Amor materno atua como “remédio” para o cérebro infantil

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Clínica Vita

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“Amor de mãe é um santo remédio”. Mais que uma frase popular, a sentença tem bases científicas.

Estudos realizados nos últimos anos, no campo da Neurobiologia e da Neurogenética, em diversas partes do mundo, têm servido para mostrar que, desde a mais tenra idade, as experiências emocionais pelas quais passamos podem alterar, significativamente, algumas estruturas cerebrais.

“As experiências afetivas atuam sobre a capacidade de alguns genes, como os que codificam receptores de dopamina, por exemplo”, conforme afirmou o presidente da Sociedade Portuguesa de Neurociências, Nuno Sousa, à revista Visão, em uma reportagem especial sobre o assunto, em 2013.

Genes são imutáveis. Não existe cura para falhas genéticas, mas sim tratamentos. É bom que isso fique claro. No entanto, o que os cientistas chamam atenção é para as chamadas alterações epigenéticas, ou seja, aquilo que muda de acordo as alterações do ambiente e as vivências sociais.

O que os estudos têm apontado é que, se por um lado traumas emocionais podem afetar as funções cerebrais, inibindo ou prejudicando algumas capacidades, por outro, o amor e os cuidados recebidos são capazes de estimular e ajudar a reabilitar determinadas funções.

Experiência epigenética

Sabe-se que o hormônio oxitocina está diretamente ligado à experiência da maternidade, uma vez que ele é responsável pela produção de leite e contração do útero. Estudos com humanos e experiências com ratos de laboratório têm demonstrado que os altos níveis desse hormônio também estão relacionados ao vínculo que a mãe cria com o bebê.

“Estudos com mulheres abusadas ou negligenciadas quando crianças mostram que, quando adultas, elas têm níveis mais baixos de oxitocina do que as não abusadas. No caso dos animais, descobriu-se que os ratos abusados entram primeiro na puberdade e têm mais parceiros sexuais”, explicou  para a publicação o escritor Larry Young, considerado um dos maiores especialistas mundiais em neurociências do comportamento.

Entretanto, uma nova pesquisa com ratazanas, desenvolvida no Canadá, comprovou que, quando as mães com menores níveis de oxitoxina – e, portanto, negligentes com as crias – são substituídas precocemente por mães ratas mais zelosas (no caso dos roedores elas são, literalmente, aquelas que mais lambem as crias), as filhas biológicas dessas mães negligentes tornam-se boas mães ao terem seus próprios filhotes, apresentando níveis mais altos do hormônio oxitocina. Isso prova que houve transmissão epigenética.

Ou seja, a experiência na infância afetou o comportamento dos genes e definiu o temperamento das ratas. Houve alterações neuroquímicas nessas ratinhas que foram expostas às “más” e  às “boas” mães.

Adoção

De acordo com a psicóloga holandesa Anneke Vinke, que trabalha junto a uma equipe responsável pela publicação de diversos estudos sobre adoção,  estudos têm demonstrado a estreita relação entre as vivências afetivas e o desenvolvimento (ou não) de estruturas cerebrais. Segundo ela, exames de ressonância magnética mostraram que tanto o trauma quanto o amor são capazes de alterar estruturas neurológicas do nosso cérebro.

O acompanhamento de crianças adotadas tem mostrado que elas acabam tendo seu desenvolvimento físico acelerado após ganharem pais adotivos. Além disso, a capacidade cognitiva melhora de 10% a 15%, em média, segundo a pesquisadora.

A explicação para isso estaria na influência das emoções sobre a secreção de determinados hormônios importantes para o nosso desenvolvimento. Crianças expostas a maus tratos ou a negligência têm maiores níveis de cortisol, por exemplo.

O que os indicadores de tantos estudos e pesquisas realizados em vários pontos do mundo têm comprovado cientificamente é que o carinho, o amor e a atenção que recebemos das nossas mães (biológicas ou não) são grandes determinantes daquilo que nos tornaremos.

Muitas de nossas habilidades e capacidades não seriam os mesmos sem contato com elas ao longo das nossas vidas. Nada mais que merecido, portanto, do que um dia para agradece-las. Feliz Dia das Mães!

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