Enxaqueca fora de controle põe em xeque trabalho, vida social e relacionamentos

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Apesar de conviver com uma patologia crônica, altamente incapacitante e comprometedora da qualidade de vida, o paciente enxaquecoso muitas vezes leva anos para buscar e receber diagnóstico e tratamento adequados. Não são raros os casos em que a ajuda especializada só é acionada depois que a pessoa experimenta sérios prejuízos na sua capacidade laboral, na sua vida social ou no campo afetivo, devido aos constantes episódios que indispõem para as interações e as atividades cotidianas.

Um estudo recente divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta a enxaqueca como a segunda doença mais incapacitante do mundo, perdendo apenas para os casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC). A adesão a medidas eficazes de prevenção e controle das crises é hoje o único caminho possível para reverter essa situação, uma vez que a enfermidade não tem cura.

Contudo, a jornada desses pacientes para se reconhecerem como doentes crônicos e daí até abraçarem um programa de manejo para a sua condição enxaquecosa, costuma ser longa e, literalmente, dolorosa. Habituada a investigar e tratar a enxaqueca, a neurofisiologista Simone Amorim, especialista em tratamentos com toxina botulínica na área neurológica, conhece de perto o drama vivido por essas pessoas.

O paciente em tratamento reúne melhores condições para minimizar os impactos da enxaqueca nas diversas áreas da vida, conforme salienta a Dra. Simone Amorim

“No meu consultório, normalmente o paciente já chega em busca do tratamento específico com a toxina botulínica, porque obteve de alguma forma a informação sobre a eficácia dessa conduta. Mas até esse movimento acontecer, costuma haver uma história de muito sofrimento, com frustrações pela falta de respostas objetivas, relatos de insucessos com diversas tentativas de tratamentos alternativos e, não-raro, o uso abusivo da automedicação – o que só faz agravar o problema”, observa a médica.

Feitos em pontos específicos da cabeça, os ciclos de aplicações da toxina impactam a frequência e a intensidade das crises. A partir daí o paciente está em melhores condições para iniciar uma nova fase, com outras frentes de ações capazes de afastar ao máximo possível os chamados “gatilhos” das crises.

“Com episódios de dor menos frequentes e mais fracos, graças ao tratamento, esse indivíduo agora dispõe de condições para adotar outras medidas consideradas cruciais para manter o quadro sob controle, tais como: prática de atividade física, regulação do sono e um plano alimentar adequado às suas necessidades”, explica a médica, salientando também a importância desses e de outros aspectos para uma boa gestão dos níveis de estresse e para o estado psicoemocional.

Como um quadro multifatorial, a enxaqueca exige abordagens multidisciplinares para ser mantida sob controle. Não é possível se curar da doença. De uma forma ou outra, as crises continuarão a acontecer. Mas é possível viver sem ser refém desses episódios. Com o tratamento adequado, tudo melhora e a qualidade de vida agradece!

SAIBA MAIS

Muito mais do que uma “simples dor de cabeça”, a enxaqueca é uma doença crônica, relacionada a desequilíbrios entre substâncias neurotransmissoras, hormônios e neurohormônios, que causam uma vasta gama de sintomas que aparecem antes, durante e depois das crises. O conjunto sintomático, entretanto, varia muito entre os pacientes, sendo também comum a presença de comorbidades (doenças associadas), com destaque para a depressão.

Durante uma crise de enxaqueca, além da dor intensa e pulsátil (geralmente mais forte em um dos lados da cabeça e/ou na região de um ou ambos os olhos) que pode durar até quatro horas, também podem ocorrer: alterações visuais (a chamada aura: visão de pontos luminosos, embaçamento ou escurecimento parcial da visão, visão de formas em zig-zag tremeluzentes), que costumam prenunciar a chegada do episódio de dor; náuseas, vômitos, tonturas, além de formigamentos e dormências nas mãos, lábios e outras partes do corpo.

Podem ocorrer ainda: sensação de nariz entupido, ptose palpebral (queda de uma das pálpebras durante a crise) e inchaço ao redor de um ou ambos os olhos (durante e após as crises). Constipações, aumento da diurese, alterações gastrointestinais, sensação de cansaço/desânimo e alterações humor também podem estar associadas aos períodos pré e pós-crise.

O diagnóstico é clínico, com base na sintomatologia, a partir da observação da frequência e das características das crises. O exame clínico no consultório e as demais análises laboratoriais e de imagem solicitadas são, em geral, para descartar a presença de outras doenças.

Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 18:13

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