AVC: informação é a maior arma

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Por Simone Amorim,
Neurologista infantil

Como também sou especialista em terapia de reabilitação com toxina botulínica, lido constantemente com muitos pacientes adultos, que chegam ao consultório após terem sido vitimados por um acidente vascular cerebral, ou AVC – também conhecido popularmente como “derrame”. O contato com essas pessoas, suas famílias e seus cuidadores é algo que nos sensibiliza ainda mais, e desperta para a importância de nos engajarmos em iniciativas que visam divulgar informações sobre o tema. Em se tratando de AVC, a informação é a maior arma.

Nesta semana, estamos em plena campanha de combate ao AVC. Entramos de cabeça na causa por saber que, com mais conhecimento, as estatísticas tão negativas poderão ser revertidas.

O AVC é hoje a principal causa de morte por doença no Brasil e o principal fator de incapacitação na população adulta em todo o mundo. Não precisava ser assim, se as pessoas soubessem mais sobre três etapas que envolvem o problema: a prevenção, o cuidado emergencial e as terapias de reabilitação.

Quanto à prevenção, alguns fatores combinados podem diminuir em até 80% as chances da pessoa sofrer um AVC. São eles: alimentação saudável, moderação no consumo de sal e de álcool, prática regular de exercícios físicos, controle da obesidade, controle do colesterol e da pressão arterial, e abstenção do fumo.

Quanto às medidas emergenciais, é importantíssimo divulgar informações sobre elas, pois ninguém está livre de ver um parente, amigo ou colega de trabalho, por exemplo, sofrer um AVC ao seu lado. Saber reconhecer os sintomas disso pode salvar uma vida e evitar que o indivíduo fique com sequelas graves.

Então, atenção: se uma pessoa passar mal ao seu lado, observe os seguintes pontos: peça para ela sorrir. A boca torta é um sinal de AVC; peça para ela levantar os braços, e note se há perda de força em um dos membros; e peça para ela repetir uma frase simples. Se não conseguir, este também é um importante sinal de alerta. Na presença de um ou mais desses sintomas, ligue imediatamente para o serviço de emergência. O número do SAMU é 192.

Agora, um terceiro ponto não menos importante no que se refere à conscientização sobre o AVC é a gestão das sequelas. A sobrevida após um evento como este é um desafio não só para o paciente, mas também para as pessoas próximas. Após a alta hospitalar, começa todo um período de reabilitação, onde o mais importante será ajudar este indivíduo a desenvolver o máximo de suas possibilidades, dentro do seu novo quadro.

A abordagem é sempre muldisciplinar, envolvendo neurologistas, fisiatras, isioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, entre outros especialistas, a depender de cada caso. As alternativas terapêuticas disponíveis hoje impactam diretamente na melhoria da qualidade de vida desses pacientes e esta é a maior meta a ser perseguida. Ao longo da campanha, pretendo falar mais aqui no blog sobre essas alternativas, em novos posts. Acompanhem.

Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 15:38

As opiniões expressas nesse artigo são de responsabilidade de seus respectivos autores.
Caso deseje entrar em contato conosco, escreva para blogdavita@vitaclinica.com.br
Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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