Existe relação entre enxaqueca e AVC?

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Dor de cabeça forte, mal-estar intenso, alterações sensoriais…Uma crise de enxaqueca não é só extremamente incômoda. Ela costuma ser assustadora para grande parte dos pacientes. Um dos principais temores de quem sofre esses episódios é o de vir a ser vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Mas, afinal, existe alguma relação entre os dois quadros?

Segundo a neurofisiologista Simone Amorim, o tema vem sendo alvo de muitos estudos e o que se tem concluído a esse respeito atualmente é que, de fato, alguns tipos de enxaqueca estariam mais relacionados a casos de AVC do que outros. Porém, diferentemente do que pensam muitos pacientes, não é no momento da crise que existe o tão temido risco de “derrame cerebral”, mas sim na falta de um acompanhamento constante com vistas na saúde sistêmica por parte desses indivíduos.

Como assim, doutora?

“As pessoas que sofrem de enxaqueca, sobretudo as que têm enxaqueca com aura, isto é, aquela acompanhada de sintomas como alterações visuais, como visão de pontos luminosos, e também de sensações de dormências em áreas da face ou nas mãos, entre outras alterações, muitas vezes pensam que estão prestes a sofrer um AVC no momento da crise. Mas explicamos sempre que é raríssimo isso acontecer. A aura é bastante incômoda, mas não significa que a pessoa está tendo um AVC naquele momento ou que vá ficar com sequelas depois de uma crise de enxaqueca”, detalha a médica.

Entretanto, a especialista lembra que os estudos mostram que pacientes que sofrem de enxaqueca com aura fazem parte de um grupo mais predisposto a sofrer um AVC ao longo da vida. Isso significa que essas pessoas devem estar especialmente atentas aos fatores de risco vasculares, ou seja, esses pacientes devem estar especialmente atentos para o controle de fatores como hipertensão arterial, sedentarismo, obesidade e tabagismo, além do controle do estresse, por exemplo.

“Esses são fatores de risco para os quais todas as pessoas devem estar atentas, mas recomendamos especial atenção àquelas que têm enxaqueca com aura. Até porque, geralmente, o controle desses fatores tende também a diminuir a frequência e a intensidade das crises de enxaqueca, melhorando a qualidade de vida desses indivíduos”, explica.

Mas, infelizmente, apenas a manutenção de fatores que contribuem para uma boa saúde sistêmica não costuma ser suficiente para livrar completamente o paciente das crises de enxaqueca. Geralmente é necessário um tratamento específico para esse quadro, que pode ou não envolver a administração preventiva de fármacos, sendo que a aplicação periódica de toxina botulínica vem sendo considerada como tratamento padrão-ouro nesse sentido.

MEDICAMENTOS PODEM AUMENTAR RISCOS

A médica aproveita para alertar que, mais do que a enxaqueca em si, a falta de cuidados específicos e a automedicação é que podem deixar a pessoa mais propensa ao risco de AVC.

“Existem determinados tipos de enxaqueca para os quais determinados medicamentos não são indicados. Esse é o caso de quem sofre de enxaqueca basilar e enxaqueca hemiplégica, por exemplo. Por isso, não basta a pessoa ler sobre enxaqueca, concluir que a tem e tomar um remédio que fez bem para o vizinho. O tratamento farmacológico, para ser seguro, depende sempre de acompanhamento médico”, frisa.

Segundo a especialista, o uso de determinados anticoncepcionais para as pacientes que têm enxaqueca com aura também pode ser contraindicado. “Cada caso é sempre avaliado individualmente, sendo que o primeiro passo para o paciente enxaquecoso é buscar fazer um acompanhamento médico do seu quadro”, indica.

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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