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Estudo revela impacto devastador da enxaqueca na vida profissional

2018-12-02T13:40:10+00:00 2 de dezembro de 2018|Destaques, Notícias|0 Comments

Conforme o estudo “My Migraine Voice”, sem tratamento, a produtividade do paciente que sofre de enxaqueca cai, em média, pela metade

Quem sofre de enxaqueca sabe que ela é muito mais do que uma “dorzinha de cabeça”. Difícil, entretanto, é não ver o sofrimento minimizado por quem está à sua volta. Dados preliminares revelados por um dos maiores estudos já realizados a nível global com pacientes enxaquecosos podem contribuir diretamente para mudar essa realidade.

Conduzido pela Aliança Europeia de Enxaquecas e Cefaleias (EMHA), em parceria com o Laboratório Novartis, o estudo chamado “My Migraine Voice” (“A Voz da Minha Enxaqueca”, numa tradução livre) ouviu mais de 11 mil pessoas, em 31 países. O que os números revelam surpreendeu a própria comunidade científica e tem chamado atenção da mídia internacional, devido ao grande impacto, até então ignorado, sobre a produtividade e a qualidade de vida dos pacientes.

As descobertas, apresentadas no 60º Encontro Científico Anual da American Headache Society (AHS), em San Francisco (EUA), revelam que a enxaqueca reduz a produtividade do trabalho pela metade. Outro dado importante é que, em média, 60% dos entrevistados empregados perdem mensalmente quase uma semana inteira de trabalho (4,6 dias) devido à enxaqueca.

Os entrevistados afirmaram ainda que, embora a maioria de seus empregadores (63%) soubesse sobre a sua enxaqueca, apenas 18% ofereciam algum tipo de apoio para que pudessem se tratar. Além disso, muitos disseram que se sentiam julgados, estigmatizados ou incompreendidos por tirarem folgas nos dias de crise ou para realização de tratamentos.

Em artigo divulgado em junho deste ano apresentando as primeiras conclusões do estudo, a diretora executiva da EMHA, Elena de la Torre, sublinhou que os dados levantados ilustram a necessidade de conscientização e apoio aos pacientes enxaquecosos, sobretudo no que tange aos locais de trabalho.

“Esses resultados lançam luz sobre uma doença invisível. A enxaqueca é frequentemente vista apenas como uma dor de cabeça ruim. Apesar de viver com uma condição tão incapacitante, as pessoas que vivem com enxaqueca se esforçam para serem mais produtivas, mas precisam de apoio para superar os sintomas e conseguirem atingir todo o seu potencial”, sublinhou La Torre.

O “My Migraine Voice” ouviu pessoas que tiveram pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês, sendo que quase 90% já haviam tentado pelo menos um tratamento preventivo. Agora, a luta do EMHA é para a ampliação de políticas de suporte para o acolhimento e o tratamento dos pacientes.

O QUE É A ENXAQUECA

A enxaqueca é uma doença neurológica ocasionada por fatores genéticos, que tornam o paciente mais suscetível a desordens no funcionamento dos neurotransmissores, ocasionando sintomas como: dores de cabeça, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz, a estímulos sonoros e cheiros, entre outros. A intensidade e a gravidade das crises varia muito entre os pacientes, sendo considerado enxaquecoso aquele que sofre pelo menos quatro episódios por mês, sendo que para um diagnóstico exato, também é muito importante a realização de exames que descartem outros quadros clínicos.

COMO É O TRATAMENTO

Hoje em dia existem tratamentos de comprovada eficácia no controle da enxaqueca, como no caso da terapêutica com toxina botulínica (clique no link para saber mais sobre esse procedimento). Contudo, é fundamental o entendimento de que o tratamento é sempre multidisciplinar, podendo também envolver o uso de medicações e outras medidas. Nesse processo, é fundamental também a identificação e o máximo afastamento possível dos chamados “gatilhos” da dor (fatores potencialmente desencadeantes), bem como a introdução de hábitos que contribuem para a diminuição das crises, tais como: prática regular de atividade física, boa qualidade e quantidade de sono, alimentação balanceada, entre outros ajustes.

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