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Conheça os principais sintomas da enxaqueca

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Muitas pessoas, quando sentem alguma dor de cabeça, dizem logo que estão com enxaqueca. Nas novelas, também são comuns as referências à doença, mas de uma maneira superficial – e, muitas vezes, como uma desculpa para se fugir de compromissos. Nada disso contribui para uma visão realista sobre a realidade enfrentada pelos pacientes, que sofrem com um grande conjunto de sintomas, que vão muito além de “uma dorzinha de cabeça”.

As crises de enxaqueca envolvem uma série de sintomas que impactam diversas áreas da vida

A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica a enxaqueca como a segunda doença mais incapacitante do mundo (perdendo apenas para as sequelas de AVC), devido aos inúmeros prejuízos que ela traz para a produtividade. Em todo o planeta, estima-se que pelo menos uma a cada sete pessoas tenham a patologia.

Pouco a pouco, temos visto mais campanhas e ações de conscientização sobre o assunto. Isso tem sido ótimo para dar voz aos pacientes, servindo também para esclarecer sobre o caráter crônico do quadro: a enxaqueca NÃO tem cura, mas hoje em dia já conta com tratamentos que promovem um controle eficiente – destaque aqui para a terapêutica com toxina botulínica, que tem nível de evidência A nesse sentido.

A depender da intensidade e da frequência com as quais as crises acontecem, o impacto na qualidade de vida pode ser devastador. Por isso, quanto mais cedo é feita a investigação diagnóstica e iniciado o tratamento, melhor.

Sendo assim, a recomendação atual é para que, diante da suspeita da doença, um especialista no assunto seja logo acionado para realizar as devidas avaliações.

Três episódios ou mais de dores de cabeça, por um período consecutivo de três meses ou mais, já se configuram motivos mais do que suficientes para a procura de um neurologista. Além disso, é muito importante observar os sintomas associados às crises, pois eles também são importantes pistas diagnósticas para os médicos.

“A enxaqueca é uma desordem neurológica que acontece ao nível dos neurotransmissores. Isso envolve uma série de sintomas que podem ocorrer antes, durante ou até mesmo após o surgimento da dor propriamente dita” explica a neurofisiologista e neurologista Simone Amorim, especialista em tratamentos com toxina botulínica na área neurológica.

A médica ressalta que, muitas vezes, é difícil para as pessoas fazerem a correlação entre alguns sintomas, que, no fim das contas, estão todos relacionados ao quadro enxaquecoso.

Dra. Simone: uma criteriosa avaliação diagnóstica é o ponto de partida para tratar a enxaqueca

“Uma crise de enxaqueca pode durar vários dias, com uma série de manifestações que estão correlacionadas. Em geral, o paciente passa por quatro fases: o pródomo (sinais que precedem a chegada da crise), a aura (alterações sensoriais), a dor e o pósdromo (estado físico que sucede as crises). Para identificar essas ocorrências é preciso uma investigação diagnóstica atenta a todas as queixas do paciente, à frequência e característica das crises, além de exames que descartem outros quadros”, detalha a especialista.

Alguns dos principais sintomas da Enxaqueca

  • DOR – A enxaqueca é um tipo de dor de cabeça, classificada como sendo uma cefaleia primária (quando a dor é a própria doença), com características muito específicas: dor intensa e pulsátil, geralmente localizada em um dos lados da cabeça (embora também possa ocorrer simultaneamente de ambos os lados) e atrás dos olhos. A sensação dolorosa pode durar até 72 horas, com níveis de intensidade que podem aumentar e diminuir ao longo da crise e não serem iguais em todos os episódios. Esforços físicos e movimentos da cabeça costumam agravar a dor.
  • INTOLERÂNCIA A CHEIROS – Cheiros em geral são um desafio para o enxaquecoso. Da fumaça do cigarro aos mais caros perfumes, passando pelos produtos de limpeza, cada paciente costuma ter a sua lista de intolerâncias nesse sentido. Antes das crises, esses odores podem funcionar como gatilhos para desencadeá-las. Durante o episódio, eles representam uma verdadeira tortura, agravando o mal-estar geral.
  • INTOLERÂNCIA AO BARULHO – Isso pode variar muito entre os pacientes, mas é muito comum que a percepção sonora fique mais sensível durante as crises de enxaqueca. Por isso, não é frescura quando uma pessoa com esse quadro chega a pedir que não se converse com ela. Com todas as alterações sensoriais experimentadas, até mesmo o som da voz humana pode ser extremamente incômodo. Música, trânsito, máquinas trabalhando e ruídos em geral, então, podem ser torturantes.
  • FOTOFOBIA – Esse é outro sintoma de alta prevalência. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), 90% dos pacientes reportam intolerância à luz durante as crises de enxaqueca. Além disso, a exposição direta à claridade intensa, sobretudo à luz solar, é um gatilho para o surgimento dos episódios de dor e mau-estar.
  • AURA VISUAL – Não são todos os pacientes que as têm, mas durante uma crise de enxaqueca podem acontecer alterações no campo visual, tais como: visão dupla (diplopia), visão de pontos luminosos, visão de pontos negros no canto dos olhos e, até mesmo, perda parcial da visão. Em geral, esses sintomas ocorrem alguns minutos ou até horas antes da chegada da dor de cabeça, podendo ou não permanecer durante toda a crise. Apesar de ser mais raro, também pode acontecer de o paciente ter a aura, mas não vivenciar a dor de cabeça.
  • NÁUSEA – O enjoo e aquela sensação geral de mal-estar normalmente estão presentes nas crises de enxaqueca. A náusea pode preceder a chegada da dor e costuma agravar-se durante a crise, podendo ainda permanecer, numa forma mais branda, após o pico da dor.
  • VÔMITOS – Também não são raros os casos de pacientes que chegam a vomitar durante as crises de enxaqueca. E muitos referem, inclusive, que sentem algum alívio com isso. Talvez por isso, algumas pessoas tenham até certa dificuldade em aceitar que essas ocorrências estão relacionadas à existência de uma doença crônica, pois, para elas, fica a impressão de um mal-estar pontual, relacionado à má-digestão de algum alimento, por exemplo. Mas, muitas vezes, trata-se mesmo é da tão temida migrânea!
  • TONTURA/VERTIGEM – Essas sensações também acometem muitas pessoas que sofrem de enxaqueca (25% a 30% dos pacientes), podendo também ocorrer de forma dissociada dos episódios de dor e com duração que pode ir de algumas horas até várias semanas, desaparecendo por um tempo. Isso muitas vezes faz com que se deixe de investigar a presença da doença, retardando o diagnóstico e o início do tratamento.
  • DORMÊNCIAS E FORMIGAMENTOS – Antes ou durante uma crise de enxaqueca, muitos pacientes relatam sensações de dormência ou formigamentos em áreas do corpo, principalmente nas extremidades, como ponta dos dedos, mãos e pés. Isso está relacionado aos desequilíbrios a nível de neurotransmissores que acontece no organismo das pessoas que sofrem dessa patologia. Para os pacientes, as chamadas parestesias (dormências e formigamentos) podem ser bastante assustadoras, principalmente quando surgem associada aos quadros de dor, náuseas e mal-estar geral. Mas, a priori, esse sintoma não é um indicativo de complicações.

Todas as queixas do paciente devem ser investigadas, para que se confirme o diagnóstico da enxaqueca e se descarte a presença de outras doenças.

Essa publicação foi atualizada em 25 de agosto de 2019 17:31

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