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Desafios no diagnóstico da dislexia

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Vários quadros que levam a dificuldades na adaptação escolar costumam ser confundidos com dislexia.

Avanço por um lado, sinal de alerta por outro. Nos últimos anos, a dislexia entrou em definitivo para o vocabulário de pais, professores e educadores em geral, expandindo a noção de que esse problema afeta um número grande de estudantes e de que isso exige atenção e didáticas específicas. Esse é o dado positivo.

O ponto negativo é o risco de banalização do diagnóstico que, conforme alertam os especialistas, é bem mais complexo do que pode parecer à primeira vista e exige diversos filtros multidisciplinares, antes de uma conclusão definitiva.

A neurologista infantil e neurofisiologista Simone Amorim, diretora clínica da Vita, explica que um diagnóstico seguro para a dislexia normalmente se dá após a investigação de exclusão de outros quadros que possam interferir na capacidade cognitiva e/ou de adaptação escolar do aluno.

Por isso, os casos suspeitos exigem avaliações fonoaudiólogicas, psicológicas e neuropsicológicas, além do acompanhamento pelo neurologista infantil.  A fonoaudióloga Joyce Fialho, por sua vez, ressalta que tanto a falta do diagnóstico quanto um diagnóstico equivocado geram imensos desgastes emocionais, psicológicos e materiais para a família do paciente.

“A dislexia está classificada dentro do que chamamos de Transtornos Específicos de Aprendizagem. É uma condição neurobiológica que, embora afete a adaptação escolar, não está associada a um baixo desempenho intelectual ou distúrbios de humor, por exemplo. Chamamos atenção para isso porque existem muitos quadros que parecem se tratar de transtornos de aprendizagem, mas que, na verdade são de outra ordem, exigindo tratamentos e abordagens completamente diferentes”, detalha Joyce.

Segundo ela, uma criança com suspeita de dislexia deve ser avaliada nos seguintes níveis: funções neurológicas (pelos neuropediatras), auditivas (pelo fonoaudiólogo), cognitivo e emocional (pelo neuropsicólogo) e visuais (pelo oftalmologista), desempenho de leitura e escrita (pelo psicodedagogo ou pelo fonoaudiólogo) e nível de linguagem oral (pelo fonoaudiólogo).

“Esse é um processo que envolve diversas etapas de avaliação e testes. Além disso, o diagnóstico não deve ser fechado antes do 9 anos de idade, porque a criança ainda estará em desenvolvimento da maturação neurológica e das vias auditivas. Mas é fundamental que o acompanhamento do paciente com suspeita de dislexia inicie o mais cedo possível, permitindo um melhor acompanhamento da sua evolução, assim como abordagens terapêuticas mais assertivas”, destaca a fonoaudióloga.

Dessa forma, a dica das especialistas é que a ajuda especializada seja acionada tão logo seja percebido qualquer sinal de dificuldade na adaptação ou no acompanhamento escolar, o que poderá ocorrer antes mesmo das fases de alfabetização. Demoras na aquisição da linguagem ou persistência em trocas fonéticas, por exemplo, são sinais precoces que podem indicar para o Distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC), quadro que mais tarde pode ser, equivocadamente, confundido com dislexia, devido às dificuldades que o aluno apresentará no desempenho escolar.

SAIBA MAIS SOBRE A DISLEXIA

– Dislexia é uma condição neurobiológica vitalícia que afeta a aprendizagem da leitura e da escrita, independente do idioma;

– Essa condição está classificada dentro dos chamados Transtornos Específicos de Aprendizagem – são transtornos do neurodesenvolvimento, que apresentam forte componente hereditária;

– As dificuldades de leitura e de escrita dos disléxicos NÃO estão associadas a um baixo desempenho intelectual, a deficiências sensoriais, a desvantagens socioeconômicas, a problemas emocionais, a oportunidades educacionais inadequadas ou a faltas freqüentes à escola;

– Justamente por isso, todas essas variáveis devem ser investigadas em um quadro suspeito de dislexia, pois é a partir da exclusão de déficits ou comprometimentos nessas áreas que o diagnóstico pode avançar de forma segura e assertiva para a dislexia;

– Os primeiros sinais da dislexia ocorrem no contexto escolar, mas perduram ao longo de toda a vida;

– O acompanhamento da criança com dificuldades de aprendizagem e/ou adaptação escolar deve ser iniciado o mais precocemente possível, sendo que o diagnóstico conclusivo para dislexia não deve ser fechado antes dos 9 anos – porque até essa idade a criança ainda está passando pelo processo de maturação das estruturas neurológicas e das vias auditivas.

Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 15:43

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Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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