A importância dos primeiros mil dias de vida para o sistema nervoso da criança

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Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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Do período intrauterino, até os primeiros 24 meses completos após o nascimento, a quantidade de conexões feitas entre as células nervosas é bem maior do que em qualquer outra fase da vida de um ser humano. Por isso, esses primeiros mil dias (da concepção aos dois anos de idade) são considerados cruciais para a formação das estruturas do cérebro e do sistema nervoso.

Até os dois anos de idade, o ser humano vivencia um momento único de superatividade das células nervosas

A oferta de estímulos positivos pode (e deve) começar desde a gravidez – juntamente, é claro, com todo um ambiente gestacional saudável. E após o parto, desde os primeiros dias, as interações da criança com outros seres humanos e com o ambiente à sua volta são também preciosas para a formação das chamadas sinapses (conexões feitas entre os neurônios), contribuindo diretamente para o neurodesenvolvimento.

“Como a neuroplasticidade do período pré-natal e dos dois primeiros anos de vida é única, e muito superior a qualquer outra fase do desenvolvimento, toda interação, por mais simples que pareça, é muito bem-vinda nessa fase”, explica a neurologista infantil Ana Luiza Viegas, que participou de uma live sobre o tema, no perfil do Instagram da Clínica Vita, no último sábado, dia 10, dentro de um ciclo especial de conversas com especialistas, que está sendo realizado ao longo deste mês de julho, período em que se assinala o Dia Mundial do Cérebro (22/07).

Capacidade de aprender

Podemos definir neuroplasticidade como a incrível capacidade de adaptação e oferta de respostas pelo nosso sistema nervoso frente a novas experiências. Diante de situações desafiadoras e/ou estimulantes, as células cerebrais se comunicam, estabelecendo novas redes de conexões, buscando o ganho de habilidades para dar respostas adequadas aos estímulos recebidos.

Os bebês têm uma incrível capacidade de aproveitar tudo o que acontece à sua volta como estímulo para o aprendizado cognitivo e motor

Basicamente, é isso que nos dá a capacidade de aprender – um processo que vai perdurar a vida toda, mas que na primeiríssima infância acontece de forma mais intensa do que em qualquer outra fase da vida. “É por isso que a criança pequena é tão alerta, curiosa, observadora e ativa. Elas aproveitam tudo para ir aprendendo, formando conexões”, observa Ana Luiza.

Desenvolvimento acelerado

O cérebro é um dos primeiros órgãos que se formam no ser humano. Já no início da gestação, determinadas células se diferenciam em neurônios, migram para o lugar que devem ocupar no córtex cerebral e, então, começam a desenvolver ramificações – o que as torna capazes de estabelecer conexões entre si. Os embriões já são capazes de se movimentar de forma incipiente a partir da oitava semana, e a sucção já pode ser observada na 13ª semana. A partir da 24ª semana, o feto já consegue ouvir e reagir a sons do corpo da mãe, como respiração, batimentos cardíacos e sua voz, e a sons externos, como outras vozes e música.

“Quando a gente acompanha as crianças crescendo e se desenvolvendo a olhos vistos, isso parece muito rápido. Mas nos primeiros nove meses dentro do útero, o desenvolvimento é incrivelmente mais rápido, e o sistema nervoso também está a mil por hora: estão se formando os bilhões de neurônios que nós temos, e que depois vão passar uma vida se conectando de formas muito complexas. A partir do nascimento, essas células nervosas vão se conectando para formar redes cada vez melhores, e se mielinizando (ganhando uma capa de gordura que as torna mais rápidas e eficientes), o que vai possibilitando a aquisição de habilidades de todos os tipos”, detalha a neuropediatra.

Momento estratégico

Tudo isso significa que os primeiros mil dias de vida representam, sim, uma fase muito estratégica para o neurodesenvolvimento. Ter essa consciência ajuda a compreender a importância de um acompanhamento pré-natal adequado, assim como a valorizar o contato com a criança e a atenção ao ambiente ao seu redor.

Todos os momentos de interação com a criança devem ser valorizados e vistos como oportunidades de estimular o seu neurodesenvolvimento

Contudo, cabe ressaltar que, em condições típicas, essa fase NÃO exige abordagens pedagógicas superelaboradas ou brinquedos especiais, de custo elevado. Na verdade, essa superatividade das células nervosas do bebê, em um cérebro ainda imaturo e com as suas estruturas em formação, torna-o permeável e sensível às experiências mais simples. Sons, texturas, cheiros, formas, movimentos, tudo se converte em estímulos.

