No último domingo, a cantora sertaneja Paula Fernandes revelou para o Brasil o drama que vivenciou na sua adolescência, chegando a tentar o suicídio aos 17 anos. A história foi contada ao médico Drauzio Varella, que acaba de iniciar uma nova série sobre o tema, no programa Fantástico (Rede Globo), chamada “Não tá tudo bem, mas vai ficar”.
Além da cantora, o rapper baiano Baco Exu do Blues também falou sobre o seu quadro, que ainda não está 100% controlado.
Em meio aos casos famosos, o programa mostrou ainda outras histórias de pessoas comuns, que enfrentam a doença e todos os seus impactos em diversos setores da vida: dos sintomas físicos aos prejuízos nas relações interpessoais, passando pela queda de produtividade ou, até mesmo, pela total incapacidade para o trabalho.
“Hoje, isso acontece com mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo”, destacou o médico na reportagem.
Não se trata de “frescura” e, muitas vezes, nem mesmo de uma causa externa objetiva. Depressão é diferente da tristeza pontual, causada por um acontecimento específico (como a perda do emprego, de um ente querido, por uma separação, etc.), que é passageira – embora um revés na vida possa até vir a ser o gatilho para a instalação do quadro depressivo.
“A depressão é um desequilíbrio neuroquímico, que afeta a forma de sentir e processar as emoções. A ciência ainda tem muito a revelar sobre esse mecanismo, mas sabemos que ele envolve importantes quedas a nível de neurotransmissores, como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina, e que diversos fatores, como níveis hormonais e de estresse, influem diretamente nisso”, explica a neurofisiologista Simone Amorim, que destaca a existência da Neuromodulação como um tratamento de primeira linha existente hoje para esse quadro.
A Neuromodulação (EMT) é considerada hoje um tratamento de primeira linha para a depressão
Segundo a médica, o procedimento (tecnicamente chamado de Estimulação Magnética Transcraniana) é feito de forma NÃO invasiva, por meio de um equipamento de alta tecnologia, capaz de estimular (ou desestimular) áreas do cérebro, promovendo melhorias no desempenho do Sistema Nervoso.
“Isso é muito benéfico para a questão neuroquímica envolvida na doença”, explica Simone, destacando que, em se tratando de um transtorno psicoemocional, o suporte medicamentoso e psicoterapêutico tem também papéis relevantes, ou mesmo indispensáveis, em muitos casos.
Especialista em Terapia Comportamental Cognitiva (método terapêutico especialmente indicado para o tratamento da depressão), a psicóloga Cássia Denadai, integrante da equipe Vita, vê com bons olhos a abertura de espaço para o assunto nos grandes meios de comunicação. Uma vez na mídia, o tema vai deixando de ser tabu também dentro de casa ou nos ambientes profissionais.
A psicóloga Cássia Denadai, especialista em Terapia Cognitiva
“Quando as pessoas tomam conhecimento dessas histórias, elas começam a se questionar e a reconhecer aquelas características como algo a ser tratado. Vão perdendo a vergonha e o medo de falar sobre os sintomas e as questões que enfrentam, sentindo-se mais encorajadas a buscar ajuda”, destaca a especialista.
Além disso, quando celebridades assumem a doença, fica evidente que fatores como sucesso e dinheiro não são garantias de um bom estado psicoemocional.
“Muitas pessoas pensam que não têm o direito de se sentirem mal, porque, teoricamente, elas já têm tudo: boa casa, bom casamento, filhos com saúde, bons empregos, etc. Mas a nossa história de vida é muito mais complexa do que esses itens objetivos e, muitas vezes, questões latentes que trazemos conosco, sufocadas ou esquecidas lá em um cantinho da memória, podem permanecer impactando nosso estado pisicoemocional. Permitir-se esse olhar, buscando ajuda especializada para isso, é um movimento muito importante para a prevenção e o combate da depressão”, salienta a psicoterapeuta.
Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 18:10
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