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Há vantagens nas roupas e nos acessórios com fator de proteção solar?

Tallita Rezende,
dermatologista

Acessórios com fator de proteção solar, usar ou não usar? Eis uma questão que alguns pacientes têm colocado em suas consultas, diante da oferta cada vez maior de sombrinhas, chapéus, bonés e peças de vestuários com essa tecnologia.

A resposta é: não é obrigatório, mas, havendo possibilidade, sim, esse uso pode ser bastante benéfico para reforçar a prevenção ao câncer de pele e aos demais problemas causados pela exposição excessiva ao sol.

Por outro lado, isso deve ser visto como uma atitude complementar e, em hipótese alguma, substitui o uso de filtro solar (pois muitas dessas peças não protegem contra os raios que chegam à terra e são refletidos) e nem a recomendação para que se evite a exposição prolongada nos horários críticos (entre 10h e 17h).

Já citei aqui e sempre reforço que, conforme o I Consenso Brasileiro de Fotoproteção, dadas as características geográficas muito específicas do país, o recomendado é que a população, além de aplicar o filtro, também recorra a barreiras físicas de proteção solar, independentemente da época do ano. Chapéus, óculos escuros e sombrinhas são auxiliares importantes nas atividades ao ar livre, portanto.

Mas sempre cito também que a eficácia dessas barreiras é relativa, podendo variar bastante de acordo com o material com que foram confeccionados.

Sendo assim, os produtos já fabricados com fator de proteção têm, então, a vantagem de já serem feitos e licenciados com a finalidade de ser mesmo uma barreira para a radiação solar. As sombrinhas de fotoproteção, por exemplo, são confeccionadas com tecido que fornecem proteção contra raios ultravioleta, bloqueando até 98% dos raios solares.

Temos visto que essas peças de vestuário e assessórios de alta tecnologia são bastante práticas e seguras. Para crianças, pessoas com pele sensível ou situações pontuais em que a exposição ao sol será mesmo mais prolongada, como no caso de viagens ou prática de determinados esportes, penso que o investimento em artigos com fator de proteção configura-se como uma medida de segurança bem importante.

É preciso frisar, no entanto, que cada pele tem um histórico e características próprias que vão determinar a eleição do conjunto ideal de medidas de fotoproteção. Antes de investir em um arsenal de produtos e assessórios, passar em consulta pelo dermatologista é a melhor aposta para quem quer acertar nas medidas.

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ENTENDA COMO FUNCIONAM OS TECIDOS TECNOLÓGICOS DE FOTOPROTEÇÃO

– Em roupas tecnológicas, o tecido usado é a poliamida. Na hora de confeccionar a fibra usa-se um protetor solar: o dióxido de titânio. Ele se incorpora à fibra e é o responsável pela proteção solar do tecido. Por isso, o fator de proteção é excelente independente da cor do tecido, e isso não se perde nas lavagens. Enquanto a roupa não for danificada, o FPU se mantém. Além de camisetas, encontramos várias outras roupas com essa tecnologia: bonés, viseiras, maiôs, luvas e sombrinhas.

– Para medir a proteção de uma roupa usa-se o Fator de Proteção Ultravioleta (FPU). Ele mede a porcentagem dos raios ultravioleta A e B que ultrapassam o tecido. Por exemplo: um FPU 5 significa que um em cada cinco raios ultrapassa o tecido e chega na nossa pele;

– Uma BOA proteção começa com FPU 15. Ela já pode ser considerada MUITO BOA a partir de FPU 25 e EXCELENTE a partir de FPU 40;

– As roupas e sombrinhas vendidas em lojas especializadas para proteção solar costumam ter FPU 50. Oferecem excelente proteção, portanto.

COMO É A PROTEÇÃO SOLAR NOS TECIDOS COMUNS

Os tecidos comuns também protegem a pele, mas o FPU, nesse caso, depende de algumas variáveis:

  1. Tipo de fio: os tecidos que naturalmente protegem mais contra a radiação ultravioleta são os mais pesados, como o algodão, o linho, a sarja. No entanto, existem tecidos sintéticos leves, como o poliéster, que também protegem bem.
  2. Densidade da trama: quanto mais densa a trama, maior a proteção. É possível avaliar se um tecido filtra bem os raios ao observá-lo contra a luz. Se passar pouca luz, o FPU deve ser bom. Caso contrário, mau sinal.
  3. Cor: quanto mais escuro o tecido, maior o FPU. O pigmento ajuda a absorver os raios ultravioleta, e por isso a cor escura pode aumentar o FPU do tecido em até 5 vezes. Ponto negativo para a confortável camiseta branca de algodão. Outro detalhe: como o branco reflete a luz, a camiseta branca de algodão acaba refletindo a radiação solar em direção ao rosto de quem usa. Mas, apesar do FPU de tecidos claros ser menor que o de tecidos escuros, roupas claras são as mais indicadas para serem usadas sob o sol, pois esquentam menos, são mais confortáveis e ajudam a proteger contra a insolação.
  1. Umidade: se molhar, o tecido estica e as tramas se abrem. Com isso, o FPU cai.
  1. Tamanho da roupa: se a roupa for mais folgada, o FPU aumenta. Se o tecido for esticado, como no caso de uma roupa apertada, a trama perde a densidade e o FPU cai.

Em vista desses fatores, conclui-se que em geral um tecido claro, leve e com trama solta não tem FPU ideal. Sinto informar, mas a camiseta branca de algodão tem FPU baixo, em torno de 6. Molhada, ela perde metade do seu fator de proteção.

Em todos os casos, usando ou não uma roupa com tecido tecnológico, o uso do filtro solar é imprescindível.

*Dra. Tallita Rezende, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), escreve quinzenalmente para o Blog da Vita.

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