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Criança também pode ter pressão alta

Por Ana Catarina Macedo,
Pediatra e nefrologista infantil

Poucas pessoas sabem, mas as crianças também podem ter hipertensão arterial, a conhecida “pressão alta”.

Nas crianças que têm hipertensão arterial, na maioria das vezes, a causa é secundária; ou seja, a hipertensão é causada por uma outra doença ou distúrbio preexistente.

Dentre as doenças e circunstâncias causadoras da hipertensão pediátrica encontramos, por exemplo:

  • Infecções urinárias repetidas, com pielonefrite crônica (as crianças podem adiquirir “cicatrizes” renais, podendo desenvolver hipertensão);
  • Doenças renais agudas e crônicas;
  • Doenças renais hereditárias (doença renal policística, por exemplo) e doenças renais congênitas;
  • Doenças cardíacas ou vasculares (coarctação da aorta, estenose de artérias renais);
  • Doenças endócrinas e alterações hormonais (hipertireoidismo, por exemplo);
  • Uso oral prolongado de medicamentos  contendo corticoides, entre outras causas.

Numa pequena porcentagem, que infelizmente vem crescendo entre os adolescentes, encontramos a hipertensão decorrente da obesidade (na maioria das vezes aliada ao sedentarismo e ao consumo excessivo de sal).

O diagnóstico de hipertensão é feito pela medida da pressão arterial, sendo necessário medir a pressão em três ocasiões distintas para confirmar a hipertensão.

Diferente dos adultos, as crianças não têm um valor único de referência para a pressão arterial. A pressão adequada varia conforme o sexo, a estatura e a idade de cada um. Após a confirmação do quadro é que se pode investigar a causa e estabelecer o melhor tratamento.

A medida de pressão arterial é recomendada em todas as crianças a partir dos 3 anos de idade – ou antes, se a criança tiver antecedente de prematuridade, baixo peso ao nascer, doença renal, cardíaca ou pulmonar conhecidas.

Uma demonstração de como deve ser feita a medição da pressão arterial em bebês durante a consulta pode ser conferida neste vídeo que gravei como exemplo:

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