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Atenção e amor de familiares têm valor terapêutico para idosos

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Anna Carolina Peres,
geriatra.

Você já ouviu alguma vez a seguinte frase: “O amor e a atenção da família nos cuidados com o paciente valem mais que muitos remédios juntos”?

Parece piegas, não é mesmo? Mas é o que mais se observa nos consultórios geriátricos.

Envelhecer não é tão simples. Envolve diminuição das atividades que antes se fazia, seja por problemas de saúde ou por falta de companhia. E, nesse cenário, encontramos a depressão se instalando entre os idosos. Aqueles mais predispostos são os que moram sozinhos, longe de suas famílias.

O caso que apresentarei neste artigo é de uma paciente da Clínica Vita, que, gentilmente, em conjunto com seus familiares, permitiu que publicássemos neste Blog. A história ilustra bem a importância do cuidado familiar para o bem-estar do idoso.

A senhora Tereza Almeida de Oliveira, de 82 anos, chegou ao meu consultório com diversas queixas: sonolência diurna, tontura, cansaço fácil, desânimo e esquecimentos. Estava se esquecendo dos medicamentos que utilizava (aliás, eram oito), queimando comida nas panelas, estava muito repetitiva – contava o mesmo fato várias vezes ao dia -, entre outros lapsos… Nessa época, a paciente morava sozinha.

Iniciei um antidepressivo e solicitei os exames necessários de rotina. Talvez a paciente estivesse com alteração cardíaca, gerando o cansaço, ou, então, a depressão poderia justificar todos os sintomas.

Após alguns meses, no retorno, ficamos felizes com os resultados dos exames: todos normais.

Porém, o desânimo era cada vez maior, mesmo com o antidepressivo. E os esquecimentos estavam piorando.

Foi então que eu disse para um dos seis filhos da paciente: “Vocês terão que supervisioná-la melhor no dia a dia, prestar assistência com os medicamentos e lhe fazer companhia”.

Como um milagre, após algumas semanas, a paciente retorna feliz, sorridente, com a memória praticamente perfeita!

Qual foi o segredo para essa melhora rápida? Você, caro leitor, deve estar se perguntando, não é mesmo? Também eu, como médica, quis saber ansiosamente naquele momento.

Ocorreu que cada um dos seis filhos da D. Tereza começou a dispor de um dia da semana para ficar com ela. Eles seguiram uma escala:

Segundas-feiras – José Carlos;
Terças – João;
Quartas – Lucinéia;
Quintas – Lourival;
Sextas – Marcos;
Sábados – Cida;
Domingos – um deles e sorteado para fazer companhia à mãe.

Está aí um belo indicador de que a frase “O amor e a atenção da família nos cuidados com o paciente valem mais que muitos remédios juntos” é realmente verdadeira!

Estejamos todos atentos aos nossos idosos, pois, muitas vezes, tentamos minimizar seus problemas, achando que apenas os medicamentos são importantes para o bem-estar deles. A atenção, a companhia e o amor nunca serão substituíveis.

Essa publicação foi atualizada em 26 de agosto de 2019 12:51

As opiniões expressas nesse artigo são de responsabilidade de seus respectivos autores.
Caso deseje entrar em contato conosco, escreva para blogdavita@vitaclinica.com.br
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