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Especialista dá dicas para uma boa higiene vocal

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Postamos recentemente aqui no blog um artigo sobre a importância do acompanhamento fonoaudiológico para as pessoas que cantam profissionalmente. Mas o fato é que, conforme alerta a fonoaudióloga Joyce Fialho, a atenção ao preparo vocal deve ser dada a todas as pessoas que têm a voz como ferramenta de trabalho e não só aos cantores. Profissionais como professores, radialistas, apresentadores de TV, palestrantes, operadores de telemarketing, advogados, entre outros, também devem estar atentos à sua “higiene vocal”.

Segundo a especialista, esse tipo de acompanhamento implica em desenvolver um projeto vocal, parecido com o que é desenvolvido para os cantores, ou seja, um plano terapêutico que poderá envolver desde treinamentos até aquecimentos para serem realizados no dia a dia do orador.

O objetivo é ajudar na projeção da voz e, ao mesmo tempo, proteger as estruturas da laringe/faringe, evitando lesões que possam se transformar em problemas crônicos, capazes de comprometer em definitivo a saúde das pregas vocais (PPVV).

Os riscos envolvidos nos esforços repetitivos e no uso incorreto da voz envolvem desde a fadiga vocal imediata, depois de um dia especialmente exaustivo, até o desenvolvimento de pólipos, nódulos e cistos nas pregas vocais, (que, se não diagnosticados previamente e tratados de maneira correta, podem levar à perda da capacidade vocal).

“O ato de falar diariamente exige muito da musculatura laríngea, pois é lá que estão os “músculos da voz”. É necessário saber usá-los de forma correta, para que isso não resulte em alterações estruturais mínimas”, observa Joyce.

O objetivo da fonoterapia, nesses casos, é desenvolver a consciência de como a voz é produzida e de como é a psicodinâmica vocal, para que o indivíduo adquira a discriminação auditiva (feedback auditivo), sabendo projetar a voz dentro da sua capacidade.

Em seu consultório, a fonoaudióloga atende muitos profissionais que, com o passar dos anos de atividade profissional, já começaram a sofrer com o envelhecimento natural da voz. Mas ela conta que também tem atendido, cada vez mais, pessoas preocupadas com uma abordagem preventiva em relação à sua qualidade vocal.

Além do desenvolvimento de projeto vocal personalizado, envolvendo treinamentos e exercícios para as necessidades específicas de cada paciente, a fonoaudióloga ressalta a importância da “higiene vocal”. Ela explica que na Fonoaudiologia, esse conceito se refere às condições necessárias para a preservação da voz, envolvendo questões como cuidados com a alimentação e adoção ou eliminação de determinados hábitos.

As condições de “higiene vocal” impactam na voz de todas as pessoas. E, para quem vive da fala, isso pode acarretar sérios prejuízos à carreira. Mas para as pessoas, de um modo geral, maus hábitos e falta de cuidados com a preservação da voz podem significar sérios problemas e comprometimentos da qualidade de vida, com o passar do tempo.

COMO MANTER UMA BOA HIGIENE VOCAL

-Hidratação: ingerir pelo menos dois litros de água por dia faz bem a todo o organismo e também preserva a voz. A musculatura interna da laringe não consegue um bom desempenho se não estiver bem hidratada;

Vale lembrar aqui que algumas pessoas são mais sensíveis ao choque térmico. Sugerimos, assim, evitar em dias muito quentes a ingestão de bebidas muito geladas e de tudo o que promove mudanças bruscas de temperatura em um organismo que poderá estar suscetível;

– Ar-condicionado: além de modificar a temperatura do ambiente de trabalho, ocorre redução da umidade do ar, ressecando a mucosa da faringe/laringe. Especialmente para quem tem problemas respiratórios como asma, sinusite e bronquite, isso aumenta a secreção, promovendo pigarro e muita tosse que, em excesso, pode lesionar as pregas vocais;

– Alimentação: o excesso de alimentos muito gordurosos, condimentados, com conservantes e corantes, derivados do leite, chocolate e café, além de promover aumento de secreção, pode gerar o RGE (refluxo gastroesofágico), que irrita e abala as pregas vocais, promove queimação e a sensação de algo parado na garganta;

– Mastigação: uma boa mastigação propicia um relaxamento da musculatura da mandíbula, ajudando a articulação e a devida emissão da voz;

– Quantidade e qualidade do sono:
o relaxamento e o descanso proporcionados por uma noite bem dormida são fundamentais para preservar as estruturas envolvidas na produção da voz. Precisamos, em média, de 8 horas de sono por noite;

– Cigarro e álcool: além de todos os males que trazem para o organismo, essas substâncias trazem rouquidão com o passar dos anos e pigarro constante. A longo prazo, o quadro pode evoluir para lesões sérias e até câncer de boca, de laringe e de pulmões.

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