Causas, sintomas e tratamento da enxaqueca basilar

Simone Amorim,
Neurofisiologista e neurologista infantil

Um tema sobre o qual eu tenho recebido muitos questionamentos de internautas nos últimos tempos é o da enxaqueca basilar. Por isso, decidi trabalhar com ele neste segundo post sobre os tipos de enxaqueca.

Embora seja rara, essa modalidade da patologia é extremamente incômoda e assustadora, causando grande ansiedade e temores entre os pacientes.

Conforme já expliquei em um post anterior, a enxaqueca basilar é um tipo de enxaqueca com aura – isto é, com aquela sensação estranha que a pessoa sente antes da dor e que, para muitos, é difícil de definir.

O nome correto do quadro é: migrânea tipo basilar. Os sintomas são causados pela constrição da artéria basilar, que fornece sangue para todo o tronco cerebral.

Inicialmente acreditava-se que esta migrânea era oriunda apenas do espasmo dessa artéria, levando a uma isquemia (redução do fluxo sanguíneo). Mas hoje sabemos que o tronco encefálico, bem como ambos os hemisférios cerebrais, podem estar envolvidos nesses episódios.

Sintomas

Os sintomas desse tipo de enxaqueca, no geral, são mais assustadores do que graves. Durante a fase de aura, os sintomas da enxaqueca basilar podem incluir:

– Sensação de tontura (vertigem);
– Alteração do campo visual, visão dupla (diplopia) ou, até mesmo, perda parcial da visão;
– Dormências e formigamentos (parestesias);
– Dificuldades na fala (disartria);
– Perda de coordenação (ataxia);
– Vômitos.

Há pessoas que chegam a perder a consciência e já foram relatados casos de pacientes que entraram em coma de algumas horas ou dias. Mas esses são casos extremamente raros.

Geralmente a fase da aura dura cerca de uma hora, desaparecendo assim que começa a dor de cabeça. Porém, em algumas pessoas, os sintomas persistem por horas, ou até dias após iniciar a dor.

Mas o sintoma mais característico desse tipo de enxaqueca é a localização da dor que, diferentemente da enxaqueca clássica, não ocorre em um único lado da cabeça, mas sim de forma pulsátil e intensa de ambos os lados, na parte de trás da cabeça.

Tratamento

Diante de uma sintomatologia tão exuberante, não raro essa migrânea pode ser confundida com um acidente vascular cerebral (AVC) ou epilepsia. Por esse motivo, é importante que sejam realizados exames de imagem como tomografia de crânio ou ressonância magnética de encéfalo e eletroencefalograma, com a finalidade de descartar as possíveis causas descritas acima.

Embora a migrânea tipo basilar possa levar a um ataque isquêmico transitório (AIT), resultante da interrupção temporária do fluxo de sangue para o cérebro, diferentemente dos acidentes vasculares cerebrais (AVC), os AIT não causam danos permanentes às funções cerebrais e neurológicas.

São necessários pelo menos dois episódios de crise de dor com as características da migrânia tipo basilar, para que o diagnóstico seja confirmado.

Alguns medicamentos, como os derivados de ergot e triptanos, devem ser evitados nessa condição, por se tratar de medicamentos vasoconstritores. Na fisiopatologia das enxaquecas com aura, causadas pelo vasoespasmo ou vasoconstrição, o uso desse tipo de medicação pode agravar o quadro doloroso.

Isso mostra como é inviável e pode ser danosa a automedicação e a ausência de um diagnóstico seguro, feito por um especialista.

A investigação do quadro deve ser sempre feita por um neurologista, assim como o plano de tratamento, pois o controle de fatores ambientais que sejam gatilhos para as crises pode envolver o uso de medicações específicas, combinadas ou não com terapêuticas como acupuntura e a administração de toxina botulínica – sobre esta última, vale ressaltar que esse é hoje considerado o “padrão ouro” em termos de controle profilático da migrânea.

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