Por Simone Amorim,
Neurologista Infantil
Quando falamos para os pais e cuidadores que o uso dos andadores para bebês é uma atitude totalmente desprovida de lógica e que eles em nada contribuem para o desenvolvimento da marcha, uma pergunta que costuma surgir é: mas não é correto estimular o bebê?
Sim, é totalmente correto e necessário estimular o bebê! Quanto mais a criança é estimulada, mais ela responde positivamente na forma de desenvolvimento cerebral e cognitivo. Ela aumenta o número de sinapses (conexões entre as células do cérebro) e quanto mais ela aprende, mais ávida e preparada estará.
Entretanto, o que é preciso ficar claro, conforme tenho explicado nos meus posts sobre o tema, é que os andadores não representam nenhum estímulo para a criança. Não há desafio no andador. A criança simplesmente é colocada no mesmo e algumas ainda nem conseguem colocar o pé no chão e, quando conseguem, o que elas fazem é jogar o peso do corpo e trocar passos. Isso é instinto, não aprendizado.
Portanto, o desenvolvimento da marcha não será acelerado com o andador. Isso, somado ao risco de acidentes graves que o equipamento oferece, no caso de haver qualquer segundo de descuido por parte do adulto que está tomando conta da criança, faz com que esse acessó
Para estimular o bebê, nada melhor do que deixá-lo livre para explorar o ambiente – claro, sempre com a supervisão de um adulto e com o espaço devidamente preparado para o trânsito deste pequeno e curioso indivíduo.
Colocar um edredon, um colchonete ou um tapete de borracha no chão e passar algum tempo brincando com o seu bebê é a melhor coisa para o seu desenvolvimento neuropsicomotor.
Deixar que a criança se arraste para buscar um brinquedinho, jogar bolinha de pano ou borracha com delicadeza na sua direção, dar
brinquedinhos que a desafiem a fazer o encaixe de peças…Tudo isso contribui muito mais para o seu amadurecimento neurológico (e
consequentemente para o aprendizado da marcha) do que o andador.
Vale lembrar ainda que crianças que ficam demasiado tempo no colo ou em carrinhos, geralmente também são pouco estimuladas.
A criança aprende brincando. Além disso, esses gostosos momentos também estreitam a relação entre pais e filhos, sem riscos ou efeitos colaterais.
Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 15:37
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