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Conheça a doença que é alvo da campanha do balde de gelo

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Simone Amorim,
neurofisiologista e neurologista infantil

Com tantos “banhos” de gelo tornando-se virais nas redes sociais, celebridades de todos os calibres conseguiram o grande feito de chamar a atenção, em nível mundial, para a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) – doença neurológica degenerativa e potencialmente fatal. Aqui da nossa parte, como profissionais de saúde que lidam diretamente com esses quadros, a melhor forma de contribuir, neste momento, é nos esforçarmos para levar mais informações e esclarecimentos sobre a patologia.

A ELA é causada pela perda de células nervosas (neurônios) do corno anterior da medula (formação de matéria cinzenta que fica no interior da medula espinhal). Essas células são as responsáveis pelo controle dos movimentos do corpo e, por isso, esse é o principal comprometimento causado pela doença.

Esquema mostra como é o interior da medula, onde há a perda de células nervosas pelos pacientes que sofrem de Esclerose Lateral Amiotrófica.

A doença é esporádica na grande maioria dos casos, ou seja, a falha neurológica acontece aleatoriamente, sem necessariamente haver uma alteração genética determinante para isso. Porém, uma menor parte dos pacientes apresenta a ELA familiar, isto é, com causa genética para o surgimento do quadro. O início da doença pode ocorrer de forma lenta e assimétrica, na qual predomina a perda de força em algum membro. Não raro, a mão é a primeira afetada, sendo que a perda evolui progressivamente para os demais músculos, afetando posteriormente também a respiração, mastigação, deglutição e movimentação dos olhos.

De uma forma geral, não há alteração cognitiva ou perda da sensibilidade. O caso mais famoso de um paciente com ELA é do cientista britânico Stephen Hawking, um gênio da área da Física e da Cosmologia.

O diagnóstico da doença nem sempre é fácil e pode levar meses para ser feito. Por isso, é imperativo traçar uma história clínica detalhada do paciente e realizar o exame neurológico completo, a fim de procurar por fraqueza e atrofia de algum músculo ou grupos musculares.

O exame de eletroneuromiografia, que é uma extensão do exame neurológico, é capaz de apontar para uma doença do corno anterior da medula. Com essa investigação, o neurologista terá maiores condições de fazer o diagnóstico de ELA.

Infelizmente, a ELA ainda é uma doença sem cura, mas cuidados paliativos e de suporte de vida têm prolongado a vida de muitos pacientes, tendo sempre como objetivo a melhoria de sua qualidade de vida.

Para ajudar a Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica, acesse o site: http://www.abrela.org.br/default.php?p=texto.php&c=ela

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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