Dez coisas que os pais devem saber sobre dislexia

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O seu filho tem problemas na escola? Sabia que ele pode ter dislexia? A cada 100 alunos, 4 são disléxicos, ou seja, conforme as estatísticas mundiais, 4% da população em todo o mundo têm dificuldade para aprender a ler e a escrever e lidam com esse problema ao longo de toda a sua vida. Os números são mais que suficientes para que o assunto seja abordado com atenção e uma boa oportunidade começa agora, durante a Semana da Dislexia, que vai de 8 a 14 deste mês.

Muitos pais ainda têm medo do diagnóstico e boa parte dos profissionais da educação, por sua vez, também não recebem treinamento e orientação eficazes para saberem lidar com alunos com essa condição. Preparamos para o Blog da Vita uma série com 10 perguntas e respostas sobre o transtorno, com a orientação das neurologistas infantis Cecília Pelegrini e Simone Amorim. Para aqueles que lidam com a educação de crianças e jovens, esperamos que este seja só o estímulo inicial para que busquem cada vez mais informações e ajudem a esclarecer sobre o tema.

1. O que é dislexia?

A dislexia também é conhecida como transtorno da leitura e da escrita. Portanto, ela tem a ver com a dificuldade do indivíduo em decodificar símbolos e, por isso, ela afeta tanto a vida das crianças em idade escolar.

2. Qual é a causa desse transtorno?

No cérebro há uma série de circuitos responsáveis pelas conexões entre as células do sistema nervoso, as chamadas sinapses. Nos disléxicos, ocorre uma falha, ainda durante a gestação, na migração das células que irão formar esses circuitos. Isso vai provocar dificuldade em fazer as informações transitarem de maneira adequada justamente na área cerebral responsável pela leitura e escrita e, por isso, o disléxico tem dificuldade em lidar com essas atividades.

3. Isso afeta a inteligência da criança?

Definitivamente, não. Entretanto, a dificuldade encontrada para o aprendizado da leitura e da escrita pode ser um grande fator de desmotivação para a criança, fazendo com que seu interesse pela escola caia, o que dificulta ainda mais o seu rendimento. Muitas vezes, somado a isso está o despreparo de pais, professores e educadores de uma forma geral, que não desconfiam da hipótese de o aluno ser disléxico e, quando há o diagnóstico, não sabendo lidar de forma eficaz com o quadro. Tudo isso pode ser bastante traumático para a criança, afetando o seu desempenho, o seu desenvolvimento e sua autoestima.

4. Existem exames para saber se a pessoa é disléxica?

Existem avaliações clínicas, que devem ser feitas pelo neurologista infantil ou neuropsicólogo que apontarão se de fato a criança tem ou não dislexia. Um aluno que apresenta dificuldade em sala de aula não pode simplesmente ser apontado como disléxico por puro “achismo”, por mais que os educadores estejam já acostumados a trabalhar com crianças com quadros semelhantes. O procedimento correto é sempre submetê-lo à avaliação clínica, pois a dificuldade na leitura e na escrita pode vir de outros fatores, como o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, autismo ou até mesmo algum déficit cognitivo de fato.

5. A dislexia tem cura?

Não. Esta é uma condição genética, com a qual o indivíduo já nasce e que irá acompanhá-lo pelo resto da vida. Mas é importantíssimo ressaltar que uma abordagem do ponto de vista psicopedagógico e o correto acompanhamento clínico fará com que esta criança seja capaz de desenvolver estratégias para lidar com as suas dificuldades na leitura e na escrita. A partir daí, ela terá tantas possibilidades quanto qualquer outra criança de se desenvolver normalmente e tornar-se brilhante em diversas áreas.

6. Basicamente, como são essas estratégias?

Por exemplo: como para o aluno disléxico é mais difícil fazer anotações enquanto assiste à aula, uma estratégia pode ser gravar as explicações do professor. Os recursos tecnológicos devem ser sempre analisados como forma de ajudar esses estudantes. Softwares de leitura para deficientes visuais também podem ser úteis para ajudar nos estudos.

Para além disso, alguns exercícios, como escrever e ler palavras em cartões, ajudam a promover a automatização do sistema de leitura. Essa é uma forma de atacar especificamente a dificuldade no trato com os textos, que, embora não venha a ser superada, pode ser minimizada.

7. É possível saber desde cedo se a criança tem dislexia?

Geralmente o quadro evidencia-se quando a criança entra na escola e começa a ser alfabetizada, mas pode ser antes. Demorar demais para aprender os nomes das letras ou as confundir muito, por exemplo, pode ser sinal de que há algum problema. Mas é preciso cuidado para não confundir isso com as dificuldades normais do aprendizado. Assim, é aconselhado esperar cerca de dois anos após o início da fase de alfabetização para fechar o diagnóstico, mas sempre é importante estar atento à adaptação da criança e recorrer a um profissional qualificado em caso de dúvida e para que os problemas, sejam eles quais forem, sejam superados sem traumas.

8. Pessoas com dislexia terão problemas em outras áreas?

O transtorno é específico da leitura e da escrita, mas há casos também em que o indivíduo apresenta dificuldades com a sua orientação especial ou com o entendimento de símbolos e informações gráficas em geral.

Porém, o disléxico não apresenta dificuldades na linguagem oral e compreende bem o que escuta. Geralmente, também não há dificuldade em entender ou fazer desenhos, porque isso depende de um circuito cerebral diferente. Essas outras habilidades podem ser exploradas e estimuladas para ajudar no aprendizado e no desempenho do aluno com dislexia.

9. É verdade que os disléxicos têm habilidades especiais em campos como o das artes e música?

A habilidade nesses campos independe da dislexia. Pode haver disléxicos com e sem habilidades nessas áreas. O que muitas vezes acontece é que, quando a dislexia é identificada logo cedo, a pessoa acaba escolhendo áreas de interesse que não envolvem leitura, como as artes ou os cálculos.

10. Se não for tratada, a dislexia pode piorar com o tempo?

A dislexia em si não piora. O que ocorre é que, uma vez não recebendo o devido acompanhamento, o indivíduo vê-se cada vez mais frustrado no seu desempenho escolar e, até mesmo, na sua vida social, o que leva muitas vezes a desajustes nas suas interações, ao desinteresse pelas atividades e toda uma série de comportamentos que dificultam ainda mais o pleno desenvolvimento. Além disso, quando a pessoa está sob pressão ou quando aumenta a demanda pelas habilidades que a dislexia compromete (se o disléxico é pressionado para ler cada vez mais rápido na escola, por exemplo), talvez o quadro possa parecer estar mais acentuado.

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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