Sendo assim, o tempo passado com a criança, o carinho oferecido, a forma acolhedora e segura como os cuidados são prestados, a atenção dada pelos pais e cuidadores, as oportunidades de brincar e explorar o espaço à sua volta, tudo isso é convertido em um manancial de informações preciosas para o cérebro em desenvolvimento. A natureza é sábia!

CONFIRA ABAIXO AS PRINCIPAIS DICAS PRÁTICAS DA DRA. ANA LUIZA:

– PLANEJANDO A GESTAÇÃO. Tão logo uma mulher deseje engravidar, é importante que ela busque atendimento com um ginecologista/obstetra para uma avaliação pré-concepcional. Nessa consulta, são passadas diversas orientações importantes, e é avaliado se a futura gestante tem alguma condição prévia que deva ser tratada antes de iniciar uma gestação. São abordados nessa consulta temas como a suplementação de ácido fólico (nutriente importante para a formação do sistema nervoso central) e a importância da abstenção de álcool, cigarros e outras drogas durante a gestação;

– ACOMPANHAMENTO PRÉ-NATAL. Um ambiente gestacional saudável é fundamental para o bom desenvolvimento do feto e, por isso, seguir o acompanhamento pré-natal adequadamente é indispensável.
Além do acompanhamento pré-natal com o obstetra, é recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) que a primeira consulta com o pediatra aconteça ainda durante a gravidez;

– CONTATO COM A CRIANÇA. Assim que nasce, o bebê aproveita muito os estímulos sensoriais que lhe são oferecidos através do colo, da amamentação, do banho, da exposição à voz dos pais, etc. Valorize esses momentos;

– CONVERSE COM ELE(A). Mesmo antes de começar a falar, o bebê aproveita quando o adulto conversa com ele, olhando frente a frente para o seu cuidador. Para ele, é bom ouvir a voz dos pais e, muito antes de conseguir identificar o significado das palavras, a criança já consegue perceber a entonação empregada;

– BRINQUE COM O BEBÊ. Com o passar das semanas, a criança já começa a conseguir fazer contato visual, emitir sons, sorrir para as pessoas e assimilar o feedback recebido. Por isso é importante retribuir as interações, valorizar os sons que a criança emite, brincar de “esconder e achar” com as mãos ou um paninho, etc.;

– ESTIMULE A LINGUAGEM. Mostrar entusiasmo quando a criança produz sons, imitá-la, são formas de motivá-la a continuar emitindo sons e desenvolvendo a linguagem;

– DESENVOLVIMENTO MOTOR. Duas coisas muito importantes nesse quesito: o tummy time e o chão. Já no primeiro mês, oriente-se com o pediatra sobre a colocação do bebê de bruços, sob supervisão, por alguns minutos. Isso é primordial para o ganho de força e evita deformidades no crânio. Também é importante que, com o tempo, a criança possa ir para o chão brincar – ou seja, não passar todo o tempo no berço, cama, cadeirinha, etc. É importante ficar em uma superfície rígida, na qual ela possa se deslocar com mais facilidade – um tapetinho de E.V.A costuma cumprir bem esse papel, evitando o contato direto com o chão puro no caso das crianças mais novinhas;

– ACOMPANHAMENTO PEDIÁTRICO. Mantenha as consultas com o pediatra em dia. Ele fará tudo o que estiver ao seu alcance para proteger o aleitamento materno, se for esse o desejo da mãe, ou para encontrar a melhor alternativa nutricional possível, caso o aleitamento materno não seja continuado. A nutrição do bebê deve ser adequada para favorecer a mielinização dos neurônios. Além disso, o desenvolvimento do bebê será sempre avaliado nas consultas, e orientações muito importantes serão passadas. Se houver uma alteração no desenvolvimento e for necessária uma avaliação especializada, o pediatra a sinalizará;

– QUANDO ACIONAR UM NEUROPEDIATRA? Sempre que houver dúvidas ou suspeitas de que a criança não está acompanhando devidamente os marcos de desenvolvimento (seja a nível motor, cognitivo, social ou de linguagem), será bem-vinda uma avaliação pelo neurologista infantil. Quanto mais cedo são detectados atrasos e/ou dificuldades e iniciada a reabilitação, mais se aproveitara a neuroplasticidade do cérebro em desenvolvimento.

PARA ASSISTIR À LIVE COM A NEUROPEDIATRA, CLIQUE AQUI, NESTE LINK

Dra Ana Luiza Viegas é neurologista infantil, integrante do Corpo Clínico da Vita – VEJA AQUI O PERFIL DA MÉDICA

Essa publicação foi atualizada em 10 de setembro de 2021 09:34

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