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Depressão: o que esperar dos tratamentos disponíveis?

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Pouco a pouco, cresce entre a população a percepção da depressão como uma doença. Mas esse avanço muitas vezes recua, quando as pessoas descobrem que não existe um remédio específico ou um programa terapêutico único, que sirvam para todos os casos.

Embora atualmente existam medicações muito eficazes e procedimentos de primeira linha, como a Estimulação Magnética Transcraniana (EMT), o tratamento da depressão envolve muitos cuidados na avaliação, e as decisões sobre as terapêuticas a serem adotadas devem ser tomadas em conjunto entre o médico e o paciente, podendo também envolver os seus familiares mais próximos. A adesão da pessoa assistida ao plano de tratamento é um ponto importantíssimo para o sucesso do mesmo.

Sabemos hoje que disfunções neuroquímicas estão envolvidas nos quadros depressivos. Mas é preciso lembrar que há importantes componentes psicoemocionais envolvidos nesse processo, sendo que, em geral, não é possível precisar se foi a química cerebral que primeiro afetou o humor e as emoções, ou se foi o contrário.

Portanto, tanto o histórico clínico, como a história de vida do paciente farão toda a diferença para a proposição de uma linha de tratamento. Linha esta que deve estar sempre aberta a ajustes e correções de rota, conforme os feedbacks apresentados pela pessoa – que, por sua vez, deve também estar ciente de que tanto medicações, como o processo psicoterápico e, até mesmo, a EMT, têm os seus tempos específicos para apresentarem efeitos.

Abordagens possíveis

Hoje, existem várias alternativas terapêuticas cientificamente reconhecidas e seguras para o tratamento da depressão. Quase sempre, essas abordagens podem (e devem) ser combinadas, para que, concomitantemente, se consiga ajustar tanto o funcionamento neuroquímico, quanto trabalhar as questões psicológicas e elaborações emocionais importantes para a superação do quadro. Vejamos algumas das principais:

Tratamento medicamentoso

Há vários tipos de medicamentos para o reequilíbrio neuroquímico, que contribuem diretamente para melhorias nos estados de humor e nas respostas emocionais do paciente. A forma de ação, bem como os efeitos colaterais, variam muito, cabendo somente ao médico (em geral, o psiquiatra ou o neurologista) avaliar qual a composição mais indicada para cada caso. Após a prescrição, é essencial que o paciente seja acompanhado, para que, mediante a sua evolução, a medicação seja mantida ou ajustada.

Outros dois pontos importantíssimos no tratamento medicamentoso são: a noção de que os efeitos benéficos NÃO são imediatos (em geral, são necessárias pelo menos duas semanas para que comecem a aparecer) e a de que o uso deve ser feito RIGOROSAMENTE conforme a prescrição médica (seguindo horários e dosagens recomendadas) e JAMAIS deve ser interrompida sem o conhecimento do especialista.

Psicoterpia

É um processo clínico, cujo formato pode variar conforme a linha de trabalho do psicoterapeuta (profissional graduado em Psicologia), sendo que hoje a Terapia Comportamental Cognitiva (TCC) é especialmente indicada para os quadros de depressão, devido à sua abordagem objetiva, que possibilita resultados mais “imediatos”. Contudo, é preciso ter a clareza de que o tempo de resposta varia conforme cada paciente e que o mais importante é o paciente se sentir confortável com a abordagem/linha de trabalho proposta pelo psicoterapeuta.

EMT / Neuromodulação

A técnica consiste em estimular o cérebro, por meio de pulsos eletromagnéticos, trabalhando o sistema regulador do humor. De forma geral, as ondas magnéticas modulam neurotransmissores (como a serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato), responsáveis por propagar os impulsos nervosos do cérebro e manter o bem-estar, aliviando assim os sintomas da depressão. O procedimento, que NÃO é invasivo, é indolor e realizado em clínica, com o paciente acordado, em sessões que duram de 20 a 30 minutos, em média.

O tratamento é feito com cerca de 20 sessões, mas esse número total, bem como o intervalo entre as sessões, variam conforme as prescrições do médico responsável. Os efeitos podem surgir já após a primeira sessão, mas o esperado é que se tornem mais visíveis à medida que o paciente avança no tratamento, que pode ou não ser combinado com outras abordagens (como o tratamento medicamentoso e a Psicoterapia). Para saber mais sobre esse procedimento, clique aqui.

Participação do paciente

Como doença multifatorial que é, a depressão exige diagnóstico e acompanhamento PROFISSIONAL, ficando o médico psiquiatra e/ou neurologista responsável pela prescrição – quando julgar necessário – de medicações e de procedimentos como a Neuromodulação (EMT), e o psicoterapeuta, por sua vez, pelo acompanhamento psicoterápico. Mas a adesão do paciente é também parte importantíssima em todo esse processo.

Aceitar-se como alguém que está enfrentando uma doença é o primeiro grande passo. A seguir, vem a compreensão sobre a dinâmica e as implicações sobre o quadro.

Na grande maioria dos casos, além das medicações e procedimentos clínicos propostos, o paciente também é incitado a empreender mudanças que o afastem das condições que propiciam ou favorecem o estado depressivo – sendo o suporte psicoterápico muito importante para que isso seja feito dentro do tempo e das possibilidades do paciente.

Hábitos de sono, prática de atividades físicas, lazer, atividades sociais, relações interpessoais, alimentação, consumo de álcool e de outras substâncias psicoestimulantes são exemplos de algumas condições que podem ter impacto sobre o quadro depressivo. Em geral, a proposta não é mudar o mundo à volta da pessoa, mas modificar a maneira como ela se relaciona com o ambiente à sua volta, para não se deixar adoecer.

Essa publicação foi atualizada em 24 de setembro de 2019 16:21

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