Ano histórico na área da toxina botulínica

Por Simone Amorim,
Neurologista Infantil

A última semana foi intensa, exaustiva, mas de um ganho em aprendizado sem precedentes. Na sequência do curso de Anatomia Humana em Cadáver, voltado para o aprimoramento da Técnica de Injeçao de Toxina Botulínica, participei do Congresso Mundial de Neurotoxinas da INA (International Neurotoxins Association), da qual agora sou membro efetivo.

Este é um ano histórico para nós, médicos que nos dedicamos ao estudo da toxina botulínica, pois este foi o primeiro congresso oficial realizado desde que a INA foi criada, em 2010. Agora sim temos uma sociedade que norteará todas as diretrizes a serem tomadas em relação ao estudo e à aplicação da toxina.

O congresso foi espetacular. O nível de excelência dos professores convidados foi altíssimo. Vários deles eu já conhecia e admirava através de seus inúmeros artigos publicados, como os professores Alberto Albanese, Mark Hallet e Joseph Jankovic.

Estar com esses profissionais foi fascinante. Passar uma tarde inteira fazendo workshop sobre distonia cervical, em um grupo pequeno, com a professora Cynthia Comella foi uma experiência que jamais esquecerei.

No geral, vimos também que o universo terapêutico da toxina botulínica segue em franca expansão. Muito foi falado sobre as indicações neurológicas já consagradas, como distonia, espasticidade e tremores. O tratamento da bexiga neurogênica com toxina botulinica cada vez mais desponta como um procedimento de bons resultados clínicos.

O uso da toxina para enxaqueca também foi discutido intensamente. Outro tema debatido foi a aplicação de toxina botulínica nas glândulas salivares de crianças com paralisia cerebral, doenças neurodegenerativas – como a de Niemann Pick C – e de adultos com doenças de Parkinson e Alzheimer, com a finalidade de reduzir a produção de saliva e o risco de broncoaspiraçoes.

O congresso foi completo ao abranger ciências básicas e estudos clínicos. Volto hoje para casa e já estou ansiosa para o II Congresso da INA, que será em 2014, na Europa.

Até lá, sigo partilhando com vocês aqui no blog mais informações sobre as novidades na área e sempre disponível para buscar dados e esclarecer, naquilo que eu puder, as dúvidas sobre o uso terapêutico da substância. Portanto, participem com perguntas. Vamos colocar este assunto na mesa!

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