Depressão é uma doença e exige tratamento especializado

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Ir em busca de ajuda diante dos indícios de uma depressão é um passo importantíssimo para prevenir os efeitos devastadores da doença. Nesse processo, a rede de apoio formada por amigos e familiares é, sem dúvida, um fator que pode fazer toda a diferença, mas também é fundamental ter em mente que o quadro exige um suporte especializado, pois não se trata de um diagnóstico banal e, tampouco, de um tratamento que funciona da mesma maneira para todos os casos.

Os transtornos psicoemocionais têm diversas nuances e variações. Isso exige atenção por parte do especialista quanto aos sintomas e o histórico clínico do paciente, bem como um acompanhamento contínuo, para observação de sua evolução e a realização dos ajustes necessários no tratamento.

Depressão não é algo que se resolve apenas com “bons conselhos” e artifícios para “se distrair”. Embora um estilo de vida saudável e atitudes positivas possam contribuir para a melhora, tanto os desequilíbrios neuroquímicos, quanto as implicações psicológicas envolvidas no transtorno exigem abordagens profissionais.

Cuidado com o diagnóstico

Um transtorno depressivo nem sempre apresenta sintomas visíveis e, mesmo quando o faz, nem sempre eles são o que parecem. Metade dos casos diagnosticados inicialmente como depressão clássica, por exemplo, acaba por ser, na verdade, de transtorno bipolar – um tipo específico de transtorno psicoemocional, que requer uma conduta terapêutica muito cautelosa, que leve em consideração as oscilações de humor entre o estado depressivo e a euforia.

Muito confundido com a depressão clássica, o transtorno bipolar exige um tratamento específico para as suas oscilações de humor

Em geral, um bom controle do transtorno bipolar envolve, além do suporte psicoterápico, o uso de estabilizadores de humor – que podem ou não vir a ser associados com antidepressivos, conforme as prescrições médicas, que muitas vezes vão sendo ajustadas ao longo do tratamento. Nesses casos, os especialistas alertam para o risco de agravamento do quadro, em caso de uso indevido de medicações ou de suspensão das mesmas, por conta própria.

Essa atenção a um diagnóstico assertivo e a um acompanhamento atento da evolução do paciente também está presente nos casos tratados por meio da Neuromodulação (Eletroestimulação Transcraniana – EMT) – um procedimento cada vez mais utilizado no tratamento dos quadros de depressão, devido à sua rápida e comprovada eficácia.

Tratamento de primeira linha

A EMT age por meio de ondas eletromagnéticas que estimulam (ou “acalmam”) determinadas áreas do cérebro, relacionadas com os transtornos depressivos – são áreas que, a depender do quadro apresentado pelo paciente, encontram-se inibidas ou hiperestimuladas, gerando desequilíbrios ao nível dos neurotransmissores.

A Neuromodulação (EMT) para o tratamento da depressão é feita sob orientação do neurologista e/ou pelo psiquiatra do paciente

“A Neuromodulação é considerada hoje como um tratamento de primeira linha contra a depressão. O seu uso obedece a um protocolo rigoroso, que inclui um atento acompanhamento clínico do paciente”, explica a diretora clínica da Vita, Simone Amorim, salientando que essa assistência é feita pelo neurologista e/ou pelo psiquiatra, que indicam a modulação precisa a ser trabalhada, conforme a sintomatologia apresentada pelo paciente.

O número de sessões de EMT pode variar, conforme cada caso. O programa é definido pelo médico especialista na técnica, a partir da avaliação do paciente, do histórico clínico e do acompanhamento da sua evolução. Mas, em média, o tratamento é feito com 20 sessões, podendo variar para mais ou para menos.

Suporte psicoterapêutico

O suporte psicoterapêutico é outra frente muito importante no tratamento dos transtornos depressivos, podendo ser associado ao tratamento medicamentoso e também à EMT. Em muitos casos, o paciente também pode seguir somente com a Psicoterapia. Porém, a indicação da melhor conduta, de acordo com cada situação, deve ser feita por especialistas no assunto.

O suporte psicoterapêutico é muito importante nos tratamentos contra a depressão, podendo também ser associado a outras ações

Sem tratamento ou abordados de forma equivocada, os transtornos depressivos implicam em sérios riscos para a saúde global e, até mesmo, para a vida do paciente. A espiral de sofrimento (e de tentativas de se livrar dele) muitas vezes envolve situações de alto risco, como comportamentos compulsivos (distúrbios alimentares, abuso de álcool, consumo de drogas, compulsões sexuais, etc.), automutilação e, em casos extremos, o suicídio.

Estimular a busca por ajuda especializada é a melhor forma de ajudar alguém que está passando por um transtorno psicoemocional. Não julgar, não estigmatizar e não culpar a pessoa pela doença também são posturas muito importantes a serem adotadas.

Essa publicação foi atualizada em 25 de agosto de 2019 15:19

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