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Dieta cetogênica é recomendada no controle da epilepsia

Há importantes novidades no tratamento dos pacientes epilépticos. A Liga Brasileira de Epilepsia, em seu mais novo protocolo, incorporou a indicação da dieta cetogênica nos casos que não responderam a pelo menos duas medicações anticonvulsivantes.

“Isso consolida uma nova forma de abordagem, onde há maior chance de conseguirmos o controle das crises, com menos efeitos colaterais”, ressalta a neurologista infantil e neurofisiologista Simone Amorim, diretora clínica da Vita.

Dra. Simone, diretora da Vita, junto com a sua equipe, trabalha com a indicação da dieta cetogênica nas epilpesias de difícil controle

Com reduzido teor de carboidratos e isenta de açúcares, a dieta cetogênica tem comprovado grande eficácia nas epilepsias de difícil controle, conforme apontam diversos estudos científicos, publicados nos últimos anos, a partir de acompanhamentos realizados junto a grupos de pacientes e de estudos laboratoriais.

Na Clínica Vita, o atendimento de Nutrição especializada nesse tipo de dieta já acontece há pelo menos um ano. “A gente vem acompanhando há um bom tempo todos os estudos e consensos apresentados em nível mundial a esse respeito, e logo percebemos a importância de contar com profissionais com essa capacitação em nosso Corpo Clínico. O encaminhamento de pacientes que temos feito para esse tipo de acompanhamento tem mostrado excelentes resultados”, revela Simone.

A nutricionista Lenycia Neri, que integra o Corpo Clínico da Vita, ressalta os excelentes índices de sucesso da dieta cetogênica entre pacientes epilépticos

A nutricionista Lenycia Neri, que tem mestrado em Ciências e atua no Ambulatório de Dieta Cetogênica do HC FMUSP e no Grupo de Trabalho em Nutrição de Dieta Cetogênica da Secretaria da Saúde de São Paulo, e que atualmente integra também a equipe da Vita, afirma que os pacientes costumam apresentar uma redução média de 50% na frequência dos episódios epilépticos, sendo que 25% deles chegam mesmo a apresentar resolução das crises – ou seja, passam a não ter mais convulsões, após a introdução da nova alimentação.

Segundo a especialista, melhorias significativas na parte neuropsicomotora também costumam ser observadas. “Muitos pais relatam que, com o tratamento, as crianças costumam apresentar mais agilidade e melhor coordenação motora, além de melhores níveis de atenção, de disposição e até de interações sociais”, salienta.

O mecanismo que proporciona todas essas respostas ainda não está completamente esclarecido. Mas é sabido que a redução de alimentos ricos em carboidratos e a supressão dos açúcares faz o organismo entrar no chamado processo de cetose (produzir mais corpos cetônicos e menos glicose), o que contribui para um efeito anti-inflamatório sobre as células.

COMPOSIÇÃO DA DIETA

Usualmente, utilizamos como principal fonte de energia a glicose, e boa parte dela é proveniente de um grupo de nutrientes presentes nos alimentos chamados carboidratos. Porém, em algumas situações, o corpo também pode usar as gorduras como fonte de energia (quando não existem carboidratos disponíveis e as gorduras são utilizadas como fontes energéticas primárias, formando os chamados corpos cetônicos).

Pesagem é muito importante na dieta cetogênica, que é pobre em carboidratos e rica em gordura

Sendo assim, além da supressão de açúcares e dos baixos níveis de carboidratos, a dieta cetogência conta com grande quantidade de gorduras benéficas – de onde o organismo deverá tirar a sua energia, no lugar dos carboidratos.

Lenycia adverte, entretanto, para os riscos da supressão de grupos alimentares sem o devido acompanhamento profissional. “Muitas vezes, precisamos fazer também algum tipo de suplementação, para compensar a retirada de determinados nutrientes da dieta”, explica, ressantando que pais, familiares e cuidadores jamais devem oferecer um programa cetogênico para a criança sem antes passar por um nutricionista especializado.

COMO É O ACOMPANHAMENTO

Quando a criança é encaminhada pelo neurologista infantil para realizar o acompanhamento nutricional para introdução da dieta cetogênica, o primeiro passo é buscar então um profissional de Nutrição com essa expertise.

Em um primeiro momento será feita uma detalhada avaliação nutricional do paciente, para que sejam traçadas as metas de ingestão de nutrientes. São levadas em consideração questões como alergias e intolerâncias alimentares, se o paciente está abaixo ou acima do peso, bem como todo o seu quadro clínico geral e a facilidade (ou não) da família ao acesso aos alimentos mais indicados.

“O início da dieta é com uma quantidade de gordura, que vai aumentando gradativamente, enquanto os carboidratos e as proteínas caem proporcionalmente, até atingir a composição preconizada para manter a produção de corpos cetônicos dentro do ideal. Essas proporções vão sendo determinadas em conjunto com o médico que acompanha o caso”, explica Lenycia.

Na consulta inicial, os pais também recebem treinamento para utilização da balança na hora da preparação das refeições. A pesagem dos ingredientes, a fim de garantir as proporções corretas, é um aspecto muito importante do processo. A família também é orientada a manter um diário para anotação das condutas, de dúvidas, etc.

Nessa fase, o acompanhamento intenso é importante, até que sejam atingidas as proporções adequadas e as metas propostas. Até aproximadamente o terceiro mês há um monitoramento mais de perto pela equipe, para avaliação da eficácia do tratamento.

A expectativa é de que a dieta cetogênica, se bem sucedida, seja mantida por dois anos, em média. Após esse período, conforme as respostas do paciente, poderá haver o retorno gradativo à dieta convencional. A exceção costuma ser para os pacientes com erros inatos de metabolismo, que poderão ter de seguir a dieta cetogênica por toda a vida.

Essa publicação foi atualizada em 13 de abril de 2019 16:46

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