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Convulsão febril é comum até os 5 anos

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Por Simone Amorim,
Neurologista Infantil

Apesar de deixar os pais assustados, a convulsão febril (CF), até os 5 anos de idade é, geralmente, um quadro comum e benigno. Isso quer dizer que não altera o desenvolvimento neurológico da criança e, por si só, não causa sequelas nessa área.

O evento convulsivo que ocorre durante a vigência da febre é a resposta de um cérebro imaturo (em desenvolvimento) à elevação súbita da temperatura corporal. A subida de um grau na temperatura do corpinho da criança causa alteração no metabolismo cerebral, um quadro perfeitamente comum no cérebro até o quinto ano de vida, sendo que fatores genéticos podem estar envolvidos na propensão da criança apresentar a convulsão. Por isso, não raro existe história familiar positiva para este quadro – ou seja, os pais já tiveram CF alguma vez na infância.

Diante de uma CF da criança, os pais devem se manter calmos – apesar da aparência do quadro convulsivo muitas vezes ser angustiante -, pois um episódio desses não é sentença de que se passa algo grave ou que deixará sequelas. Nada de pânico, portanto.

Dito isso, com a finalidade de tranquilizar os pais, não se está querendo dizer aqui que as crises convulsivas dispensem cuidados e atenção médica. Levar a criança ao médico após a primeira crise é importante, pois esse profissional saberá identificar quais são as situações e variações que exigem uma investigação mais profunda, além de quando e se há indicação para a internação da criança.

Bebês até por volta dos 2 anos de idade, por exemplo, que apresentem crise convulsiva durante um episódio de febre, sem historia prévia de convulsão febril na família, devem ser investigados, de forma a afastar alguma doença infecciosa, principalmente as doenças do sistema nervoso central, como meningites e menigoencefalites.

Só o pediatra ou o neurologista infantil poderão fazer as avaliações necessárias para o diagnóstico diferencial entre um quadro benigno de convulsão febril e outro mais grave de crise convulsiva secundária a um processo infeccioso do sistema nervoso central.

Assim, o mais importante é que pais e cuidadores, de uma forma geral, saibam como agir na prevenção das CF e como proceder diante de um quadro convulsivo. A seguir, algumas perguntas e respostas para ajudar pais, familiares e educadores, de uma forma geral, diante desses casos:

Como reconhecer uma crise convulsiva?

Em geral, as crises convulsivas febris – que são as chamadas clinicamente de crises tônico-clônicas generalizadas – incluem abalos dos quatro membros (braços e pernas), alteração do nível de consciência, desvio ocular, sialorreia (salivação excessiva) e, por vezes, liberação esfincteriana (eliminação de fezes e/ou urina durante a crise). Geralmente ela é de curta duração, com menos de 1 minuto.

Como deve proceder o adulto diante de uma criança em convulsão febril?

O quadro muitas vezes é assustador, mas o adulto deve sempre manter a calma e procurar deixar a criança em local confortável; suas roupas devem ser afrouxadas e ela deve ficar em decúbito lateral (deitada de lado) – assim, caso ela vomite, não correrá o risco de broncoaspirações (aspirar o vômito).

O que não fazer durante a crise:

  • Não é recomendável sacudir a criança, soprar seu rosto, passar álcool, vinagre ou outras substâncias voláteis no rosto ou no corpo.
  • Também não se deve tentar abrir a boca ou segurar a língua.

A criança pode dormir depois da crise?

Em geral, a crise não dura mais que 1 minuto e, logo após, poderá haver um período breve de sonolência, com retorno à normalidade em período curto de tempo. Não tem problema deixar a criança dormir após uma convulsão.

É correto dar medicamento durante ou após uma convulsão?

Durante a crise, não é recomendado tentar administrar nenhuma medicação. Passado o momento da crise, se a temperatura permanecer alterada, pode ser administrado um antitérmico.

Porém, com o controle da temperatura, muitas vezes, evitam-se as crises convulsivas. Pais de crianças com histórico de CF são orientados a manter, sempre à mão, medicação antitérmica de sua preferência e medicar a criança tão logo se observe elevação de temperatura, mesmo que mínima. Um banho morno também está indicado.

Logo após uma crise, na grande maioria das vezes, não há necessidade de medicação anticonvulsivante, ou mesmo de tratamento diário contínuo com estas medicações.

A criança pode morrer durante uma convulsão?

A CF, normalmente, é rapida e benigna, não dura mais que um minuto e não tem risco de morte. Caso a crise se prolongue por mais de 10 minutos, é importante que a criança seja levada ao pronto-socorro mais próximo.

E se a criança sofrer a convulsão durante a noite, sem que ninguém veja?

Algumas crises convulsivas podem acontecer durante o sono.

Para tranquilidade dos pais, quando a criança estiver em estado febril, é interessante monitorar a temperatura ao longo do sono, verificando-a algumas vezes e administrando o antitérmico (naturalmente respeitando-se os limites de dosagem e intervalos orientados pelo pediatra), ou banho, em caso de elevação da temperatura.

Como dito anteriormente, as crises convulsivas tendem a ser breves e muitas vezes podem até passar despercebidas. Em outras situações, algum ruído poderá ser proferido e os ouvidos atentos de pais e mães saberão distingui-lo, para que sejam tomadas, sobretudo, as medidas para deixar a criança confortável durante a crise.

Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 15:38

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Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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