na visão que a enxaqueca com aura podeprovocar. FONTE da imagem: Sociedade Brasileira de Cefaleia.

Aura é um conjunto de sintomas que envolve alterações sensoriais caracterizadas principalmente pela visão de pontos luminosos (aura positiva), por pontos cegos (aura negativa) ou ambos os casos.

Então, vamos entender: a enxaqueca é uma afecção hereditária, com mecanismos de transmissão ainda não definidos cientificamente. Isto é, ainda não está esclarecido por que algumas pessoas têm enxaqueca e outras não – e nem por que o quadro sintomático, embora com inúmeros pontos convergentes, é tão particularizado em cada paciente.

Embora a fisiopatologia ainda não esteja totalmente esclarecida, os estudos mostram que o problema implica em situações como vasodilatação intra e extracraniana, “shunts” arteriovenosos (comunicações anormais entre artérias e veias), disautorregulação vasomotora cerebral (alterações na circulação sanguínea cerebral), anormalidade na liberação de neurotransmissores, entre outras características.

Tudo isso pode estar relacionado com a presença da aura nos pacientes que apresentam esse sintoma. Mas, para quem sofre com as dores e, muitas vezes, se assusta com a violência desses episódios associados às alterações sensoriais, o que mais importa saber de imediato é:

  1. Isso pode ser grave?
  2. Qual é o caminho para o alívio desses sintomas e para ganhar mais qualidade de vida?

Embora estudos já tenham mostrado que a enxaqueca, sobretudo a do tipo com aura, possa levar a pequenas alterações anatômicas permanentes no cérebro, não existe nenhuma comprovação ou mesmo indício de que isso signifique a instalação de lesões e, muito menos, de sequelas debilitantes para o paciente. Nesse aspecto, não há o que temer, portanto.

Por outro lado, algo que já está comprovado é uma maior propensão às doenças cardíacas nos pacientes que sofrem de enxaqueca com aura.

O mecanismo que estabelece essa relação ainda não está esclarecido, mas o conhecimento desse indicador ressalta a importância do controle de outros fatores de risco já conhecidos e diretamente relacionados com os problemas cardiovasculares: tabagismo, obesidade, diabetes e sedentarismo.

Então, se pensarmos que, em geral, esses fatores são também gatilhos conhecidos para as crises de enxaqueca, é bastante razoável imaginar ainda que a ocorrência das crises, em vez de uma possível causa de um problema cardiovascular seja, acima de tudo, um alerta do organismo diante da presença desses riscos.

Em outras palavras: não há nenhuma comprovação de que a enxaqueca com aura cause doenças cardiovasculares. O que talvez exista é um mecanismo de alerta contra os fatores de risco mais aguçados nos pacientes com enxaqueca.

Combater o sobrepeso, não fumar, se alimentar de forma equilibrada e praticar exercícios são – como para todo mundo – meios simples e eficazes de afastar riscos para o sistema cardiovascular.

E, para quem sofre de enxaqueca, como bônus, os episódios de dor de cabeça também tenderão a ser afugentados após a adoção dessas medidas.

Por fim, vale lembrar também que o controle das crises de enxaqueca – seja com aura ou sem ela – exige acompanhamento médico. Ele sempre passa pela revisão de hábitos do paciente, e pode envolver (ou não) tratamento medicamentoso – por via oral e/ou injeção de toxina botulínica. Em muitos casos, a acupuntura também surge como alternativa eficaz, combinada, ou não, com outras terapêuticas.

Essa publicação foi atualizada em 29 de agosto de 2019 22:37

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Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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