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Como agir quando a criança sofre uma batida na cabeça?

Nestas férias, temos falado pelos nossos canais sobre a importância dos equipamentos de segurança na hora do lazer e dos desportos para as crianças de 0 a 12 anos, a fim de minimizar os riscos de traumatismos (leia mais sobre o tema aqui neste link). Entretanto, mesmo com todo cuidado, acidentes acontecem e também é muito importante que pais e adultos em geral saibam o que fazer e o que não fazer nessas horas, até a chegada do socorro especializado.

Agir rápido é importante, mas mantendo a calma e buscando acalmar a criança

Em casos de traumatismos crânioencefálicos ou na coluna, agir rápido pode fazer toda diferença tanto para salvar a vida da pessoa, quanto para evitar danos mais extensos, dependendo do tipo de lesão sofrida. Contudo, condutas erradas podem agravar o quadro.

Na verdade, apesar de normalmente parecerem assustadores, a maior parte dos traumatismos cranianos não comporta riscos para a criança e tem um ótimo prognóstico. Por isso, manter a calma e não entrar em pânico é o primeiro passo.

Felizmente, a maior parte dos traumas não comporta riscos e tem bom prognóstico

Não sacuda a criança de forma vigorosa, pois, se houver alguma lesão cervical, esse movimento pode agravar a situação. Além disso, a própria criança também tenderá a buscar uma posição que seja mais confortável para aliviar a dor, e quanto mais se tentar alterar isso, mais difícil será acalmá-la.

Estando consciente, é natural que a criança chore e sinta-se assustada. Procure então passar-lhe confiança, para que seja observada a área lesionada. Enquanto isso, observe se ela se mantém lúcida e atente-se também para o seu estado geral, acionando ajuda médica conforme os critérios listados ao fim do post.

GELO

Logo após o trauma, a aplicação de gelo na região é muito bem-vinda. O frio tem ação anti-inflamatória, além de ajudar a aliviar a dor. Isso deve ser feito em forma de compressa (nunca o gelo diretamente sobre a pele, para evitar queimadura) e sem uso de força ou pressão.

Não se deve tentar que a criança coma ou beba nada logo após o traumatismo. A ocorrência de vômitos é comum nessas situações e pode ser um sinal importante a ser observado.

MITO

Apesar de ser uma crença generalizada, não há necessidade de impedir que a criança adormeça depois de um trauma na cabeça. Nos casos em que a criança se assustou e chorou com muita intensidade é normal ela se sentir sonolenta e querer dormir/descansar logo em seguida. O que deve ser monitorado nesses casos é se o tempo e o padrão de sono estão dentro dos hábitos normais da criança. No caso de sonolência imediata e/ou excessiva após o trauma, bem como de quaisquer outros sinais de alerta de anormalidade (como os apontados na lista abaixo), a ajuda médica deve ser acionada.

QUANDO PROCURAR AJUDA MÉDICA

  • Impacto de alta energia (impacto forte na cabeça ou em qualquer região do corpo);
  • Queda de mais de 1m de altura em crianças menores de 2 anos;
  • Queda de mais de 1,5m de altura em crianças maiores de 2 anos;
  • Ser atingido na cabeça por projétil em alta velocidade;
  • Acidente automobilístico ou atropelamento;
  • Perda de consciência (desmaio) ou sonolência excessiva após o trauma;
  • Convulsões após o trauma;
  • Amnésia (perda de memória);
  • Vômitos após o trauma;
  • Fratura craniana (a confirmação de uma fratura do crânio tem de ser sempre feita com base num exame de imagem, mas pode ser suspeitada sempre que houver um afundamento ósseo ou um hematoma mole, pois, geralmente, depois do traumatismo surge um hematoma duro);
  • Alterações neurológicas (perda de força de um membro, alteração na fala, desequilíbrio, pupilas com tamanhos assimétricos, etc.);
  • Perda de líquido ou sangue pelo nariz e/ou pelos ouvidos.

Essa publicação foi atualizada em 6 de julho de 2019 08:50

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