Por Cássia Denadai,
Psicóloga
A sigla TCC muitas vezes é relacionada com o Trabalho de Conclusão de Curso, normalmente exigido ao final de cursos de graduação. Por isso, quando profissionais de Saúde sugerem tratamento psicológico com TCC, é comum as pessoas estranharem. Mas, acalmem-se, o termo está correto. Em Psicologia, ele designa uma abordagem de tratamento, a Terapia Comportamental Cognitiva ou Terapia Cognitiva Comportamental (TCC).
Pela TCC aprendemos que os sintomas podem ser modificados. Trata-se de uma modalidade terapia que favorece a aprendizagem do indivíduo.
Vamos entender como isso acontece: vemos que o pensamento retrata uma crença que determina um sentimento e comportamento correspondente; o comportamento, por sua vez, significa uma ação que o indivíduo manifesta publicamente ou não, muitas vezes acompanhado por uma resposta física (tremor, rubor, sudorese, alteração da temperatura do corpo entre outros). Nesse mecanismo, o indivíduo vivencia uma “circularidade”, na qual o pensamento alimenta o comportamento/repostas e vice-versa.
É aí que a TCC pode entrar como uma importante abordagem psicoterápica. Na terapia, focalizamos na atividade cognitiva (padrão de pensamento-resposta) que pretendemos modificar e adotamos técnicas bem estabelecidas e padronizadas para esse fim, e que atendem ao diagnóstico de cada transtorno ansioso ou de personalidade.
Cabe destacar aqui que os pensamentos e crenças adotados pelo individuo foram construídos pela interação com o ambiente; por essa interação é que se instala e se mantém a disfuncionalidade. Portanto, para remitir sintomas e comportamentos disfuncionais é preciso identificar os pensamentos que os fundamentam e os alimentam.
Nas sessões de psicoterapia eu, pessoalmente, estou sempre atenta a dois aspectos importantes. O primeiro: qual o pensamento que esteve presente em situações específicas? Assim, colocamos um foco – inicialmente as pessoas falam de sentimentos, somente com o tempo estarão aptas a identificar o pensamento. O segundo aspecto: procuro avaliar com a pessoa o que aconteceu antes e depois de um comportamento específico e passamos a observar a frequência de ocorrência desses comportamentos, qual o padrão de respostas observável, e assim por diante.
Desse modo, as pessoas aprendem a lidar assertivamente com suas questões pessoais e generalizam tal aprendizagem para eventos futuros, tornando-se independente do terapeuta e favorecendo a alta.
Contudo, é preciso reforçar que somente um psicólogo com formação específica em TCC está apto a lançar mão das “ferramentas” psicoterapêuticas capazes de garantir uma condução satisfatória do caso e resultados efetivos com esses pacientes.
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