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Amamentação ajuda a desenvolver capacidades de fala e mastigação

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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Batemos ponto todos os anos em um tema aqui no Blog da Vita: a amamentação. A primeira semana de agosto é dedicada a esse assunto e, em um canal dedicado à Saúde e qualidade de vida, o mínimo que temos a fazer a esse respeito é apoiar a causa e buscar ouvir quem entende do assunto, colaborando com as iniciativas de conscientização.

Um dos aspectos pouco divulgados em relação ao aleitamento materno é sobre a sua importância para a dentição e para o desenvolvimento dos ossos e músculos da face, que serão fundamentais para a fala, a mastigação e a respiração da criança.

Na entrevista abaixo, vale a pena conferir as explicações e orientações da fonoaudióloga Joyce Fialho a esse respeito. São dicas preciosas para todas as mães, inclusive para aquelas que, por alguma razão, não conseguiram ou não puderam amamentar seus bebês.

Blog da Vita: A amamentação influencia, de alguma forma, a formação e o desenvolvimento dos ossos e da musculatura orofacial da criança? Como?

Joyce: Sim, a amamentação não só influencia, como promove o desenvolvimento do sistema sensório-motor oral  (língua, lábios, bochechas), e prepara a criança para a futura alimentação. O ato de sugar é o primeiro passo para a deglutição. A criança já  nasce preparada para mamar, pois a sua língua ocupa toda a cavidade oral, justamente para promover a sucção. À medida que a criança vai se desenvolvendo, a língua diminui e os órgãos fonoarticulatórios vão se desenvolvendo e amadurecendo.

Estatisticamente, a incidência de problemas fonoaudiológicos em crianças que não mamam no peito é maior do que nas que são amamentadas? Por que isso acontece?

Existem dois tipos de sucção: a nutritiva (aleitamento natural e artificial) e a não-nutritiva (sucção do dedo, chupetas). Algumas pesquisas relatam que o maior índice de prevalência de sucção não-nutritiva (hábitos viciosos, como chupar o dedo)  prolongada ocorra em crianças que não obtiveram o aleitamento materno natural. Esses hábitos prolongados causam problemas ortodônticos e, possivelmente, distúrbios articulatórios na fala.

Quais são os problemas fonoaudiológicos mais comuns de surgirem nas crianças que não foram amamentadas?

Algumas crianças adquirem principalmente trocas na fala (como a troca do R pelo L), além dos já citados problemas ortodônticos, causados principalmente pela má oclusão, pela respiração oral (pela boca) e pela deglutição alterada.

É verdade que crianças que não são amamentadas também têm maior incidência de problemas de ouvido (otites)?

Na verdade, as otites podem estar correlacionadas com a postura inadequada na hora da amamentação. Em qualquer tipo de amamentação, a postura inadequada pode promover esse tipo de problema, porque o corpo humano possui uma comunicação entre o ouvido e o nariz – a chamada tuba auditiva – e, quando a criança regurgita, o leite pode atingir a tuba e gerar inflamações no ouvido interno. Para evitar isso, seja na amamentação natural ou na amamentação artificial, a cabeça do bebê deverá sempre estar mais elevada do que o corpo.

O Conselho Federal de Fonoaudiologia está promovendo uma campanha para promover a “amamentação do bebê de risco”. No que consiste essa iniciativa, exatamente?

A estimulação precoce d a Fonoaudiologia nos recém-nascidos pré-termos (ou seja, as crianças nascidas antes dos nove meses) é fundamental para uma alimentação no seio materno eficaz, prazerosa e funcional. É nisso que consiste a campanha. Além de proporcionar maior vínculo entre mãe e bebê, ainda no âmbito hospitalar, a atuação da Fonoaudiologia pode favorecer a diminuição do tempo de internação.

Além disso, a Fonoaudiologia atua também com bebês de alto risco em UTIs neonatais, promovendo a amamentação, avaliando as condições do recém-nascido e da mãe para isso, orientando o aleitamento quanto à pega, estimulando os reflexos de sucção/deglutição para que os bebês se tornem aptos a mamar, aplicando técnicas para facilitar e desenvolver a sucção, e promovendo o contato materno.

Apesar de todos esses esforços, nem todas as mães conseguem amamentar e muitas ficam frustradas com isso. Então, para aquelas que tentaram de todas as formas e não conseguiram, é possível dar algumas dicas do que fazer para ajudar no desenvolvimento fonoaudiológico do bebê?

Quando o uso da mamadeira for inevitável, o ideal é sempre procurar o bico ortodôntico ou aquele bico que seu filho mais se adaptar (crianças com alterações neurológicas, por exemplo, terão dificuldade com certos tipos de bicos).

Por volta dos cinco ou seis meses, os pais de todos os bebês devem iniciar a oferta diversificada de alimentos, com consistências cremosas, como sopas e  purês. Essa transição da consistência alimentar é fundamental para o desenvolvimento, assim como a conversa com o bebê. Isso promove não só a interação mãe/filho, como também estimula a fala e a linguagem.

Já as chupetas são vistas como um “calmante” para as crianças, bastante utilizado pelos pais. Mas é importante saber que esse uso não deve ser por um período prolongado e que isso pode vir a atrapalhar o desenvolvimento orofacial.

A criança que não mama no peito deve ser estimulada com algum exercício fonoaudiológico especial? Qual?

A criança que não é amamentada no peito não necessariamente terá problemas fonoaudiológicos, mas  caso se observe alguma dificuldade na sucção/deglutição, mastigação, respiração ou fala, os pais devem procurar um especialista para avaliar e, se necessário, traçar a melhor orientação ou definir o plano terapêutico.

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