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Diagnóstico e tratamento da enxaqueca

2013-11-06T00:00:00+00:00 6 de novembro de 2013|Destaques, Neurorreabilitação, Notícias|0 Comments

botox enxaquecaNão há um remédio que cure a enxaqueca. O que existe hoje são medicamentos que aliviam a dor e o mal-estar. Entretanto, um tratamento que vem sendo considerado padrão ouro em termos de prevenção das crises é o que envolve injeções de toxina botulínica (TB).

Aplicada em até 30 pontos específicos, diretamente em músculos da cabeça, a substância leva a uma diminuição considerável da frequência das crises e as torna muito mais brandas. Há casos de pacientes que chegam a ficar oito meses sem episódios de dor e, quando os têm, relatam uma intensidade bem menor.

Dor intensa em um ou ambos os lados da cabeça, náuseas e mal-estar geral, que se prolongam por horas e às vezes dias, atrapalhando ou impedindo completamente até mesmo as mais simples tarefas cotidianas formam o conjunto das principais características de uma crise de enxaqueca.

Especialista em Neurofisiologia, Neurologia Infantil e doutora em Neurogenética, a médica Simone Amorim, que também é diretora Clínica da Vita fala nesta entrevista para o blog sobre a investigação diagnóstica da enxaqueca e explica como funciona, basicamente, o tratamento com a toxina botulínica.

simone 1Internautas com dúvidas sobre o tema também podem deixar suas perguntas aqui no blog. Ao longo deste mês, a médica irá responder a questões sobre o assunto.

– Antes de fazer o tratamento com toxina botulínica para as dores de cabeça é preciso ter certeza se o paciente sofre mesmo de enxaqueca, não é? Quais são as condições que levam à essa certeza, já que não há exames de imagem ou laboratoriais que confirmem o quadro?

O diagnóstico da enxaqueca (migrânea crônica) é clínico, ou seja, nos baseamos nos dados da história clínica, história familiar e exame físico e neurológico do paciente. Os exames complementares como tomografia de crânio e/ou ressonância magnética de encéfalo desse paciente, via de regra, são normais.

Para o diagnóstico é feito uma anamnese (entrevista), na qual podemos detectar os sintomas clínicos que preenchem os critérios para o diagnóstico correto da enxaqueca.

Para ser considerada migrânea crônica é necessário que o doente refira os sintomas de dor há mais de seis meses; a dor pode ser pulsátil, latejante ou uma sensação de “peso”. Geralmente é unilateral, mas, em alguns casos, ela pode ser bilateral. Também pode estar associada a náuseas ou vômitos, fono ou fotofobia (incomodo com a luz ou barulho). Alterações de humor e presença de aura podem estar presentes também.

– Quanto tempo é preciso acompanhar o paciente para poder fechar esse diagnóstico?

O diagnóstico pode ser fechado já na primeira consulta, desde que o paciente preencha os critérios para enxaqueca e não apresente alterações no exame neurológico.

– Muitas pessoas que sofrem de enxaqueca temem ter algo mais grave. Quando um paciente chega com queixa de dores de cabeça, outras patologias também são investigadas?

Se a história clínica é muito clara para enxaqueca e o exame neurológico do paciente é normal, o diagnóstico pode ser feito sem a necessidade de exames de imagem.

Outras patologias de origens mais graves como tumor, má formação artério-venosa (MAV), doenças degenerativas, entre outras, apresentam alguns dados na história clínica que nos fazem suspeitar dessas possibilidades e anormalidades; no exame neurológico, quando existem, os indicativos desses problemas se revelam.

– Estatisticamente, a enxaqueca atinge mais às mulheres, não é? Mas, em termos de tratamento com a toxina botulínica, há algum grupo que notadamente responde melhor?

Não há dados que apontem quem responda melhor para toxina, ambos os sexos respondem ao tratamento, talvez haja um viés devido à incidência maior de enxaqueca nas mulheres (três mulheres para cada homem), e por serem elas as mais propensas a procurarem pelo tratamento.

– A partir de que idade é que a toxina pode ser usada contra a enxaqueca?

Não existe uma idade específica. O tratamento preventivo está indicado sobretudo naqueles casos onde não há melhoras com as medicações orais. Atualmente, o tratamento com toxina botulínica é considerado de padrão ouro como droga preventiva/profilática. Hoje, os estudos se baseiam na população adulta com migrânea crônica.

– Nos seus artigos sobre o tema, você sempre lembra que são necessárias mudanças de hábito. Mas, já que a toxina age como um “relaxante muscular”, porque simplesmente outras técnicas de relaxamento – como meditação, yôga, massagens etc – não são igualmente eficazes para esses pacientes?

A administração da toxina é feita diretamente nos músculos, em pontos específicos da cabeça. Ocorre que além de agir como “relaxante muscular”, outro mecanismo importante da TB está em interagir com neurotransmissores (substâncias químicas produzidas pelos neurônios), reduzindo a liberação de substâncias álgicas (que causam dor) como a substância P.

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