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Alerta médico: “movimento antivacinas” coloca crianças em risco

2018-07-27T12:34:22+00:00 25 de julho de 2018|Destaques, Notícias|0 Comments

Vivemos um momento que merece um alerta por parte da comunidade médica e dos demais profissionais de Saúde. Doenças já consideradas erradicadas ou sob controle ameaçam novamente a população, deixando vulneráveis principalmente as crianças, que podem ter a vida colocada em risco ou serem sentenciadas a conviver com graves sequelas, devido à desinformação de famílias que, equivocadamente, têm aderido ao chamado “movimento antivacinas”.

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Pólio acontece no mês de agosto

Dentro de poucos dias, começa a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite. Essa doença, que é grave e pode causar paraplegia dos membros inferiores e superiores, além de outras sequelas neurológicas, está erradicada das Américas desde 1994 e da Europa desde 1999. Mas isso reforça ainda mais a importância das crianças seguirem sendo vacinadas, conforme ressalta a neurologista infantil Simone Amorim.

“Quando a erradicação é anunciada, isso NÃO significa que o vírus deixou de existir, mas sim que a população está devidamente protegida contra ele. Se deixarmos de vacinar as crianças, isso será uma porta aberta para o retorno dos casos”, enfatiza a médica, lembrando que o sarampo também já havia sido considerado erradicado desde 2001, mas agora o país enfrenta um surto da doença.

A rubéola também representa um risco. A doença foi eliminada no Brasil desde 2010, mas no momento é considerada endêmica em 14 países europeus e pode voltar a fazer vítimas por aqui, se a imunização não se mantiver eficiente.

A neurologista infantil Simone Amorim alerta para as graves sequelas que as doenças virais podem deixar

Na avaliação da médica, o “movimento antivacinas” é uma das “modas” mais perigosas que a Internet tem ajudado a promover. “Infelizmente, a mesma tecnologia que ajuda na conscientização serve também para disseminar boatos. As pessoas vão recebendo e passando adiante notícias falsas e, de tanto verem aquilo ser repetido, começam a achar que há algum fundo de verdade”, salienta.

A neurologista explica que os pais que deixam de imunizar os filhos não só estão colocando as suas crianças em risco, mas também agindo ativamente em malefício da Saúde Pública. “Quando interrompemos a política de imunização da população, nós permitimos que os vírus circulem mais livremente. É óbvio que isso aumenta os riscos e torna muito mais complexa a gestão do problema. Estamos falando de doenças que oferecem riscos de morte e/ou altas taxas de sequelas graves para o paciente que sobrevive”, explica.

No caso da poliomielite, por exemplo, quem não foi imunizado pode até não vir a desenvolver a doença ao entrar em contato com o vírus, mas pode transmiti-lo.

No caso da rubéola, embora seja uma doença de evolução benigna quando atinge as crianças pequenas, o grande risco do vírus em circulação está na infecção de gestantes não imunizadas. Nesses casos, pode haver malformações graves nos fetos.

Qual o conselho então para os pais e para a população em geral? Nesses casos, a medida é muito simples: seguir à risca o calendário de vacinas. O Brasil conta com uma ampla e consolidada política pública de imunização infantil e da população em geral. As principais vacinas recomendadas para a infância são gratuitas e fornecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

SAIBA MAIS 

POLIOMIELITE: a poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é uma doença infecciosa viral aguda, transmitida de pessoa a pessoa, principalmente pela via fecal-oral. Na maioria das pessoas com sistema imunitário normal, uma infecção por poliovírus é assintomática. Em casos raros, podem incluir sintomas como infecção da garganta, febre, náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia e sintomas de gripe. O vírus atinge o sistema nervoso central em cerca de 3% dos pacientes. A maioria dos indivíduos desenvolve meningite asséptica não paralítica. Aproximadamente de um a cinco casos em 1.000 progridem para a doença paralítica, na qual os músculos se tornam fracos e de difícil controle, e, finalmente, completamente paralisados. Essa condição é conhecida como paralisia flácida aguda.

SARAMPO: o sarampo é uma doença altamente contagiosa, cujos sinais e sintomas iniciais podem incluir febre alta (muitas vezes superior a 40ºC), coriza, tosse, dor de garganta e dificuldade de ingestão. Posteriormente, surgem manchas vermelhas pelo corpo. A doença é transmitida facilmente por via aérea através da tosse e espirros e também pelo contato com a saliva ou secreções nasais. A pior complicação do sarampo acontece quando o vírus, na sua forma selvagem, se aloja no sistema nervoso central do paciente, causando a panencefalite esclerosante aguda ou subaguda. Isso pode evoluir para crises convulsivas, distúrbios de movimento, demenciação e, em casos mais graves, para a morte.

RUBÉOLA: a rubéola é uma doença viral causada pelo togavírus e transmitida pelo ar ou pela saliva. Quando o indivíduo contaminado tosse ou espirra, lança micropartículas pelo ar com o vírus a outros indivíduos que estejam próximos. Seus principais sintomas são parecidos com outras doenças virais, como sarampo e caxumba: febre, manchas avermelhadas pelo corpo, dor nos olhos, dor pelo corpo, dificuldade ao engolir, nariz entupido e inchamento dos pés. Em crianças e pacientes adultos, a rubéola não traz grandes riscos e consequências, mas mulheres grávidas precisam estar protegidas, para evitar malformações fetais e infecções congênitas, como surdez, cardiopatia e má-formação cerebral.

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