Avanços no tratamento da enxaqueca

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Simone Amorim,
Neurologista infantil

Quando falamos na indicação da toxina botulínica para quem sofre de enxaqueca, é comum surgirem muitas dúvidas. Como é isso? Como essa substância que “tira rugas” pode ser também “analgésica”?

Obviamente que, fique bem claro, estamos falando aqui da terapêutica desenvolvida por profissionais habilitados para isso, em pacientes que de fato tenham essa indicação.

É importante saber por que a substância é indicada para esse tipo de tratamento. Há muito tempo a ciência já conhece o efeito “relaxante” que a toxina botulínica tem sobre os músculos. Entre a identificação pela primeira vez do micro-organismo, em 1897, na Bélgica, por Emile Pierre Van Ermergen e as atuais indicações clínicas da substância, temos mais de um século de estudos e pesquisas até   chegarmos ao que temos hoje: a produção laboratorial da substância para o uso terapêutico e comprovadamente eficaz.

Imagens mostram alguns músculos da cabeça e alguns pontos onde são feitas as aplicações de toxina botulínica.

Quando aplicada em alguns músculos específicos da cabeça e região da nuca, a toxina botulínica tipo A (TBA) promove a redução da liberação de neurotransmissores responsáveis pelos mecanismos de dor (como o glutamato e a substância P) na fenda sináptica. A administração da medicação é a nível muscular e, uma vez dentro do músculo, a toxina se liga aos nervos que inervam estes músculos e é aí que todo o processo acontece.

Conhecida popularmente como Botox, a TBA também reduz a liberação de uma substância chamada acetilcolina, e isso leva a um “bloqueio” do impulso nervoso entre as células do cérebro (os neurônios) e o músculo (a parte onde ocorre a sensação de dor de cabeça).

Assim, o que temos é que a diminuição da dor dá-se a partir de um mecanismo que reduz as contrações musculares e as substâncias que promovem a dor.

Hoje, a terapêutica com Botox é usada como profilaxia em pessoas que sofrem de enxaqueca. O que isso significa? Significa que as aplicações são feitas com o intuito de livrar o paciente das crises intensas e frequentes, permitindo a esse indivíduo melhores condições de iniciar mudanças de hábitos que são fundamentais para o controle das crises.

Todos os tratamentos que existem para a enxaqueca precisam estar associados a questões como controle da alimentação, do sono, gestão do estresse e a prática regular de atividade física. Cada paciente é impactado de forma particular sobre cada um desses aspectos, cabendo ao médico e ao próprio paciente estarem atentos a eles e às adaptações no estilo de vida que cada caso irá exigir.

Mas está claro que a TBA é, para a maioria das pessoas com enxaqueca, uma importante porta de saída para se livrar do aprisionamento causado pela presença constante das crises de dores de cabeça. Os efeitos colaterais são infrequentes e mínimos, quando comparados ao coquetel medicamentoso que muitos pacientes tomam por via oral. Eles  desaparecem em horas e os mais comuns são o incômodo gerado pelas punções e os pequenos hematomas locais.

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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