Campanha defende direito aos cuidados de saúde mental

Nos últimos anos, cada mês ganha uma cor simbólica para chamar a atenção sobre temas importantes relacionados à Saúde. E janeiro é branco! A ação, que acontece a nível mundial, visa conscientizar sobre o direito aos cuidados de saúde mental – incluindo-se aí as medidas preventivas, além, é claro, da assistência profissional nos casos de transtornos já instalados.

Um dos cards da campanha, que conta com o apoio de diversas instituições e atores sociais

A campanha já vai na sua sexta edição, ganhando especial repercussão nas redes sociais neste começo de 2019, por meio das hashtags #vemprasaudemental e #todostemdireitoasaudemental. A psicóloga Cássia Denadai, integrante do Corpo Clínico da Vita, comemora a atenção recebida pela temática, ressaltando, entretanto, que ainda é preciso um longo caminho para dirimir estigmas e preconceitos.

A psicóloga Cássia Denadai

“Tem sido notável o crescimento dado à saúde mental e isso é muito positivo. Progressivamente, a Psicologia e a Psiquiatria têm conquistado mais e mais espaços para apresentar os seus saberes. Mas o preconceito que ronda o paciente ainda dificulta ou atrasa muito a busca pela ajuda qualificada”, avalia a profissional, que é especialista em Terapia Comportamental Cognitiva (TCC) e Biofeedback.

Cássia revela que não são raros os pacientes que preferem omitir que fazem análise, para não ter de enfrentar julgamentos entre os amigos, os colegas de trabalho ou, até mesmo, entre os familiares. Isso sem contar os inúmeros outros que simplesmente não procuram o suporte especializado, seja por vergonha ou por ainda não entenderem os diferenciais de um processo terapêutico.

“Recentemente conversei com uma pessoa que, tendo sido diagnosticada com estresse, prefere ir a uma esteticista para receber massagens, e acredita que isso substitui a terapia. É claro que massagens relaxantes contribuem muito para o bem-estar, mas isso não dispensa o suporte psicoterapêutico, pois as crenças estressoras, desencadeantes do estado emocional alterado, continuarão presentes”, descreve a especialista para exemplificar situações nas quais os sintomas são tratados sem se ir a fundo nas causas do problema psicoemocional.

Cássia explica que, embora o conceito de saúde mental ainda não tenha um consenso, dado os aspectos subjetivos que o envolvem, de um modo geral, podemos entendê-lo como o equilíbrio entre a vida interna e a vida externa do indivíduo – ou seja, da relação consigo mesmo e com o mundo exterior. Dito isso, a psicóloga enfatiza a importância de atentarmos e cuidarmos de nossas emoções.

Na visão de Cássia, emoções deixadas de lado são como sujeira embaixo do tapete: uma hora a “limpeza” tem de ser feita!

“Esconder algo de nós mesmos, fazer de conta que o que incomoda não está ali, é o mesmo que colocar a sujeira debaixo do tapete. Em algum momento a sujeira aparecerá e a limpeza terá de ser feita”, ressalta a terapeuta, defendendo que o “enfrentamento das questões pessoais, com o devido suporte especializado, fortalece, cria novas possibilidades e alivia o peso da dor psíquica.”

Contudo, na opinião da especialista, os movimentos e as “modinhas” em torno de bandeiras e/ou gurus de autoajuda e autocura também devem ser vistos com cuidado.

Para alguém que já está em uma posição fragilizada ou impotente, ler e/ou ouvir afirmativas como “você pode superar seus medos”, “só depende de você” e sugestões semelhantes como se fossem receitas infalíveis é algo que pode aprofundar e agravar ainda mais a sensação de fracasso, na visão da especialista.

“Eu indico alguns livros que, junto com a psicoterapia, ampliam a compreensão e a possibilidade de transformação que a pessoa busca. São livros que permitem a reflexão. Mas a autoajuda, da forma como está posta hoje no nosso cotidiano, é um grande risco”, sentencia a psicóloga.

Metaforicamente, ela observa que “a saída da caverna escura exige sempre uma lanterna que nos dê a possibilidade de encontrar o caminho” e que, hoje em dia, temos as áreas de conhecimento especializadas em oferecer esse suporte de forma adequada. Afinal, todos têm direito à saúde mental, conforme enfatiza a campanha Janeiro Branco!

Essa publicação foi atualizada em 24 de janeiro de 2019 10:11

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